sábado, junho 17, 2017

Resenha de "Meu Coração Está no Bolso" (Frank O'Hara) por Rodrigo Garcia Lopes




De alta voltagem lírica, Frank O'Hara tem poemas traduzidos

 Rodrigo Garcia Lopes
 Especial para a Folha

      “Meu Coração Está no Bolso” traz 25 poemas de Frank O´Hara (1926-1966), um dos poetas americanos mais relevantes da segunda metade do século 20. No Brasil, desde os anos 1990, ele vinha sendo traduzido esparsamente, mas esta é a primeira reunião de poemas dele em livro. O’Hara costuma ser considerado figura central da chamada Escola de Nova Iorque. O termo define não um movimento mas um grupo de poetas-amigos com interesses em comum: o horror ao formalismo estéril dominante na poesia do pós-guerra, a pintura expressionista abstrata e uma atitude informal e anti-acadêmica. A poesia de O’Hara, coloquial e de alta voltagem lírica, é tributária de Walt Whitman, do surrealismo mas, sobretudo, do lirismo ambiente, do simultaneísmo, dos poemas-passeios e poemas-conversas de Apollinaire. Quer captar o imediato, o aqui-e-agora do poema, numa espécie de zen-nova-iorquino.
    Uma de suas marcas registradas é começar o poema precisando o dia, hora, o clima ou local de sua ocorrência, como em “O Dia em que Lady Morreu”: “São 12:30 em Nova York uma sexta / três dias após o Dia da Bastilha, sim / estamos em 1959 e estou no trem indo ao engraxate / pois vou saltar do trem das 16:19 em Easthampton / às 9:15 eu vou direto jantar / e nem conheço as pessoas que vão me dar de comer”. Ler poemas como este ou o delicioso “A Um Passo Deles” é tentar acompanhar, em tempo real, a mente atenta e fantasista do poeta enquanto flana pela metrópole e incorpora-a fragmentariamente. Já “Versos para os Biscoitos da Sorte” é composto apenas de frases paratáticas inspiradas nas mensagens “positivas” de biscoitos da sorte de restaurantes chineses, satirizando seu tom de profecia. O livro traz também outros poemas representativos como “Autobiografia Literária”, “O Amante”, “Tomar Uma Coca com você” e “À Memória de Meus Sentimentos”. 
       As traduções de Beatriz Bastos e Paulo Henriques Britto são de alto nível, recriando os poemas em português e as características linguísticas, os vários registros da poesia de O’Hara, muitas vezes com ganhos. Exemplo rápido: o penúltimo verso de “Avenida A”, “but for now the moon is revealing itself like a pearl” é vertido como “mas por ora a lua se desnuda como uma pérola”. Aqui, a própria linguagem simula, com sua dança de letras, o strip-tease lunar. Os 25 poemas representam 4.9% de sua obra (constam 510 na edição de seus poemas completos). Como dar conta, em poucas peças, de uma poesia que, além de profusa e frenética, é marcada por várias fases e estilos? O livro tem o mérito de ser bilíngue (crucial em matéria de poesia) mas a colocação dos originais ao lado das traduções, e não no fim do livro, seria uma decisão editorial mais acertada, facilitando o trabalho do leitor. Apesar de terem ficado de fora poemas essenciais e representativos, é uma iniciativa louvável em tempos de trevas: “estamos mesmo em apuros, esparramados / pés para cima apontando o sol, rostos / minguando na escuridão colossal”. 

MEU CORAÇÃO ESTÁ NO BOLSO (muito bom) http://f.i.uol.com.br/guia/2/furniture/images/evaluation_four_stars-blue.png
AUTOR Frank O'Hara
TRADUÇÃO Beatriz Bastos e Paulo Henriques Britto
EDITORA Luna Parque Edições.
QUANTO R$ 40 (88 págs.)

Rodrigo Garcia Lopes é autor de “O Trovador” (Record) e “Experiências Extraordinárias” (Kan)

segunda-feira, junho 05, 2017

LANA TURNER DESMAIOU! de Frank O'Hara (versão 2 rodrigo garcia lopes)



LANA TURNER DESMAIOU!


