Quinta-feira, Março 15, 2012

Show no SESC São Carlos (com Rodrigo Garcia Lopes e André Siqueira)



Amanhã Rodrigo Garcia Lopes (voz, violão), André Siqueira (violão, baixo, guitarra) apresentam o show "Canções do Estúdio Realidade" no SESC SÃO Carlos (SP), às 20 horas. O show traz no repertório canções de Garcia Lopes e parcerias que estarão no disco homônimo que ele lança em abril deste ano.

SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
local: SESC - Convivência interna
Av. Comendador Alfredo Maffei, 700
Jd. Gibertoni - São Carlos/SP
cep: 17.560-649
20h

Sexta-feira, Março 02, 2012

PALAVRAS (poema de Sylvia Plath traduzido por Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça)

 

PALAVRAS


Machados
Que batem e retinem na madeira.
E os ecos!
Ecos escapam
Do centro como cavalos.

A seiva
Mina em lágrimas, como a
Água tentando
Repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e racha,
Crânio branco,
Comido por ervas daninhas.
Anos depois eu
As encontro no caminho --

Palavras secas, sem destino,
Incansável som de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas
Governam uma vida.



SYLVIA PLATH
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça
Em Sylvia Plath: Poemas (Iluminuras, 1990)

UMA PAIXÃO PELOS LIVROS (Conto policial de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça)


           
Uma Paixão pelos Livros

Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça
                                   
                                                                      
       Nenhuma manhã mais cinza do que esta sobre o lago de Lucerna. Estou no deque de um café, e escrevo neste diário de capa florida que acabo de comprar. Pena. Em poucos minutos toda a beleza dos Alpes se apagará de meus olhos. Acabei de ingerir a última cápsula. Mesmo assim, aspirando o ar dessas montanhas cujos topos são páginas em branco gigantescas, estou em paz com minha consciência e meu sangue.
           Mal posso crer que há dois dias estava em São Paulo, fugindo para o aeroporto internacional de Guarulhos.  Mal posso crer que acertei contas com um senhor chamado Jayme de León. Agora todos sabem que, por trás da máscara de bibliófilo e benemérito, se escondia um homem vil, ambicioso e capaz de matar para atingir seu objetivo: formar a maior coleção particular de livros raros da América Latina. Agora que minha hora se aproxima, quero registrar neste diário a verdade de como tudo aconteceu.
                                                                        1.

