segunda-feira, janeiro 15, 2018

Lançamento: "Epigramas", de Marcial (Ateliê Editorial)



LANÇAMENTO: "Epigramas", de Marcial. 
Epigramas: “tweets”da Roma Antiga em edição de colecionador

     Escrever em poucos caracteres para passar uma mensagem assertiva tornou-se popular com a criação do Twitter, há pouco mais de dez anos. Mas, esse recurso já era usado na Roma Antiga, há quase dois mil anos, por poetas como Marco Valério Marcial, considerado o pai do epigrama (forma poética breve, marcada pelo estilo satírico e engenhoso).
Apesar de sua importância estética, são raras as edições de Marcial no Brasil.
     Para preencher essa lacuna e trazer ao conhecimento do público esta arte poética, a Ateliê Editorial lança, em uma edição de colecionador, Epigramas, escritos por Marco Valério Marcial, e traduzidos diretamente do latim por Rodrigo Garcia Lopes. 
     A edição bilíngue é composta por 12 pequenos cadernos, feitos artesanalmente a partir do projeto gráfico do artista plástico Gustavo Piqueira, que reúnem 219 poemas escritos entre 86 e 103 d.C. O livro traz notas explicativas e um posfácio que inclui dados biográficos do autor e contextualiza a poesia obra? de Marcial na Roma Antiga, além de conter informações sobre as questões estéticas de sua poesia.
     Talvez o tema principal dos Epigramas seja a cidade em que vivia o poeta. “Se há alguma musa na poesia de Marcial, ela se chama Roma: é da cidade que ele tira sua matéria prima. Como um dublê de poeta-humorista-colunista-cronista social — munido de uma câmera portátil e verbal, o epigrama — ele nos convida a espiar os espaços públicos e privados de Roma no século 1 em todas as suas contradições”, afirma Garcia Lopes. 
A seleção traz epigramas cômicos, pornográficos e injuriosos, que fizeram a fama de Marcial. Mas o tradutor também incluiu poemas de amor e amizade, sobre a boemia, reflexões sobre escravidão, sobre viver o presente, além de epitáfios tocantes e epigramas metapoéticos, em que o poeta reflete sobre sua própria condição de autor. 
     “Além de ser um grande poeta, Marcial é extremamente moderno ao prenunciar aspectos de nossa sociedade do espetáculo, de comunicação instantâneas (como os 140 caracteres do Twitter), da indústria da fofoca, do consumo (onde tudo está à venda), da superficialidade, exibicionismo, da cultura da imagem, redes sociais, culto às celebridades, fama instantânea e reality shows”, conclui o tradutor. 

Serviço

ISBN 978-85-7480-752-2
Tamanho: 14 x 21 cm
Número de páginas: 224
Preço: R$ 82,00


Site:www.atelie.com.br
***CONTATOS PARA IMPRENSA:
RDA Comunicação Corporativa
Renata de Albuquerque
renata@rda.jor.br
Tel: (11) 2296-3931
PROJETO GRÁFICO: CASA REX / GUSTAVO PIQUEIRA



segunda-feira, janeiro 08, 2018

Resenha de 'O Imperador do Sorvete", de Wallace Stevens, na Folha

EDIÇÃO REVISTA E AMPLIADA SALIENTA A POÉTICA DE WALLACE STEVENS


O IMPERADOR DO SORVETE E OUTROS POEMAS
ÓTIMO
AUTOR Wallace Stevens
SELEÇÃO, TRADUÇÃO E NOTAS   Paulo Henriques Britto
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 49,90   (336 págs.)

