quarta-feira, janeiro 16, 2019

Roteiro Literário - Paulo Leminski (eentrevista com Rodrigo Garcia Lopes)


Entrevista sobre "Roteiro Literário - Paulo Leminski" na Folha de Londrina

Entrevista para Marcos Losnak sobre "Roteiro Literário - Paulo Leminski", na Folha de Londrina de hoje, no link:
https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/leminski-o-habitante-da-linguagem-1024495.html

Mais informações: (41) 3223-4951 ou bbppgeral@bpp.prgov.br

terça-feira, janeiro 15, 2019

Lançamento: "Roteiro Literário - Paulo Leminski", de Rodrigo Garcia Lopes



     A Biblioteca Pública do Paraná acaba de publicar o Roteiro Literário — Paulo Leminski, de Rodrigo Garcia Lopes. Editado pelo selo Biblioteca Paraná, o livro traz um ensaio, dividido em três partes, em que Rodrigo Garcia Lopes analisa a trajetória pessoal e artística de Paulo Leminski (1944-1989), curitibano que se dedicou, entre outras atividades culturais, à tradução, prosa literária, ensaio, canção popular e, sobretudo, à poesia.
     Fotos de Eduardo Macarios e Dico Kremer ilustram a relação de Leminski com a cidade de Curitiba. Com 180 páginas, o título está no acervo da Biblioteca, vai ser encaminhado para bibliotecas e entidades culturais e já está disponível para aquisição na BPP. Mais informações: (41) 3221-4994.
     No texto de apresentação, Luci Collin destaca que Rodrigo Garcia Lopes conta como Leminski viveu e reproduziu a “agoridade” absoluta do mundo atual, além de analisar a poética leminskiana, “marcada pelo rigor e delírio da escrita”. Luci não deixa de observar que Lopes também investiga de que maneira Leminski absorveu Curitiba em sua obra, “e como Curitiba foi absorvendo a obra de seu poeta maior”.
     Rodrigo Garcia Lopes é doutor em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Traduziu textos de Rimbaud, Marcial, Sylvia Plath e Walt Whitman. É autor, entre outros títulos, do romance O Trovador (2014) e do livro de poemas Experiências Extraordinárias (2015).
     
                     A COLEÇÃO 

     O diretor da Biblioteca Pública do Paraná, Rogério Pereira, explica que o projeto Roteiro Literário tem a finalidade de divulgar, para públicos variados, incluindo as gerações recentes, a literatura paranaense contemporânea. “Há um número expressivo de vozes literárias no Paraná, muitas vezes com ressonância apenas entre escritores, estudiosos e amigos do autor. Para ampliar a difusão de nossa literatura, decidimos fazer esse projeto, que, além de analisar vida e obra, também apresenta os locais frequentados pelo homenageado”, diz Pereira.
      Na coleção Roteiro Literário, um autor escreve um ensaio sobre a vida e a obra de um escritor paranaense já falecido. A obra também traz um ensaio fotográfico com endereços e espaços frequentados pelo homenageado.
       O primeiro título da coleção, publicado em 2017, foi sobre Jamil Snege (1939-2003), escrito por Miguel Sanches Neto. Já o segundo volume, lançado em novembro deste ano, é uma obra sobre Helena Kolody (1912-2004), de autoria de Luísa Cristina dos Santos Fontes. Este Roteiro sobre Leminski, de Rodrigo Garcia Lopes, é o terceiro título da série.

MAIS INFORMAÇÕES:
bppgeral@bpp.pr.gov.br
e
41 3221-4951

SERVIÇO: Roteiro Literário — Paulo Leminski, de Rodrigo Garcia Lopes.
180 páginas, publicado pelo Selo Biblioteca Paraná.
R$ 20

NOVA ANTOLOGIA, "POEMAS" RESGATA MÚSICA DA LINGUAGEM DE T.S. ELIOT, por Rodrigo Garcia Lopes





Minha matéria na "Ilustrada" da Folha de S. Paulo, sobre o livro "Poemas", de T.S. ELIOT, na tradução de Caetano Galindo.
NOVA ANTOLOGIA, "POEMAS" RESGATA MÚSICA DA LINGUAGEM DE T.S. ELIOT
Tradução de Caetano Galindo mostra cuidado com efeitos sonoros do original