Lana Turner desmaiou!
eu trotava pela rua e de repente
começou a chover e a nevar
e você falou que era granizo
mas granizo machuca a cabeça
essa era neve mesmo
e chovia e eu morrendo de pressa
pra te encontrar mas o trânsito
se comportava mal como o céu
e de repente vejo a manchete
LANA TURNER DESMAIOU!
nenhuma neve em Hollywood
nenhuma chuva na Califórnia
já fui num monte de festas
e já dei cada baixaria
mas nunca desmaiei pra valer
ah Lana a gente te ama levanta mulher


FRANK O'HARA
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

domingo, junho 04, 2017

Especial – Self-publishers londrinenses dos 80’s: Como uma geração inventou a si própria se publicando

Felipe Melhado escreveu um ensaio-relato que resgata a riquíssima cena literária, jornalística e editorial de Londrina nos anos 80. Pouca gente conhece. Páginas como Leitura (na "Folha de Londrina", várias dentições), revistas como Outra e Kan, fanzines como "Hã Verde" até incursões pés-vermelhas no histórico jornal "Nicolau", da Secretaria de Curitiba do Paraná, e iniciativas de alcance nacional, como a longeva "Coyote": 

"Self-publishers Londrinenses dos 80’s: Como uma geração inventou a si própria se publicando".
Vale a pena ler.

LINK:
http://www.rubrosom.com.br/especial-self-publishers-londrinenses-dos-80s-como-uma-geracao-inventou-si-propria-se-publicando/

terça-feira, abril 11, 2017

Ensaio sobre Adão, de Robert Bringhusrt




ENSAIO SOBRE ADÃO
 
 

Há cinco possibilidades. Primeira: Adão caiu.
Segunda: foi empurrado. Terceira: saltou. Quarta:
ao debruçar-se sobre o parapeito perdeu o equilíbrio. Quinta:
nada digno de nota aconteceu a Adão.

A primeira, de que caiu, é primária demais. A quarta,
medo, foi examinada e revelou-se inútil. A quinta,
de que nada aconteceu, não interessa. A solução é a alternativa:
saltou oi foi empurrado. E a diferença está apenas

na questão de saber se o demônio
age de dentro para fora ou de fora
para dentro: aí está
o verdadeiro problema teológico.

***

ROBERT BRINGHURST (1946)
Tradução: João Cabral de Mello Neto (1920-1999).
Em Quingumbo - Nova Poesia Norte-Americana.

quarta-feira, janeiro 25, 2017

A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS (de Sylvia Plath, traduzido por Rodrigo Garcia Lopes e Cristina Macedo)



A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS



Encomendei esta caixa limpa de madeira,
Quadrada como uma cadeira, pesada demais pra carregar.
Diria que é o esquife de um anão
Ou de um bebê quadrado
Não fosse o ruído que dela escapa.


Está trancada, é perigosa.
Tenho que passar a noite com ela
Não consigo me afastar.
Não há janelas, não posso ver lá dentro.
Apenas uma pequena tela e nenhuma saída.

Espio pela fresta.
Tudo escuro, escuro,
Com a enxame sensação de mãos africanas
Minúsculas, encolhidas para exportação,
Negro no negro, escalando com fúria.

Como deixá-las fugir?
O barulho é o que mais me apavora,
As sílabas incompreensíveis.
São como uma turba romana,
Não são nada, separadas, mas juntas, meu Deus!

Ouço este latim furioso.
Não sou um César.
Só encomendei uma caixa de maníacas.
Podem ser devolvidas.
Podem morrer, não preciso dar comida, sou a dona.

Me pergunto se têm fome.
Me pergunto se me esqueceriam
Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.
Há o laburno, suas louras colunatas,
E as anáguas da cerejeira.

Bem podiam me ignorar
Em meu vestido lunar, meus véus funéreos.
Não sou fonte de mel,
O que querem de mim?
Amanhã serei o doce Deus, vou soltá-las enfim.

A caixa é apenas temporária.