RODRIGO GARCIA LOPES
Especial para a Folha

      O presidente da companhia de seguros comentou, quando seu vice estava no hospital, ao saber de seu bom humor com as enfermeiras: “A menos que me dissessem que ele tinha sofrido um problema cardíaco, eu jamais saberia que ele tinha coração”. Poucos colegas sabiam que, nas horas livres, aquele executivo workaholic, reservado, meio antipático, se transformava num mago das palavras, um exuberante artífice do verso. Era Wallace Stevens (1875-1955), um poeta capaz de causar, em muitas peças, aquela emoção e assombro que só sentimos diante das grandes obras de arte.
      Sua poesia volta a circular entre nós com O Imperador do Sorvete e Outros Poemas, em competente tradução de Paulo Henriques Britto. Trata-se de uma edição revista e ampliada de Poemas (1987). Há décadas indisponível, o livro foi pioneiro ao introduzir no Brasil a obra de um dos grandes nomes da poesia modernista americana. Britto acrescentou 16 novos poemas aos 20 da primeira edição. Sua seleção ficou mais robusta e representativa das várias fases de sua escrita. Dos poemas imagistas e exuberantes de sua obra-prima “Harmonium” (que marca sua estreia tardia em livro, aos 44 anos) temos a inclusão de joias como “Peter Quince ao Cravo”, “Tatuagem” e, sobretudo, “O Homem de Neve”. Seus poemas longos e meditativos estão representados em peças como “A Ideia de Ordem em Key West”, “As Auroras Boreais do Outono” e “Apontamentos para Uma Ficção Suprema”. Além de trazer notas, a seleção contempla alguns poemas secos e crípticos do último período (como “Meramente Ser” ou “Ao Sair da Sala”) e três não reunidos em livro pelo autor. Em muitos casos as revisões foram pontuais, fazendo os poemas ganharem em beleza e precisão (“Caso do Jarro”). Já o misterioso poema-título recebeu uma revisão geral: dos 16 versos, 10 foram retraduzidos. Britto, como brilhante poeta e tradutor que é, se sai muito bem da tarefa de transpoetizar para o português o virtuosismo verbal, imagístico e rítmico deste mestre da logopeia, “a dança da inteligência entre as palavras”.
      Uma chave para o leitor entrar no universo de Stevens é ter em mente que um de seus temas favoritos é a relação entre a realidade e a imaginação. Ambas se expandem e se fundem quando articuladas pela “suprema ficção” da poesia e sua força ordenadora. É o que ocorre em muitos poemas, como “Tatuagem”: “A luz lembra uma aranha. / Caminha sobre a água. / Caminha pelas margens da neve. / Penetra sob as tuas pálpebras / E espalha ali suas teias – / Duas teias. // As teias de teus olhos / Estão atadas / À carne e aos ossos teus / Como a um caibro ou capim. // Há filamentos de teus olhos / Na superfície da água / E nas margens da neve”.
     Embora seja considerada hermética e solipsista (não haveria nada além do mundo que o “eu” fabrica), a obra de Stevens é um convite à aventura e às descobertas que a investigação poética do mundo pode proporcionar. Como ele nos provoca, no magistral “O Homem do Violão Azul”: “Jogue fora as luzes, as definições. / Diga o que você vê na escuridão”.


Rodrigo Garcia Lopes é poeta, romancista e tradutor, autor de O Trovador (Record, 2014), Experiências Extraordinárias (Kan, 2015) e Epigramas, de Marcial (Ateliê, 2017).