RODRIGO GARCIA LOPES

T. S. Eliot (1888-1965) dominou a cena poética de língua inglesa e se firmou como um dos grandes poetas do século 20. Foi crítico, dramaturgo e editor de influência, autor de um poema longo que é um marco literário: “A Terra Devastada” (1922).
A Europa ainda recolhia os cacos e os mortos da Primeira Guerra quando apareceu o poema desnorteante de Eliot. Nada mais natural, para captar o espírito dos tempos, que seu poema também fosse despedaçado, apocalíptico.
Neste que é talvez o mais célebre poema do século passado ele rompia com as convenções do verso e oferecia ao leitor uma colagem dramática, descontínua. Deslocando o “eu lírico” de sua centralidade, o poema vinha saturado de citações, alusões literárias, históricas, mitológicas, esboços de cenas e personagens, referências ao cotidiano londrino e à cultura popular.
A obra-prima da maturidade, “Quatro Quartetos” (1943), é um belíssimo poema meditativo sobre o tempo e a consciência, com as ideias sendo desenvolvidas ao modo da música.
Eliot já teve sua poesia completa bem traduzida no Brasil, por Ivan Junqueira (em 1981 e 2004). Uma nova e ótima tradução acaba de sair: “Poemas”, por Caetano Galindo. Em edição bilíngue, traz toda a obra poética eliotiana publicada em livro.
Autores da estatura do Prêmio Nobel de Literatura de 1948 precisam ser revisitados, afirma Galindo. “Eliot é relevante porque disse coisas importantes demais (o diagnóstico daquele desespero do entre-guerras, a poderosíssima síntese de espiritualidade ocidental e oriental). E disse de maneiras mais do que interessantes, com uma poesia sonora, vigorosa e encantadora demais”, defende.
O paranaense encarou “Ulysses”, de James Joyce, a poesia de Paul Auster e Bob Dylan, a prosa de David Foster Wallace, mas considera esta a tradução mais difícil que realizou.
Ele demorou um ano e meio na tarefa: “A dificuldade veio das especificidades dos versos e, também, do peso da responsabilidade. Eu travei. Passei meses procrastinando, porque no fundo estava morrendo de medo de entregar uma tradução que, eu sabia, pode estar sendo esmiuçada daqui a décadas. Poesia é literatura endovenosa. As pessoas vão (espero) se apropriar visceralmente desses versos. E eu queria fazer bem, ajudar o nosso amigo Eliot com esses novos leitores. E o peso da tarefa me assustou um pouco”, admite.
Valeu a pena. Eliot surge menos empolado, sisudo e mais conciso do que na versão de Junqueira. Quase sempre as decisões do tradutor são acertadas e criativas. Mostra cuidado não só com o aspecto semântico, mas com os efeitos sonoros do original (rimas, ritmos, aliterações, assonâncias etc.), escassos em outras traduções. É na recuperação da música da poesia de Eliot que reside o maior mérito do livro. Em revelar que o mestre do verso livre era capaz de uma grande variedade de ritmos e registros: do erudito ao coloquial, do solene ao conversacional, do meditativo ao bem-humorado (como nos versos travessos de “O Livro dos Gatos Sensatos do Velho Gambá”).
“A grande chave do verso livre de Eliot”, para Galindo, “é essa tensão com um metro ´fantasma´. Ele vive borboleteando à roda de um padrão, de que se desvia das maneiras mais variadas. Tensionando a (ir)regularidade. É como certa música atonal não dodecafônica (para usar um exemplo mais ou menos contemporâneo, pensar em Bartók, que ele admirava), definida pela luta com um padrão que nunca se impõe de verdade. E tende a ser igual com a rima. Ele quase-rima, ele aproxima, ele rima de fato, tudo ao mesmo tempo”.
A nova tradução mostra que seu autor ouviu atentamente o conselho de Eliot: “Nenhum verso é livre para quem quer fazer um bom trabalho”.