**
SYLVIA PLATH
Tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Cristina Macedo
Em Ariel - Edição Restaurada, Verus, 2007)
Pintura "The Arrival of the Bee Box", de Justin Fitzpatrick

terça-feira, janeiro 10, 2017

Resenha de Estúdio Realidade por Heitor Ferraz (Valor Econômico)

10.1.2014: Resenha de Estúdio Realidade (7 Letras) no Valor Econômico:

A natureza da linguagem em Garcia Lopes

Por Heitor Ferraz | Para o Valor

Não deixa de ser interessante que um dos temas caros ao romantismo - o da contemplação da natureza e a fusão do eu lírico com toda essa verdura estilizada - continue tendo, nos tempos de hoje, o mesmo apelo. No entanto, não podemos nos apegar à superfície dos poemas, e cabe perceber que essa natureza contemporânea já nos chega problematizada pela própria linguagem: é uma natureza inventada pela linguagem e ao mesmo tempo questionada por ela e sobre ela. É como se o poeta retirasse de suas observações uma imagem e, num segundo seguinte, já questionasse a validade dessa imagem.

A questão é complexa, não há dúvida. Mas ela está presente no recente livro "Estúdio Realidade", do poeta paranaense Rodrigo Garcia Lopes, uma das vozes representativas da poesia brasileira surgida nos anos 1990. Há em Garcia Lopes desde o princípio, em "Solarium", de 1994, uma preocupação com a diversidade formal. Mas já absorvida pela ideia da "poesia pós-utópica", de Haroldo de Campos, com "a pluralização das poéticas possíveis". Havia uma procura da expressão que desse conta dos embaralhamentos da vida contemporânea. Nesse sentido, sua poesia trilhou o inusitado caminho da variação formal e da polifonia, cada poema exigindo uma maneira própria de se apresentar na página.

Mas se há um tema bastante recorrente em sua poesia é o da natureza, como motivo de reflexão e criação de novas imagens e questionamentos. Como já havia em "Nômada", de 2004, essa paisagem descrita pelo poeta é uma espécie de fruto do pensamento (como ele mesmo diz num dos "24 aforismos sobre poesia", no fim de seu novo livro: "Talvez poemas devessem ser mais que simplesmente escrita sobre experiência, e sim escrita como experiência"). Essa tem sido a sua procura obsessiva: uma expressão que case imagem e pensamento, por meio de uma linguagem que se questione o tempo inteiro, pois ciente de seus desgastes. Como já dizia a crítica Maria Esther Maciel, o poeta "faz do deserto a sua paisagem".

Ele não procura a natureza em si, mas os seus ecos, pois em seu estúdio a realidade não é um objeto a ser flagrado diretamente. Ele deve ser captado pelas bordas, pelas imagens que proporciona, como se pode ler em "No Estúdio Realidade", que abre o livro: "Uma relâmpago é flagrado por seus ecos. Santo súbito". Em outro fragmento lê-se: "A pedra comunica seu sonho de estar sobre o ar da paisagem na parede. O espelho, uma perda".

Em "Notícias do Mundo", por exemplo, os versos parecem relatos curtos, quase títulos estilizados de jornais ("Águas muezins no vale das sombras/ África agoniza/ Iraque se debate/ Índia se indigna/ Impérios definham/ Morro em guerra fratricida" etc.). A certa altura, o poeta anota, irritado: "Mentiras, mentiras". E ao fim, diz: "E, no entanto, eu aqui/ à sombra de um pensamento/ de um amor que seja um lugar,/ um lugar como um pensamento./ Mas isto é ir muito longe:/ Isto é acordar".

"Estúdio Realidade", cujo título é tomado de um romance de William Burroughs, é um bonito livro, mas exige do leitor uma paciência de detetive (alguns poemas tratam diretamente do assunto). Ele lança pistas e despistes. Cabe ao leitor decifrá-los, não diretamente, mas pelos ecos que criam.
"Estúdio Realidade"

Rodrigo Garcia Lopes 7Letras 136 págs., R$ 35,00 / AA+

AAA Excepcional / AA+ Alta qualidade / BBB Acima da média / BB+ Moderado / CCC Baixa qualidade / C Alto risco

Leia mais em:

sexta-feira, janeiro 06, 2017

HAIKU, Bashô




iluminado!

não pensa em satori
ao ver o raio

稲妻に悟らぬ人の貴さよ
inazuma ni / satoranu hito no / tattosa yo


MATSUO BASHÔ
tradução

rodrigo garcia lopes

terça-feira, dezembro 13, 2016

MARCIAL NA PIAUÍ


Saíram algumas traduções de Epigramas, de Marco Valério Marcial, na revista PIAUÍ de dezembro, do livro que a Ateliê Editorial lança em breve:

LINK:
http://piaui.folha.uol.com.br/materia/boca-de-roma/

quinta-feira, julho 07, 2016

O NAVEGANTE E MINDSCAPES - resenha Folha de S. Paulo

OBRAS TRILHAM PERCURSO DA FUNDAÇÃO À CRISE DO VERSO

MARCELO PEN
CRÍTICO DA FOLHA


Da fundação à crise na poesia. Esse é o percurso sugerido por dois recentíssimos lançamentos, "O Navegante" e "Mindscapes: Poemas", ambos traduzidos pelo poeta, ensaísta e editor londrinense Rodrigo Garcia Lopes, 39.
"O Navegante" pertence ao domínio oral anglo-saxão, com texto fixado por um monge no século 10. Ezra Pound, que verteu um grande trecho da obra para o inglês, disse em "O ABC da Literatura" que realizou a tradução "para que possam mais ou menos ver onde a poesia inglesa começa".
Já "Mindscapes" é uma coletânea da poeta modernista americana Laura Riding (1901-1991). Depois de uma recepção retumbante, em que foi elogiada por William Carlos Williams, Auden e até (com reservas) por Yeats, Riding abandonou a poesia por quase 30 anos.
Laura havia chegado a um impasse. Para ela, há um conflito entre a forma e o conteúdo da poesia. O artifício da linguagem literária teria deixado de expressar o dizer verdadeiro, o objetivo final da arte poética. Ou, como diz ela, "a verdade começa onde a poesia termina".
Riding é uma figura curiosíssima e polêmica. Filha de um militante bolchevique judeu (que aspirava para ela a condição de uma Rosa Luxemburgo ianque), decidiu para o desgosto do pai tornar-se poeta. Um dos fundadores do "New Criticism", Allan Tate, descobriu-a em 1924. Seu primeiro livro foi publicado pela editora de Leonard e Virginia Woolf. Muito mais tarde, Paul Auster dirá: "Nenhum escritor exigiu mais das palavras do que Laura Riding".
É preciso entender a atitude de Laura dentro do contexto histórico. Os modernistas procuraram aproximar a arte da vida. Muitas vezes, quando ela fala da "verdade" (da "primeva insonoridade da verdade"), está referindo-se ao que acreditava ser o mister poético, o de atingir a pulsão real da existência por meio das palavras. "Desde o começo, a poesia para mim era território da vida, não da literatura", escreveu.
No auge da carreira, em 1938, após publicar "Collected Poems", renega a poesia e muda-se com o novo marido, Schuyler Jackson, para uma fazenda da Flórida, onde se dedica ao comércio de frutas. Nos anos de 1960, Tate diz ter ouvido que Laura estava "em algum lugar lá embaixo na Flórida cultivando laranjas".
Não deve estranhar o fato de a judia Riding ter renunciado à literatura no início da Segunda Guerra Mundial, antecipando-se à máxima de Theodor Adorno de que "escrever poesia depois de Auschwitz é barbárie"."), está referindo-se ao que acreditava ser o mister poético, o de atingir a pulsão real da existência por meio das palavras. "Desde o começo, a poesia para mim era território da vida, não da literatura", escreveu.
N ão deve estranhar o fato de a judia Riding ter renunciado à literatura no início da Segunda Guerra Mundial, antecipando-se à máxima de Theodor Adorno de que "escrever poesia depois de Auschwitz é barbárie".