terça-feira, setembro 05, 2017

John Ashbery na "Ilustrada" de hoje




Poeta polifônico, John Ashbery se manteve aberto a inovações

Bebeto Matthews/Associated Press
O poeta americano John Ashbery, morto no domingo aos 90
O poeta americano John Ashbery, morto no domingo aos 90
       John Ashbery, que morreu aos 90 anos em sua casa de Hudson, Nova York, no domingo (3), foi um dos poetas americanos mais importantes do século 20. Foi também editor e crítico de arte e de poesia, tradutor e professor.
Conseguiu unanimidade mesmo entre críticos antagônicos, como Marjorie Perloff e Harold Bloom –este chegou a afirmar que Ashbery representava, para a segunda metade do século 20, o que Wallace Stevens e W.B. Yeats representaram para a primeira.
    Dono de uma poesia polifônica, exuberante e exploratória, interessada em investigar o que ele chamava de "o presente mágico", escreveu nas mais diversas formas, do poema em prosa à sestina.
     Mesmo considerado difícil e hermético, criou uma legião de leitores. Foi um mestre da logopeia, "a dança da inteligência entre as palavras".
    Seu "Autorretrato num Espelho Convexo" é uma obra-prima. Verdadeiro "tour de force" de 552 versos, espécie de meditação sobre o ato criativo, o poema foi escrito a partir do quadro homônimo do pintor italiano Parmigianino (1503-1540) e batiza o livro de 1975 que levou os principais prêmios de poesia dos EUA, entre eles o Pulitzer.
     Ashbery costuma ser rotulado como integrante da "Escola de Nova York", grupo de poetas que, nos anos 1950 e 60, tinha afinidades como o expressionismo abstrato, a poesia francesa, o surrealismo e a música de vanguarda.
    "The Tennis Court Oath" (1962) teve grande influência entre os chamados "poetas da linguagem", um dos últimos movimentos de poesia experimental dos EUA.
    Pode-se dizer que, como na obra de Proust e na filosofia de Bergson, a poética de Ashbery se propõe a ser uma investigação dos dados imediatos da sua consciência.
São marcantes, em sua prosódia, o uso da fala americana, fluidez contrastando com descontinuidade, constantes mudanças de tom e pronomes pessoais, uso da ironia e do pastiche.
    Seus poemas são permanentes desafios ao leitor. Cabem neles desde citações eruditas e referências da alta cultura até fragmentos de conversas, alusões à cultura pop, ao cinema e aos desenhos animados –veja-se, por exemplo, "Patolino em Hollywood". Até o fim da vida esteve aberto a inovações.
Em 1992, entrevistei-o a pedido de uma revista do Arizona –uma versão do texto está em meu livro "Vozes & Visões" (Iluminuras, 1996).
   Era uma tarde de muita neve no Chelsea, onde ele morava em Manhattan –desde 1979, ele e seu companheiro, David Kermani, dividiam seu tempo entre o apartamento e a casa onde morreu. A mesa à qual escrevia era impecável. As paredes, cheias de pinturas –uma de suas paixões, além da música e do cinema.
    Os editores da revista me avisaram que ele era difícil de entrevistar, lacônico. O que encontrei foi um senhor de 65 anos simpático, falante e bem-humorado. Por duas horas, conversamos sobre sua obra, sobre a poesia e a cultura americanas, arte, música e processo criativo.
     "Quero minha poesia o mais próximo de meus pensamentos imediatos", disse.
Quando lhe perguntei se gostava de jazz, acabou dando uma das chaves para sua poesia: "Nunca me interessei muito, e você deve achar estranho eu dizer isso, porque meus poemas são bastante improvisacionais, eles vão se construindo e se modificando enquanto prosseguem, como ocorre no jazz".
    Ashbery ainda não teve uma coletânea de sua poesia traduzida no Brasil. É recomendável a leitura de "John Ashbery - Módulos para o Vento" (Edusp, 1999), no qual Viviana Bosi disseca e traduz seu poema mais famoso.


    Autor de quase 30 livros de poemas, nos últimos anos ele vinha num ritmo frenético de publicações. Também lançou, em 2012, uma tradução das "Illuminations", de Arthur Rimbaud, um de seus poetas favoritos. Não levou o Nobel, mas merecia. 


terça-feira, agosto 22, 2017

FORA TEMER


Tema Ferro
Ofertar Me
Mero Frate
Te Reforma 
Taro Refem
Toma Ferre
Fare Morte
After More
Retro Fame
Faro Treme
E Tem Forra
Temor Fera
Fera Morte
Terra Fome
Meter Faro
Frete Amor
Remar Feto
Mate Ferro
Faro em Ter
Forma Eter
Rema forte
Far Remote
Fear Morte
Frete o Mar
Meta Ferro
Fora Metre
Fretaremo
Frota em Re
Rato Freme
Frema Reto
Teme Forra
Eta Ferrom
Mare Forte
Rato Refem
Meter Fora
Fora Temer
________
Rodrigo Garcia Lopes 9/9/2016

quinta-feira, agosto 10, 2017

O NAVEGANTE (The Seafarer), da trad. de Rodrigo Garcia Lopes





Esta apresentação aconteceu no Instituto Cultural Itaú, em 18 de agosto de 2005, durante o projeto OUTROS BÁRBAROS: POESIA NA IDADE MÍDIA, que reuniu 8 poetas brasileiros (Celso Borges, Frederico Barbosa, Marcelo Montenegro, Rodrigo Garcia Lopes, Artur Gomes, Chacal, Ademir Assunção e Ricardo Aleixo) que viraram referência nesta intersecção de literatura e música no palco. Rodrigo Garcia Lopes (voz e violão), André Vercelino (percuteria) e Marco Scolari (acordeón, violão e teclados).