POEMAS
Preço R$ 89,90 (448 págs.)
Autor T. S. Eliot
Editora Companhia das Letras
Tradução Caetano W. Galindo

Um tradutor no centro de “O trovador”, de Rodrigo Garcia Lopes


Um tradutor no centro de “O trovador”, de Rodrigo Garcia Lopes
Jornal Rascunho, dezembro de 2018


     Em O trovador, de Rodrigo Garcia Lopes, vemos um tradutor no papel de protagonista. Já escrevi em outras ocasiões, neste mesmo espaço, sobre tradutores como protagonistas em romances. Lembro-me dos livros A tradutora, de Cristovão Tezza, e Travesuras de la niña mala, de Mario Vargas Llosa.
     O trovador não é uma obra sobre tradução, claro. Tampouco há grandes reflexões sobre o ofício tradutório. Ainda assim, a tradução permeia o romance de fora a fora.
     No livro de Garcia Lopes, o tradutor é o escocês Adam Blake, funcionário da companhia britânica de colonização de terras Paraná Plantations. A tradução que nos interessa é a de uma antiga trova escrita em provençal.
     Blake vê na velha trova a chave do mistério que tenta decifrar — uma série de assassinatos na Londrina da década de 1930. Blake revira o texto do avesso. Pesquisa. Visita bibliotecas. Consulta especialistas. Demora-se na reflexão, em meio às desventuras do romance. Busca o “sentido misterioso” dos versos provençais.
     O protagonista, como todo tradutor, enfrenta os obstáculos clássicos que qualquer texto impõe àquele que quer decifrá-lo, incluindo, entre outros, a distância temporal e a ausência do autor. Em entrevista com o padre Helmut Braun, um dos especialistas, Blake manifesta sua aflição — sentimento talvez comum a todo tradutor: “Há algumas palavras que não entendo. Preciso saber mais sobre a vida desse trovador. Queria mergulhar no universo e no tempo dele, para ser fiel a seu espírito e melhor traduzi-lo”.
É a busca da fidelidade por meio do estudo não apenas do texto, mas do autor e de sua circunstância. Blake fazia um trabalho louvável, digno dos melhores da raça.
    O padre, por sua vez, confessa ter suas próprias teorias sobre tradução: “acredito que não há nada que não seja traduzível. Esse é meu credo. Minha primeira paixão foi a filologia, os meandros e caminhos que percorrem os sentidos de uma palavra, a história de sua existência através dos tempos”.
Nota-se a complementação entre o esforço de Blake no sentido de compreender o trovador e seu tempo, de um lado; e, de outro, o conselho do padre sobre como enfrentar as palavras, o texto e seus sentidos esquivos.
A tradução tem seus mistérios. Também tem seus meandros e suas exigências em termos de denodo e tarimba, entre outras qualidades.
     Adam Blake era obstinado. A trova era difícil. Nela havia uma palavra de sentido especialmente obscuro, naquele contexto: noigandres — “palavra considerada o locus classicus para a intradutibilidade da canção dos trovadores”. Não apenas seu sentido era obscuro. Sua grafia cambiante lhe enevoava a própria forma: “a palavra aparece em pelo menos sete variantes diferentes”.
     Blake trabalha duro. Monta e desmonta a palavra. Sonda seu sentido mais profundo: “anagramas mais perfeitos são aqueles que funcionam como tradução, comentário ou reflexão sobre a palavra escolhida. É um jogo em que a palavra faz gerar cópias dela mesma, mas em novas combinações e sentidos”.
     São muitas as combinações possíveis. E cada uma delas gera nova profusão de sentidos. Vicissitudes da tradução, empecilhos para todo tradutor. O texto nem sempre é feito para ser fácil.
A pesquisa é longa, mas frutífera. Blake encontra enfim uma boa pista. Acha a chave. Bastaram olhos e cérebro para ler e traduzir. ler e traduzir.