Doces bárbaros

"Bárbaros" pode ser a forma de muitos considerarem os tempos em que foi composto "O Navegante", quando as tribos dos anglos e dos saxões lutavam contra constantes ataques dos viquingues escandinavos. O poema pode ser visto como um longo lamento de um marinheiro, isolado no mar, dividido entre o anseio pela liberdade e os confortos da aldeia, entre a vida efêmera e a morte certa ("... uma entre três coisas // pesam na balança/antes da hora fatal // doença, velhice/ou ódio-de-espada").
Segundo Jorge Luis Borges, que traduziu o poema para o espanhol, a subjetividade lírica de "O Navegante" anuncia poemas de Arthur Rimbaud e de Walt Whitman. No posfácio da edição brasileira, Garcia Lopes observa que muitos "temas caros a toda poesia inglesa posterior estréiam em grande estilo em "O Navegante'".
Ele gastou dois anos para verter os 125 versos do poema. Antes, o que tínhamos era uma tradução de Augusto de Campos, baseada na versão inglesa de Pound. Lopes precisou aprender anglo-saxão e enfrentar algumas peculiaridades desse tipo de poesia, que não se baseia em estrofes e rimas, mas na aliteração, no ritmo sincopado e em compostos expressivos chamados de "kennings" ("estrada-da-baleia", por exemplo, quer dizer "mar").
"Gosto de aventura e tenho uma eterna curiosidade por poesia antiga, tanto quanto moderna", confessa Garcia Lopes à Folha. "Tive como ferramenta indispensável uma versão em hipertexto, literal e completa, do poema; e acesso a dezenas de outras traduções de apoio. Estou seguro quanto ao resultado, tanto que o livro é bilíngüe."
O tradutor acredita que a poesia de "O Navegante" e a de Laura Riding têm em comum a "investigação do consciente, da identidade, da mente que acerta contas consigo mesma". Laura, que nunca deu pelota para o peso da tradição, mas valoriza a eterna contemporaneidade da obra de arte, concordaria.

***
O NAVEGANTE. Autor: anônimo. Tradução: Rodrigo Garcia Lopes. Editora: Lamparina. Quanto: R$ 25 (80 págs.).
MINDSCAPES. Autora: Laura Riding. Tradução: Rodrigo Garcia Lopes. Editora: Iluminuras. Quanto: R$ 42 (256 págs.).
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2512200411.htm



quarta-feira, julho 06, 2016

Canções do Estúdio Realidade: Recepção e Alguma Critica






Canções do Estúdio Realidade é um disco maravilhoso, que escutei nas estradas da Paraíba, a caminho do sertão e me deu muita alegria e sensações variadas.
CHICO CÉSAR, músico e compositor

Refinar o pop a partir da experiência literária não é um sonho novo. Rodrigo Garcia Lopes faz curioso percurso em seu segundo disco. Aqui, se dá o inverso: é a leveza do pop que impulsiona uma trama poética sutil [...] Uma natural familiaridade costura as harmonias do poeta, que nos leva, pelo som, a um território antigo e novo ao mesmo tempo.
JOTABÊ MEDEIROS, crítico de música, O Estado de S. Paulo

Em 12 faixas com letras de veio poético, o artista tece uma ode à canção com arranjos melodiosos e que tomam forma híbrida de jazz e MPB, acentuada pela formação da banda, que tem baixo acústico, piano, bateria e violão. [...] Garcia Lopes também foi próximo de Paulo Leminski (1944-1989), outro que desarranjou as fronteiras entre música e poesia, e de quem musicou versos.
RODRIGO LEVINO, Folha de São Paulo.

Tendo a palavra como base, o compositor e poeta se lança em trilhas sonoras ambiciosas e variadas -- por jazz, funk, afoxé -- sempre valorizando as harmonias. O resultado oscila entre canções exatas e (bons) poemas.
LEONARDO LICHOTE, crítico de música, O Globo.

Doze anos depois da estreia em disco, o paranaense Rodrigo Garcia Lopes volta a lançar um álbum musical. No ótimo Canções do Estúdio Realidade, o poeta, compositor e tradutor visita a canção popular com desenvoltura, explorando as características específicas do gênero sem cair na armadilha de fazer mera poesia musicada.
ROGER LERINA, crítico de música, Zero Hora.

Rodrigo Garcia Lopes, autor de Polivox, é mesmo um cara de muitas vozes. Vozes dele, vozes de outros. Não é toda a hora que se encontra gente múltipla assim, que escreve poesia e ensaios, faz entrevistas, toca violão, compõe, canta...Tudo bem feito, claro. Para o público em geral, ávido de cultura, uma personalidade criativa e livre dessas por perto, nesta época de especializações, de nichos de mercado, de repetições e limitações, é motivo para comemorar.
VITOR RAMIL, músico, cantor, compositor e escritor.

Grande esmero, produção caprichada mesmo. Prestei atenção em tudo, com um destaque especial às linhas de baixo, voz e a equalização das vozes, mixagem, os arranjos...tudo muito bem feito. Parabéns. Muito interessante pra mim ouvir um disco bem diferente do que faço, mas igualmente trabalhado e ambicioso. Fiquei contente de conhecer seu trabalho musical. Aliás, todos os instrumentos soam bem. Parabéns mesmo, e sabe, adorei a sua versão pra música Nobody does it better. Não só o arranjo é ótimo, como a sua voz soa deliciosa.
MARINA LIMA, cantora e compositora.