sábado, julho 08, 2017

Poesia na era da distração





Em livro, Antonio Cicero resgata debate sobre a relevância da poesia

RODRIGO GARCIA LOPES
ESPECIAL PARA A FOLHA

     “A Poesia e a Crítica” reúne 13 ensaios do poeta, letrista e filósofo Antonio Cicero. O primeiro aborda, em tom de testemunho, sua relação problemática com a contracultura e a importância de suas conversas com Caetano Veloso para sua formação intelectual. Sete são dedicados à análise da obra de autores como Hölderlin, Thomas Mann, Fernando Pessoa e os brasileiros Ferreira Gullar (2), Armando Freitas Filho e Drummond. 
   Os ensaios mais interessantes são aqueles que discutem a poesia em nossos dias, o caso da letra de música e a relação da poesia com a filosofia. Há espaço para a complexa questão do cânone poético, espécie de ranking dos melhores poetas de todos os tempos.
     Em “Poesia e Preguiça”, texto que parece dialogar com a teoria do inutensílio, de Paulo Leminski, Cicero situa a poesia em nosso mundo saturado de informações e distrações, onde “tempo livre” virou artigo de luxo. 
    O poeta resgata o sentido positivo e libertário que a palavra “ócio” tinha para os antigos (negócio vem de “nec otium”, ou seja, não-ócio). A poesia nos abre a possibilidade de experimentar um tempo não utilitário, de ir além do uso pragmático da linguagem — o que domina nossas vidas. Paradoxalmente, a mesma “preguiça receptiva” fundamental para a gestação e produção de um poema é fatal para o leitor hiperpassivo. 
     Para Cicero o verdadeiro poema, onde forma e conteúdo estão em perfeita simbiose, mobiliza leitor e autor por inteiro: inteligência, emoção, sensibilidade, memória, cultura, intuição etc. Como argumenta no ensaio seguinte: 
     “Para fruir um poema é preciso nele imergir. E como a imersão não combina com a temporalidade acelerada do presente, muitos afirmam que a poesia simplesmente não tem mais lugar neste mundo. Pois bem, é exatamente por não se ajustar à temporalidade acelerada do presente que a poesia é necessária hoje”.
    “Sobre as letras de canções” revisita a velha polêmica sobre se letra de música é poesia, questão aparentemente resolvida com a canonização de Bob Dylan, Prêmio Nobel de Literatura. Sem deixar de explicar que o poema é uma estrutura autônoma, enquanto a letra é sempre parte de um conjunto maior, Cicero afirma ser mais pertinente perguntar se “a letra de música pode ser um bom poema”. Ele relembra que os poemas líricos da Grécia Antiga e dos trovadores provençais, hoje exemplos canonizados de poesia, eram letras de música. Atualizando e aproximando a discussão para nós, menciona “Letra Só”, que reúne as letras de Caetano, como exemplo de “um grande livro de poemas”.
      O importante é que, com este livro, Antonio Cicero segue uma tradição de poetas-críticos que refletem sobre seu ofício e a relevância da poesia (seu caráter de arte, não de passatempo e entretenimento). Coisa rara hoje em dia, quando o poema costuma aparecer “disfarçado” na forma de prosa empilhada em linhas, numa cena literária onde sobra pose e falta, muitas vezes, poesia.


RODRIGO GARCIA LOPES é poeta e tradutor, autor de “Experiências Extraordinárias” e “O Trovador” (romance policial), entre outros.

A POESIA E A CRÍTICA
AUTOR Antonio Cícero
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 44,90 (236 págs.)
AVALIAÇÃO bom ★★★ 

domingo, julho 02, 2017

CANÇÕES DO ESTÚDIO REALIDADE - ALGUMA FORTUNA CRÍTICA (2017)





Rodrigo Garcia Lopes é um dos mais notáveis poetas paranaenses da safra novíssima. Me impressiona a falta de provincianismo, a abertura cosmopolita, a coragem da informação difícil, o extremo atrevimento desse londrinense, nada indigno do pioneirismo que levantou, naquela terra vermelha, a cidade mais rápida do Brasil.
PAULO LEMINSKI

Canções do Estúdio Realidade é um disco maravilhoso. Escutei-o nas estradas da Paraíba, a caminho do sertão. E me deu muita alegria e sensações variadas.
CHICO CÉSAR, compositor

No ótimo Canções do Estúdio Realidade, o poeta, compositor e tradutor visita a canção popular com desenvoltura, explorando as características específicas do gênero sem cair na armadilha de fazer mera poesia musicada.  
ROGER LERINA, Zero Hora.