EDUARDO FERREIRA

É tradutor, diplomata e jornalista. Vive em Brasília (DF).


sábado, abril 21, 2018



Editora lança no país 1ª antologia de poeta sueco que venceu o Nobel

Volume destaca fase de haikus de Tomas Tranströmer, que favorece imagens precisas e metáforas
                                 
RODRIGO GARCIA LOPES

       Após um longo inverno, finalmente o poeta sueco Tomas Tranströmer (1931-2015) tem pela primeira vez um livro publicado no Brasil.
       Não será desta vez que o leitor brasileiro terá acesso à poesia completa do Prêmio Nobel de Literatura de 2011, densa, mas relativamente modesta em termos de quantidade.
      Traduzido para mais de 60 línguas, é um poeta de poetas, tendo influenciado a obra de outros ganhadores do Nobel como Seamus Heaney, Joseph Brodsky e Derek Walcott.
      Não é uma antologia ampla, como anuncia a editora, que promete ainda publicar toda a sua obra. Com exceção de "Prelúdio", que abre o livro de estreia (em 1954), a seleção passa ao largo dos seis livros de poesia exuberantes que Tranströmer escreveu nos anos 1950, 60 e parte dos 70.
      Depois de uma prosa curta inédita, vem "Mares do Leste" (1974). É seu épico pessoal. Longo poema narrativo, é tecido por fragmentos do diário de bordo do avô piloto de barco, memórias familiares, paisagens do "maravilhoso labirinto de ilhas e água" do Mar Báltico, cuja presença é marcante em sua poesia.
     "Quando tinha neblina densa: velocidade reduzida, vista quase cega. Do invisível surgia a ponta, um único passo e tudo era proximidade. / Estrondo de um sinal a cada dois minutos. Os olhos liam direto o invisível. / (Ele tinha o labirinto na cabeça?)"
      A seleção dá preferência ao último Tranströmer, aos dois volumes que publicou depois de um AVC em 1990, que paralisou o lado direito do corpo e afetou severamente sua capacidade de falar, escrever e ler.
      É quando o sueco volta a escrever haikus. Para quem gosta do gênero, um prato cheio: há 64 deles no livro. Um desafio para a tradutora foi respeitar a divisão silábica (três versos de 5-7-5), o que sacrificou um pouco a clareza e entendimento de algumas peças. Mas há bons achados: "O fogo, azul / levanta do asfalto / como mendigo". Ou ainda: "Fugiu – foi preso / e tinha bolsos cheios / de cogumelos".

    Sua poesia segue os preceitos do imagismo, favorecendo metáforas e símiles surpreendentes. "Como uma borboleta rajada fica invisível no chão / o demônio se mistura com o jornal aberto". O poeta, que trabalhou anos como psicólogo, reelabora de modo muito particular o surrealismo.

      Muitos poemas borram as fronteiras entre consciente e inconsciente, ser humano e natureza, sonho e realidade. Tema recorrente em sua obra e que aparece já nos versos iniciais de "Prelúdio": "Acordar é saltar de sonhos com paraquedas. / Livre do turbilhão opressivo, o viajante / naufraga na zona verde da manhã".
      Para Tranströmer, poemas são "exercícios de meditação ativa", como declarou certa vez. "Eles querem nos acordar, não nos pôr para dormir." Introspectiva e enigmática, sua poesia atinge este objetivo, numa espécie particular de realismo mágico.

RODRIGO GARCIA LOPES  ESCRITOR, É AUTOR DE ‘O TROVADOR’, ALÉM DE TRADUTOR E COMPOSITOR

MARES DO LESTE E OUTROS POEMAS
Preço R$ 49 (232 págs.)
Autor Tomas Tranströmer
Editora Âyiné
Tradução Marcia Sá Cavalcante Schuback

segunda-feira, março 26, 2018

Resenha de "Epigramas", de Marcial (Ateliê Editorial) na Folha de S. Paulo

CRÍTICA  LIVROS

Tradução de 'Epigramas' recupera humor do romano Marcial

Obra é antologia com 219 dos 1.561 epigramas que nos chegaram
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GUILHERME GONTIJO FLORES


EPIGRAMAS
·        Preço R$ 82 (220 págs.)
·        Autor Marco Valério Marcial
·        Editora Ateliê Editorial
·        Tradução Rodrigo Garcia Lopes