Fui uma menina cercada por uma floresta de livros. Olhando para o alto, estantes eram montanhas de papel que ameaçavam degelar a qualquer instante. Quase não via minha mãe. Ela vivia trancada no quarto de sua melancolia. Meu jovem pai, Giorgos Xenakis, era um amante dos livros e um dos maiores colecionadores do Brasil. Depois do divórcio de meus pais, nossa biblioteca encheu-se de luz. Filha única, meus dias eram povoados por histórias fantásticas e personagens enigmáticos. Eu e papai vivíamos solitários num mundo a parte. Organizávamos os livros interminavelmente, numa tranquila rotina quebrada apenas pela visita dos compradores. Era uma legião. Eu os odiava.
            O senhor Jayme de León era um dos mais assíduos frequentadores de nossa casa no Jardim Europa. Meu pai o admirava. Não raras vezes eu os flagrava conversando sobre livros e mulheres. Recordo-me bem de sua figura esguia, seus olhos azul-Van Gogh devorando cada centímetro de meu corpo em flor. Como tudo aconteceu? Eu tinha apenas 13 anos. Numa noite de maio de 1990, o senhor de León veio à nossa mansão para tentar convencer papai – mais uma vez – a vender-lhe os 12 volumes de As Mil e Uma Noites, na célebre tradução de Antoine Galland, publicados entre 1704 e 1717.
            Eu estava em meu quarto no andar superior. Ouvi vozes ríspidas e tive medo. De repente, silêncio. Chamei por meu pai. Não houve resposta. Então o o encontrei caído com a cabeça arrebentada sobre uma poça de sangue. Na porta que dava para a rua, vi o olhar atônito que Jayme de León me lançou antes de fugir. Numa das estantes, um vazio. A coleção de Galland havia sido roubada. Mas o que o criminoso não sabia era que Giorgos havia esquecido em meu quarto, quanto veio ler para mim na cama, o último tomo de As Mil e Uma Noites. O mesmo que apertei contra meu peito quando ouvi os gritos de horror.
          A dor e o choque da perda de meu pai provocaram lacunas em minha memória. A família me enviou para um colégio interno na Suíça. Mais tarde, já mulher feita, voltei para o Rio e me especializei em restauração de livros na Biblioteca Nacional. Três anos depois, quando já era uma profissional destacada em minha área, recebi um convite irrecusável: o de trabalhar na restauração de um importante arquivo particular em São Paulo. O Instituto ***, um dos acervos particulares mais fascinantes do país, era um caixote cinza na Rua Monte Alegre, próximo da casa onde morou o poeta Haroldo de Campos. Por fora, face austera. Por dentro, o luxo de um palácio demonstrava a riqueza de seu proprietário. O salário era bom. Nossa equipe era formada por seis mulheres.
No Instituto *** ocupávamos mesas compridas e trabalhávamos com nossos jalecos e luvas brancas. Nos dias iniciais me extasiei com primeiras edições que fariam a alegria de qualquer alfarrabista. A grande biblioteca era composta de vinte mil títulos. Edições raras de Hans Staden, Jean de Léry, Machado de Assis, Guimarães Rosa e incontáveis manuscritos. Nas horas do café nos perguntávamos quando, afinal, o rico colecionador apareceria para avaliar nosso trabalho.
            Certa tarde de inverno, eu preparava os livros do século 17 que iriam seguir para um leilão da Sothebys, quando uma colega chamou-me a atenção para uma descoberta que fizera ao resgatar os livros de uma estante que havia caído. Senti uma fria onda de arrepios quando meus olhos se depararam com a familiar lombada azul puída de As Mil e Uma Noites, de Galland. Uma coleção que valeria, segundo minha colega, um milhão de dólares. Valeria, não fosse por um detalhe, ela disse: a ausência do último volume. Abri um dos livros e corri meus dedos à página 13, onde senti, no canto inferior esquerdo, as letras G e X em alto relevo. Senti uma forte náusea. Foi assim que me vi dentro da biblioteca roubada de Jayme de León. Foi assim que me deparei com a coleção que havia sido arrancada de meu pai, na última página de sua vida.                                
      
                                                                      2.

       Fomos surpreendidas num final de tarde com a chegada de León ao Instituto ***. Os leilões europeus haviam sido lucrativos, sobretudo a venda dos manuscritos de Stephen Zweig conseguidos juntos à coleção do uruguaio Dubuffet. De León queria cumprimentar sua nova equipe. Logo no primeiro encontro seus olhos azuis folhearam meu rosto, meus cabelos cautelosamente tingidos de negro. Convidou a todas para uma ceia. Uma vez no restaurante, evitei seus olhos colocando meus óculos de grau. Em nenhum momento ele suspeitou de mim. Eu já havia mudado meu sobrenome legalmente para Brand, da parte de minha mãe suíça.  Pouco tempo depois, ele me convidou para jantar sozinha num restaurante grego. Aos sessenta anos, de León ainda era um homem atraente. Limitei ao máximo informações sobre minha vida particular e meu passado. Durante nossas conversas, tal qual uma Sherazade, eu deleitava o colecionador com minhas histórias e conhecimentos sobre livros antigos e o mercado livreiro, minha facilidade com línguas. Ele passou a me visitar todas as tardes no Instituto ***. No décimo-primeiro encontro, Jayme confessou que estava louco por mim.

                                                                            3.