No segundo disco do poeta paranaense, a invenção imagética supera a toada amena, entre o jazz e a MPB --ganhando mais trepidação em "Vertigem (Um Corpo que Cai)", encontro inusitado de Hitchcock com o simbolista Alphonsus de Guimarães, e na urbana "New York", no espírito da vanguarda paulistana dos anos 1980, em especial seu conterrâneo Arrigo Barnabé.
MANOEL DA COSTA PINTO, Folha de São Paulo

Grande esmero, produção caprichada mesmo. Prestei atenção em tudo, com um destaque especial às linhas de baixo, voz e a equalização das vozes, mixagem, os arranjos...tudo muito bem feito. Parabéns. Muito interessante pra mim ouvir um disco bem diferente do que faço, mas igualmente trabalhado e ambicioso. Fiquei contente de conhecer  seu trabalho musical. Aliás, todos os instrumentos soam bem. Parabéns mesmo, e sabe, adorei a sua versão pra música Nobody does it better. Não só o arranjo é ótimo, como a sua voz soa deliciosa.
MARINA LIMA, cantora e compositora

Em 12 faixas com letras de veio poético, o artista tece uma ode à canção com arranjos melodiosos e que tomam forma híbrida de jazz e MPB, acentuada pela formação da banda, que tem baixo acústico, piano, bateria e violão. [...] Garcia Lopes também foi próximo de Paulo Leminski (1944-1989), outro que desarranjou as fronteiras entre música e poesia, e de quem musicou versos.
RODRIGO LEVINO, Folha de São Paulo.

Tendo a palavra como base, o compositor e poeta se lança em trilhas sonoras ambiciosas e variadas -- por jazz, funk, afoxé -- sempre valorizando as harmonias. O resultado oscila entre canções exatas e (bons) poemas.
LEONARDO LICHOTE, crítico de música, O Globo.

É muito difícil a gente decifrar o que pretende um autor quando lança um trabalho. Apenas podemos conjecturar, intuir, ler nas entrelinhas coisas que não sabemos de verdade, imaginações. Como o próprio autor, que pensa saber o que pretende, e a cada vez que se aproxima da obra, descobre essa vertigem (traduzida por uma supressão da qualidade crítica tão fundamental para um criador, a severidade de julgamento) que o faz oscilar acompanhando os movimentos daquilo que não sabemos, mas fizemos. Então falamos de coisas técnicas, da fluidez dos arranjos, da elegância da interpretação, da competência instrumental, e logo vamos nos perdendo nos adjetivos. Este CD de Rodrigo Garcia Lopes, que carrega o sinuoso título de Canções do Estúdio Realidade, lembra sonhos de juventude, quimeras de uma possível aproximação com a poesia, com a divindade, com o vinho da existência, com a uva da metáfora sufi, a fonte. Como diria um zen budista: a imersão na realidade. Que coisa mais bem feita!
ARRIGO BARNABÉ

A arte da música popular é mais complexa do que muitas vezes parece ser. Criar uma letra em perfeita sintonia com a melodia de uma canção exige um esforço hercúleo, como bem destacou Luis Fernando Veríssimo, um de nossos gênios das palavras, convidado para o projeto "Com Todas as Letras", onde grandes literatos generosamente escreveram letras para músicas de Kleiton & Kledir. Cito essa experiência pessoal recente para tentar mostrar a “encrenca” que deve ser a vida criativa de Rodrigo Garcia Lopes. Obstinado em busca do resultado original, do prazer desesperado na busca da palavra certa em perfeita comunhão com as melodias, prosódias perfeitas, sua atitude não é recomendável aos neófitos. Mergulhado nesse prazeroso desespero estético, muitas vezes recita poemas sobre temas musicais livres, na impossibilidade aqui de fazê-los entrar em acordo com as frases musicais, e respeitando ao máximo a liberdade das duas formas de expressão, para mais adiante, se apresentarem próximas da perfeição (que não existe e Rodrigo sabe bem disso) onde letra e música se encaixam em perfeita harmonia, no limite das possibilidades. Em "Canções do Estúdio Realidade", mais uma vez ficam claras a paixão do artista por explorar textos (vários livros publicados – prosa/poesia) e infindas possibilidades sonoro-musicais. A nobre atitude de experimentar sem se ater a velhos clichês é transparente nesse novo e exuberante trabalho. Escutar o disco na íntegra nos leva a uma sensação agradável e aflitiva de se estar constantemente viajando através de notas musicais e palavras, sustentadas ora por melodias complexas, ora por delicadas concepções, harmonias saborosamente conflitantes dentro de um mesmo tema, uma viagem sem dúvida que perpassa obras de gerações e gerações, que se dedicaram a arte em busca de algo novo. E isso, apenas isso, é o que vale a pena ser considerado, e cultuado, na música de hoje".
KLEITON RAMIL