     A poesia de Marco Valério Marcial (c. 38-104 d.C.), uma das figuras mais importantes da literatura romana, vem recebendo bastante atenção. Quatro tradutores acadêmicos têm realizado um trabalho híbrido de estudo acurado e tradução poética anotada.
     João Angelo Oliva Neto, Alexandre Agnolon, Robson Tadeu Cesila e Fábio Paifer Cairolli são os latinistas que desenvolveram a maior parte desses trabalhos nos últimos dez anos.
     Apesar desses trabalhos excepcionais, a vivacidade da poesia de Marcial demanda um duplo trabalho tradutório com abordagens complementares: por um lado, o estudo que explique como funcionam suas piadas, alusões literárias, construções poéticas etc.; por outro, a recriação poética mais livre desses efeitos.
    Uma obra que chegou há pouco às livrarias promete ser uma reinvenção de Marcial na poesia brasileira. Trata-se de "Epigramas", com tradução do poeta e romancista Rodrigo Garcia Lopes, numa antologia com 219 dos 1.561 epigramas que nos chegaram.
     O novo trabalho, mesmo que inventivo, dá sequência ao projeto tradutório de Décio Pignatari, em "31 Poetas, 214 Poemas".
     Pignatari já havia traduzido 58 epigramas de Marcial com registro mais popular, retomada de rimas e outros jogos formais que fazem o humor e a concisão dos epigramas ganharem vida em roupagem mais próxima da poesia marginal e do poema-minuto de Oswald de Andrade.
     O resultado agora são poemas luminosos, como: "Você é um velho, é o que Taís repete. / Ninguém é velho pra receber boquete." (Livro 4, 50).
     Ou: "Sempre diz, Póstumo, vou viver amanhã. / Me diga: esse amanhã, quando ele chega? / Por onde ele anda, Póstumo?, está muito longe? / Em Parta ou na Armênia ele se esconde? / O amanhã já é mais velho que Nestor e Príamo. / Quanto custa um amanhã?, me conte. / Vai viver amanhã, Póstumo? Hoje já era. / Sábio daquele que viveu-o ontem." (Livro 5, 58)
Além da tradução, o volume tem notas e posfácio do próprio Garcia Lopes, que auxiliam o leitor interessado.
    Há algumas imprecisões técnicas, até na adaptação dos nomes romanos para o português; mas são falhas menores e perdoáveis diante da importância da tradução.
     Belíssima é também a edição. A capa é solta em duas partes, de modo que cada um dos 12 livros de Marcial pode ser lido como volume separado, que, ao fim, é novamente reunido ao todo e preso com duas fitas elásticas.
     Assim, mesmo na antologia, o leitor pode ter a experiência de dividir temporalmente a produção do poeta em pequenos fascículos.

GUILHERME GONTIJO FLORES é professor de língua e literatura latinas na Universidade Federal do Paraná e tradutor de “Fragmentos Completos: Safo” (ed. 34).


quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Rodrigo Garcia Lopes e Eduardo Batistella no SESC São José do Rio Preto (SP)



O show da noite fica a cargo do poeta, cantor, violonista e compositor de Londrina (PR) Rodrigo Garcia Lopes. Ele se apresenta acompanhado do baterista Eduardo Batistella, com o show “Canções do Estúdio Realidade”. O repertório é baseado em seus dois álbuns, “Polivox” e “Canções do Estúdio Realidade”. Em um show vigoroso e inspirado, que afirma sua singularidade musical e potência sonoro-poética, Garcia Lopes traz canções de sua autoria compostas nos últimos anos (como Quaderna, Alba, Cerejas, Fugaz, Álibis, Vertigem, Rito e New York) e algumas inéditas (Trilha Sonora, Tango e Noturno).
Rodrigo Garcia Lopes
Poeta, compositor, violonista e tradutor. Com 16 livros publicados, em 2001 foi incluído no best-seller Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século 20. Produziu e gravou dois CDs autorais, base do presente show.
Eduardo Batistella
Baterista profissional desde os 16 anos, o londrinense realizou trabalhos inovadores ao lado de Paulinho Barnabé e sua lendária Patife Band, Arrigo Barnabé e o citarista Gegê.
Local
Comedoria.
https://www.sescsp.org.br/programacao/146703_RODRIGO+GARCIA+LOPES

sábado, fevereiro 10, 2018

"Epigramas", de Marcial, no Estadão


Tuítes da Roma antiga, epigramas de Marcial ganham edição no País
Textos do escritor e habitante do Império Romano no século 1.º d.C., considerado o mestre do gênero, foram traduzidos por Rodrigo Garcia Lopes

