sábado, janeiro 12, 2008

Um soneto genial e atual de GREGÓRIO DE MATOS


Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:

Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:

Com sua língua ao nobre o vil decepa:

O Velhaco maior sempre tem capa.


Mostra o patife da nobreza o mapa:

Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;

Quem menos falar pode, mais increpa:

Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.


A flor baixa se inculca por Tulipa;

Bengala hoje na mão, ontem garlopa:

Mais isento se mostra, o que mais chupa.


Para a tropa do trapo vazio a tripa,

E mais não digo, porque a Musa topa

Em apa, epa, ipa, opa, upa.



CAREPA.
1. V. caspa.
2. Pó que se forma na superfície das frutas secas, sobretudo nos figos.
3. A superfície da madeira desbastada com enxó.
[Do provenç. garlopa.]
CAPA.
1. Peça de vestuário usada sobre toda a outra roupa a fim de protegê-la, ou proteger quem a veste, contra a chuva.
2. Aquilo que serve para cobrir; cobertura: 2
INCREPAR V. t. d. e i.
2. Acusar, censurar, argüir: &
GARLOPA. S. f.
1. Plaina grande.

Um comentário:

cristina macedo disse...

Rodrigo, é incrível a atualidade do soneto de Gregório de Matos!
Muito bom!!!!!