Refinar o pop a partir da experiência literária não é um sonho novo. Leonard Cohen, Leminski: muitos burilaram essa fronteira. Rodrigo Garcia Lopes, poeta, tradutor, cantor e compositor, faz percurso curioso em seu segundo disco, Canções do Estúdio Realidade. Aqui se dá o inverso: é a leveza do pop que impulsiona uma trama poética sutil. [...] Uma natural familiaridade costura as harmonias do poeta, que nos leva, pelo som, a um território novo e antigo ao mesmo tempo.
JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de São Paulo

Canções do Estúdio Realidade não é disco para se ouvir distraído. Ele clama por atenção, que revela tessituras
imperceptíveis à primeira audição. Canções... é para se abrir com volume e amplitude.
Seus detalhes, caminhos, pontos e cruzamentos é que são elas. Dão o clima,
porque se trata de CD com arquitetura, ambiente. Há poesia, mas ela não é
exatamente a ponta de lança. Cantador, Rodrigo Garcia Lopes especula
sentimentos que assombram nossa condição humana. Com palavras ou sem.
RANULFO PEDREIRO, Jornal de Londrina

Não espere deste Canções do Estúdio Realidade um disco de spoken word (poesia declamada). Garcia Lopes é afinado e tem décadas de prática no violão. Sabe bem como emular clássicos da MPB. Autoproduzido, o CD acerta em cheio nos momentos mais acústicos/intimistas ("Butterfly" e "Ninguém Melhor que Ela"). Soa também respeitável sob contornos jazzísticos, de verve setentista ("Alba").
VALOR ECONÔMICO


Rodrigo Garcia Lopes, autor de Polivox, é mesmo um cara de muitas vozes. Vozes dele, vozes de outros. Não é toda a hora que se encontra gente múltipla assim, que escreve poesia e ensaios, faz entrevistas, toca violão, compõe, canta...Tudo bem feito, claro. Para o público em geral, ávido de cultura, uma personalidade criativa e livre dessas por perto, nesta época de especializações, de nichos de mercado, de repetições e limitações, é motivo para comemorar.    
VITOR RAMIL, compositor, cantor, escritor

Lírico, moderno, cinematográfico e com um "livrinho" que faz jus ao disco. Muito bom! Arrojado, cheio de experiências com versos e com maneiras de dizer. Também gostei dos arranjos, bastante adequados ao projeto. Uma bela exploração sinestésica da realidade. 
LUIZ TATIT, compositor

Em Canções do Estúdio Realidade não há duas faixas parecidas, com Rodrigo demonstrando uma tremenda versatilidade, cantando balada, blues, funk, jazz, rock, rap e canções de sua autoria com autenticidade. As letras falam da condição humana (ex, ‘Quaderna’) e da vida no mundo moderno (ex, a sobrecarga sensorial em ‘New York’). Todas as canções são em português, com exceção da bela balada ‘Butterfly’, escrita em inglês. [parceria com Neuza Pinheiro]. Sua incrivelmente bela interpretação de ‘Nobody does it Better’  [aqui na sua própria versão em português, Ninguém Melhor que Ela] é o melhor tratamento que a composição já recebeu. Seu estilo violonístico e a progressão de acordes em ‘Quaderna’ traz à mente o violonista Guinga. O funk-rap ‘New York’ evoca a Farofa Carioca. Os arranjos, a maioria de André Siqueira, são luminosos (ex. ‘Cerejas’). Os músicos são esplêndidos (por exemplo, a deliciosa introdução de baixo de Gabriel Zara e o solo e acompanhamento pianístico de Mateus Gonsales em ‘Iluminações [parceria com Bernardo Pellegrini], só para dar dois exemplos. Tudo combinando com a qualidade do livro suntuoso de 36 páginas [por Marcos Losnak e Beto] com evocativas fotos coloridas [por Elisabete Ghisleni]. Rodrigo Garcia Lopes assaltou o Estúdio Realidade e trouxe para nós tesouros musicais e poéticos”
RANDY MORSE – produtor norte-americano, no site de música brasileira “The Best of Brazil” http://www.thebestofbrazil.info/index.html