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo
     

      O epigrama não foi criado por Marcos Valério Marcial (escritor e habitante do Império Romano no século 1.º d.C.), mas ele é considerado o mestre do gênero especialmente na língua latina. Uma nova edição, da Ateliê, com tradução direta do escritor Rodrigo Garcia Lopes, chega às lojas com boa parte da produção mais célebre do autor.
      A edição bilíngue, com cadernos independentes e projeto gráfico de Gustavo Piqueira, tem 12 seções e 219 poemas dos anos de 86 a 103 d.C., quando Marcial já era amplamente conhecido no Império Romano.
      A tradução transporta para o português contemporâneo toda a obscenidade, a incisiva agudeza e, em algumas ocasiões, as ideias que hoje parecem empoeiradas dos escritos que fizeram de seu autor uma estrela. O grande destaque, porém, é a forma – como o autor consegue comprimir em poucas linhas pensamentos mais amplos.
       “Solta um barro, Basso, num vaso de ouro, / mas bebe num vidro: cagar lhe é mais caro”, diz um deles. “Uns bons, uns mais ou menos, outros um lixo: / Assim se faz um livro de poemas, Avito”, diz outro. Mais à frente: “Enterrou no campo, Fíleros, suas sete mulheres. / Isso é o que chamo de terra produtiva”.
      “Se poesia é ‘a forma mais condensada de expressão verbal’, como escreveu Pound, os epigramas greco-romanos são, ao lado dos haicais japoneses, os campeões na matéria”, escreve o tradutor no detalhado posfácio da edição. “Quase 2000 anos depois, em tempos de Twitter, WhatsApp e comunicação instantânea (e muitas vezes irrelevante), Marcial tem muito a nos dizer. Arguto, ele continua sendo o mestre da agudeza ou wit: a capacidade de unir palavras e ideias com inteligência, humor e perícia.”
       É no posfácio que Garcia Lopes ressalta a necessidade de abordar os textos (mesmo a figura de Marcial, descrito como bajulador, pedante e conservador) com distância dos padrões éticos contemporâneos.
      Ele cita a estudiosa Kathleen M. Coleman: “A ideologia que permeia os Epigramas é tão estranha à nossa maneira moderna de pensar que temos de ser particularmente cuidadosos sobre como importar os nossos próprios padrões éticos em uma interpretação do que Marcial está fazendo”.
“Seria algo como acusarmos o poeta, atualmente, de ser ‘politicamente incorreto’”, escreve.
       Mas o tradutor ressalta que são poucas as informações biográficas sobre Marcial. “Sem dúvida ele deve ter sido uma figura e tanto, mas não podemos afirmar se ele era assim (contraditório, complexo, cruel, impiedoso) ou o quanto não era parte de sua ‘persona poética’ (ele mesmo transformado em personagem)”, diz, por e-mail.
     “O que tem interessado os estudiosos de Marcial nas últimas décadas é que, ao mesmo tempo em que é um poeta de seu tempo (arguto observador de Roma), pelas características de sua escrita ele antecipa questões que ainda fazem parte do nosso tempo.”
      Por exemplo, Marcial inicia um epigrama assim: “Por que a fama é negada aos vivos / e raros leitores amam os contemporâneos? / Isso, Régulo, é bem típico da inveja, / Desprezar os modernos, preferir os antigos”.
     Outro vai assim: “Pobre hoje, Emiliano, amanhã também. / A riqueza só é dada a quem já tem”. Assuntos de hoje, pois.
     “Vários aspectos de sua obra se inserem no contexto atual”, diz Garcia Lopes, “de intolerância e censura, liberdade de expressão, conservadorismo, redes sociais, etc. A aproximação entre epigrama e o twitter é um entre vários aspectos”.
      E como ele acredita que a obra será recebida no Brasil de 2018? “Acho que nesses tempos de corrupção e escárnio político, golpes descarados (esses sim obscenos), descalabros jurídicos, manipulação de informação, ‘fake news’, redes sociais, censura, cultura de celebridades, etc. a poesia de Marcial ainda continua atual, permanece urgente e necessária. Será que ele seria censurado ou tomaria processo se escrevesse hoje, no Brasil?”