Lírico, moderno, cinematográfico e com um "livrinho" que faz jus ao disco. Muito bom! Arrojado, cheio de experiências com versos e com maneiras de dizer. Também gostei dos arranjos, bastante adequados ao projeto. Uma bela exploração sinestésica da realidade.
LUIZ TATIT, músico, compositor e teórico de música brasileira.

Abrir o disco Canções do Estúdio Realidade é empreender uma viagem ao um bom tempo da música. Um tempo que resiste na memória e no coração de uma bela canção. Entrar no estúdio realidade é como entrar num livro, num bom livro.
LUIZ CLAUDIO OLIVEIRA, crítico de música, Gazeta do Povo.

Em Canções do Estúdio Realidade não há duas faixas parecidas, com Rodrigo demonstrando uma tremenda versatilidade, cantando balada, blues, funk, jazz, rock, rap e canções de sua autoria com autenticidade. As letras falam da condição humana (ex, ‘Quaderna’) e da vida no mundo moderno (ex, a sobrecarga sensorial em ‘New York’). Todas as canções são em português, com exceção da bela balada ‘Butterfly’, escrita em inglês. [parceria com Neuza Pinheiro]. Sua incrivelmente bela interpretação de ‘Nobody does it Better’ [aqui na sua própria versão em português, Ninguém Melhor que Ela] é o melhor tratamento que a composição já recebeu. Seu estilo violonístico e a progressão de acordes em ‘Quaderna’ traz à mente o violonista Guinga. O funk-rap ‘New York’ evoca a Farofa Carioca. Os arranjos, a maioria de André Siqueira, são luminosos (ex. ‘Cerejas’). Os músicos são esplêndidos (por exemplo, a deliciosa introdução de baixo de Gabriel Zara e o solo e acompanhamento pianístico de Mateus Gonsales em ‘Iluminações [parceria com Bernardo Pellegrini], só para dar dois exemplos. Tudo combinando com a qualidade do livro suntuoso de 36 páginas [por Marcos Losnak e Beto] com evocativas fotos coloridas [por Elisabete Ghisleni]. Rodrigo Garcia Lopes assaltou o Estúdio Realidade e trouxe para nós tesouros musicais e poéticos”
RANDY MORSE – produtor norte-americano, em seu site de música brasileira “The Best of Brazil”

Abertas as portas do Estúdio Realidade o que logo se descortina é a cena paranaense de cidades como Londrina e Curitiba, lugares pródigos em poesia e literatura onde a música popular cada vez mais se faz notar. Quem conhece só o Rodrigo Garcia Lopes vindo da poesia, da intensa atividade intelectual e editorial, vai descobri-lo agora cheio de desenvoltura com seu violão em meio às névoas musicais das óperas de araucárias e arames. São quatro as estações do ano, quatro as linhas do campo, mas a vida é só uma. Rodrigo quer retomar o universo e nos levar com ele. Por que não?
VITOR RAMIL, cantor, músico, compositor e escritor

É muito difícil a gente decifrar o que pretende um autor quando lança um trabalho. Apenas podemos conjecturar, intuir, ler nas entrelinhas coisas que não sabemos de verdade, imaginações. Como o próprio autor, que pensa saber o que pretende, e a cada vez que se aproxima da obra, descobre essa vertigem (traduzida por uma supressão da qualidade crítica tão fundamental para um criador, a severidade de julgamento) que o faz oscilar acompanhando os movimentos daquilo que não sabemos, mas fizemos. Então falamos de coisas técnicas, da fluidez dos arranjos, da elegância da interpretação, da competência instrumental, e logo vamos nos perdendo nos adjetivos. Este CD de Rodrigo Garcia Lopes, que carrega o sinuoso título de Canções do Estúdio Realidade, lembra sonhos de juventude, quimeras de uma possível aproximação com a poesia, com a divindade, com o vinho da existência, com a uva da metáfora sufi, a fonte. Como diria um zen budista: a imersão na realidade. Que coisa mais bem feita!

ARRIGO BARNABÉ, compositor e músico