Abertas as portas do Estúdio Realidade o que logo se descortina é a cena paranaense de cidades como Londrina e Curitiba, lugares pródigos em poesia e literatura onde a música popular cada vez mais se faz notar. Quem conhece só o Rodrigo Garcia Lopes vindo da poesia, da intensa atividade intelectual e editorial, vai descobri-lo agora cheio de desenvoltura com seu violão em meio às névoas musicais das óperas de araucárias e arames. São quatro as estações do ano, quatro as linhas do campo, mas a vida é só uma. Rodrigo quer retomar o universo e nos levar com ele. Por que não? 
VITOR RAMIL, cantor, compositor e escritor


Nascido em Londrina (PR), o poeta Rodrigo Garcia Lopes se lança em disco como músico, cantor e compositor com o independente Polivox. De voz séria e redonda, aventura-se pela música popular com sonoridade e poética que remetem diretamente a Itamar Assumpção, especialmente em "Minuto" e "Clique, Plugue, Ligue".
PEDRO ALEXANDRE SANCHES

Rodrigo Garcia Lopes, autor de Polivox, é mesmo um cara de muitas vozes. Vozes dele, vozes de outros. Não é toda a hora que se encontra gente múltipla assim, que escreve poesia e ensaios, faz entrevistas, toca violão, compõe, canta...Tudo bem feito, claro. Para o público em geral, ávido de cultura, uma personalidade criativa e livre dessas por perto, nesta época de especializações, de nichos de mercado, de repetições e limitações, é motivo para comemorar.
VITOR RAMIL

Obrigada por me mandar o Polivox, tenho ouvido direto porque este é um trabalho para se ouvir muitas vezes, tem muitas camadas. Eu simpatizei de cara, antes mesmo de ouvir porque meu CD Público ia se chamar Polyvox, que é um nome lindo prum CD... Parabéns pelo trabalho.
ADRIANA CALCANHOTTO

Depois de ler os poemas de Rodrigo Garcia Lopes, não tenho a menor hesitação em afirmar coisas grandiloqüentes como: ele é um dos melhores poetas surgidos ultimamente neste país.
CAIO FERNANDO ABREU

As vocalizações de Rodrigo Lopes, em Polivox, superam as expectativas de quem não o conhece, indo na contramão da tradicional maneira brasileira de leitura oral de poesias. Em seu caso, sua musicalidade o levou a melhor interpretar a sua própria poesia.
CARLOS AUGUSTO GAERTNER, SITE GERAÇÃO PEDREIRA

As canções de Polivox chamam a atenção para a palavra, revelam uma leveza no tratar o lirismo urbano contemporâneo, contaminado pela multiplicidade de referências, pela brutalidade do efêmero e do massivo. Segundo o autor, a proposta do CD "é criar um território híbrido, onde poesia e música - como as pegadas de um pássaro na areia - sejam indissociáveis (como sempre foram, dos rapsodos gregos aos rappers)". A experiência resultou interessante e merece ser lida e ouvida com cuidado.
REYNALDO DAMAZIO

Rodrigo dialoga de maneira madura e consciente com tendências da música popular paulistana (pós- vanguarda paulistana). Aliás, isso que eu chamo música popular paulistana, não é tão apenas paulistana assim quando lembramos de nomes como Arrigo, Itamar e Robinson Borba, entre muitos outros que não eram de São Paulo. E dizer que há este diálogo, não é de modo algum engavetar o Polivox de Garcia Lopes. Como já disse, é um trabalho maduro, surpreendente para um primeiro disco, mas compreensível e não menos admirável quando se sabe que Rodrigo toca e compõe não é de hoje. A qualidade musical é algo que o ouvinte pode se impressionar. 
ANDRÉ LUIS GONÇALVES OLIVEIRA