EPIGRAMAS
Autor: Marco Valério Marcial
Tradutor: Rodrigo Garcia Lopes
Editora: Ateliê (220 págs., R$ 82)

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Epigramas, de Marcial, na Zero Hora

BOCA MALDITA
Tradução verte para o português a sátira sacana do poeta romano Marcial
Carlos André MoreiraEpigramas de autor romano do primeiro século ganham versão assinada pelo poeta e tradutor paranaense Rodrigo Garcia Lopes
CARLOS ANDRÉ MOREIRA
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Jacqueline Sasano / DivulgaçãoTradutor Rodrigo Garcia Lopes fez versão para epigramas de Marco Valério MarcialJacqueline Sasano / Divulgação

Ao contrário do que podem achar algumas sensibilidades conservadoras dispostas a fechar exposições "obscenas" por aí, a relação entre arte e sacanagem é tão antiga quanto frutífera. Um bom exemplo disso pode ser encontrado na recente edição em português dos Epigramas, composições breves do poeta Marco Valério Marcial (40 – 104), que viveu na Roma do primeiro século da Era Cristã e fez de seus versos navalhas certeiras dirigidas ao que considerava os vícios e hipocrisias do mundo em que vivia.
Epigramas foram uma forma de poesia breve muito difundida na antiguidade. Seu espírito direto e por vezes cortante servia tanto para breves elegias ou epitáfios quanto para ataques a desafetos e ditos humorísticos que poderiam muito bem ser enquadrados, hoje em dia, como "piadas bagaceiras" – Marcial e seu precursor Catulo (87?a.C. –57?a.C.) foram mestres tanto num caso como no outro.

Nascido em Bílbilis, no território em que hoje se localiza a região espanhola de Zaragoza, Marcial mudou-se, pouco depois de seus 20 anos, para Roma, o centro do Império, onde viveu por décadas, como era comum em sua época, apadrinhado por nobres ricos ou por figuras ligadas ao poder imperial.
Seus poemas curtos, antecipadores de muitos “tuítes” de hoje em dia, atacavam o que considerava defeitos de seus contemporâneos, como o oportunismo, a desfaçatez dos jogos de interesses e até a cara de pau de outros poetas que roubavam a autoria de seus versos e passavam a lê-los nos saraus públicos como se de autoria própria. Ele também compôs tiradas maliciosas ou abertamente obscenas sobre os costumes sexuais de seu tempo (a seleção no quadro ao lado reúne alguns poucos mordazes mas ainda publicáveis).
– Marcial é impiedoso em seus versos. Em muitos instantes ele poderia ser considerado politicamente incorreto, mas é impossível aplicar à obra dele um contexto do século 21 que não existia em seu tempo. Os únicos que ele poupava eram seus patronos, porque aí ele adulava e puxava o saco mesmo – explica o tradutor paranaense Rodrigo Garcia Lopes.
Epigramas reúne 219 poemas de Marcial publicados ao longo de toda sua vida. A versão em português vem acompanhada do original latino, e a edição tem o formato de um arquivo de capa dura em que 12 cadernos podem ser destacados e separados, e cada um deles corresponde a um dos 12 livros que o poeta de fato publicou em vida.
– Marcial costumava chamar cada livro que publicava de "libellus", ou seja, "livrinho", uma maneira ao mesmo tempo irônica, carinhosa e autodepreciativa de se referir ao próprio trabalho. Foi a partir dessa ideia que Gustavo Piqueira (designer responsável pelo projeto gráfico) teve a ideia de publicar a obra em forma de livros menores. Claro que também isso foi uma licença poética, já que, na época de Marcial, os livros eram em rolos – diz Lopes.
Jornalista, escritor, poeta e tradutor, Rodrigo Garcia Lopes tem uma história de três décadas com Marcial. Descobriu a poesia do romano enquanto fazia mestrado sobre William Burroughs no Arizona, em 1990, e foi traduzindo aos poucos os epigramas que chamavam a sua atenção.
– Em 2014, eu já tinha uns cem epigramas traduzidos e me dei conta de que precisava me dedicar àquilo. Mergulhei no conjunto e traduzi mais da metade do livro em uma imersão de dois anos. Selecionei um conjunto que apresentasse uma versão por inteiro de seu trabalho, porque ele podia, como poeta, ser terno, ser comovente, ser elegíaco e em outros momentos ser impiedoso. Mesmo proibido durante a Idade Média, ele é retomado por outros mais adiante como Bocage ou Quevedo. 

POEMAS DE MARCIAL:
Carlos André Moreira
XLVII
Diaulo, o coveiro, até ontem era doutor:
o que fazia antes, agora faz melhor.
LXXXIII
Seu totó lambe sua boca, sua língua. Como gosta!
Não me admiro, Maneia. Cães adoram bosta.
CX
Você diz, Veloz, que meus poemas são longos.
Você não escreve nada: isto é concisão.
XLIX
Você bebe o melhor vinho, nos oferece o pior:
prefiro cheirar seu copo que beber do meu.
LXXXIII
Me persegue, fujo; foge, te persigo. Percebe?
Quero que me recuse, não que me deseje.
XLVIII
Quando a turma da toga grita “Bravo!”, Pompônio,
Não é pro seu discurso, e sim pro seu jantar.
LI
Dá jantares e nunca me convida, Luperco.
Descobri um jeito de te ferir: ficar puto,
e ai de você se ousar me convidar.
“O que você vai fazer?” Eu? Ir.

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Lançamento: "Epigramas", de Marcial (Ateliê Editorial)



LANÇAMENTO: "Epigramas", de Marcial. 
Epigramas: “tweets”da Roma Antiga em edição de colecionador

     Escrever em poucos caracteres para passar uma mensagem assertiva tornou-se popular com a criação do Twitter, há pouco mais de dez anos. Mas, esse recurso já era usado na Roma Antiga, há quase dois mil anos, por poetas como Marco Valério Marcial, considerado o pai do epigrama (forma poética breve, marcada pelo estilo satírico e engenhoso).
Apesar de sua importância estética, são raras as edições de Marcial no Brasil.
     Para preencher essa lacuna e trazer ao conhecimento do público esta arte poética, a Ateliê Editorial lança, em uma edição de colecionador, Epigramas, escritos por Marco Valério Marcial, e traduzidos diretamente do latim por Rodrigo Garcia Lopes. 
     A edição bilíngue é composta por 12 pequenos cadernos, feitos artesanalmente a partir do projeto gráfico do artista plástico Gustavo Piqueira, que reúnem 219 poemas escritos entre 86 e 103 d.C. O livro traz notas explicativas e um posfácio que inclui dados biográficos do autor e contextualiza a poesia obra? de Marcial na Roma Antiga, além de conter informações sobre as questões estéticas de sua poesia.
     Talvez o tema principal dos Epigramas seja a cidade em que vivia o poeta. “Se há alguma musa na poesia de Marcial, ela se chama Roma: é da cidade que ele tira sua matéria prima. Como um dublê de poeta-humorista-colunista-cronista social — munido de uma câmera portátil e verbal, o epigrama — ele nos convida a espiar os espaços públicos e privados de Roma no século 1 em todas as suas contradições”, afirma Garcia Lopes. 
A seleção traz epigramas cômicos, pornográficos e injuriosos, que fizeram a fama de Marcial. Mas o tradutor também incluiu poemas de amor e amizade, sobre a boemia, reflexões sobre escravidão, sobre viver o presente, além de epitáfios tocantes e epigramas metapoéticos, em que o poeta reflete sobre sua própria condição de autor. 
     “Além de ser um grande poeta, Marcial é extremamente moderno ao prenunciar aspectos de nossa sociedade do espetáculo, de comunicação instantâneas (como os 140 caracteres do Twitter), da indústria da fofoca, do consumo (onde tudo está à venda), da superficialidade, exibicionismo, da cultura da imagem, redes sociais, culto às celebridades, fama instantânea e reality shows”, conclui o tradutor. 

Serviço

ISBN 978-85-7480-752-2
Tamanho: 14 x 21 cm
Número de páginas: 224
Preço: R$ 82,00


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