Foi então que iniciei a segunda parte de meu plano. Apagar da existência o senhor Jayme de León, página por página.
Não contarei como, anonimamente, destruí seu casamento em poucos meses, enviando fotos dele com todas as garotas do Instituto ***, inclusive eu mesma; não contarei como, em sua embriaguez, o fiz confessar seus muitos crimes e os gravei como prova e enviei à polícia. Não contarei como ele teve de se desfazer de seus livros mais valiosos para pagar a divisão dos bens, dívidas e advogados. Apenas contarei que, numa noite, eu o levei ao mais escuro dos corredores de sua biblioteca.
            Foi fácil. Atraí sua cobiça contando que ele possuía um último tesouro que poderia salvar o Instituto ***. Sua salvação estava bem ali, ao alcance de suas mãos. Foi assim que esperei que ele ficasse exatamente onde eu queria, diante da gigantesca muralha de livros que ficava no fim do corredor. De León, agora pálida sombra decadente, me perguntou o motivo de tanto mistério. Eu me virei e apontei para uma antiga coleção. Ele deu um sorriso, reconhecendo os volumes de As Mil e Uma Noites, acariciou as lombadas, balançando a cabeça. Comentou que, por faltar o último volume, aquilo lhe custara uma bagatela. Quando seus olhos se voltaram para mim, empalideceram ao verem surgir, em minha mão trêmula, o último volume perdido de sua coleção. Então lhe revelei quem eu era. Sua face crispou.
            E a última coisa de que me lembro, antes de entrar naquele avião, são os sons horríveis de seus ossos sendo esmagados por uma avalanche de centenas de volumes.
* * *
          Redijo estas linhas porque sei que ninguém acreditará em minha história. Os jornais brasileiros mataram minha reputação, dizendo que eu seria a assassina de meu próprio pai, e que o crime teria sido testemunhado pelo livreiro Jayme de León há exatos vinte anos. Isto é completamente inverídico. Eu, Sonya Xenakis, amava meu pai.


Rodrigo Garcia Lopes, tradutor, músico, autor de Nômada, visibilia, entre outros 12 títulos. Maurício Arruda Mendonça, poeta e dramaturgo.


Sábado, Fevereiro 25, 2012

SONO TRANSGREDIDO (poema de Laura Riding - tradução Rodrigo Garcia Lopes)


A poeta norte-americana Laura Riding.


SONO TRANSGREDIDO


Uma hora do dia foi subtraída
Para fazê-lo durar mais uma hora.
O dia dilatado cresceu
No que tinha sido interrompido.
Mais uma hora do sono foi subtraída,
Até que todo o sono fosse transgredido,
Embora o curso do dia
Durasse mais, mais se adiasse.

E o sono, sumido.
E o mesmo dia nunca termina,
Um dia enorme, e a insônia,
Um gradual entardecer rumo a logo se deitar.

Logo, logo,
E o sono, esquecido.
Tipo: o que foi nascer?
E nenhuma morte até aqui, o fim tão lento,
Parecemos partir mas permanecemos.

E se permanecemos
Algo mais há de ser feito
E nunca termine embora muito termine.
Pois o muito mantém os olhos bem abertos,
Muito aberto é muito mais sono esquecido,
Sono esquecido é sono transgredido,
Sono transgredido é a mente durando bem mais,
Mais pensamento, mais dizendo,
Em vez de dormindo, piscado, piscando,
Piscando de pé e por causa de sonhos
Que são iguais a todas as coisas comuns,
As coisas comuns iguais a todos os sonhos.



LAURA RIDING
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes
Em MINDSCAPES, (Editora Iluminuras, 2004)

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

COYOTE 23


Coyote traz entrevista com Moacyr Scliar
e conto inédito de Daniel Wallace
Vigésima terceira edição da revista literária tem também traduções de Gregory Corso e inéditos de Beatriz Bracher, Marcia Tiburi e Bernardo Vilhena

“O direito de delirar é uma conquista da literatura desde Lautréamont. A crítica bem poderia entrar em uma crise de delírio obedecendo a motivos poéticos. Os delírios de hoje são, às vezes, as verdades de amanhã.”
É sob o espírito desta citação do crítico Roland Barthes que a Coyote, revista de literatura editada em Londrina (PR), chega a seu número 23. Patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) de Londrina (interior do Paraná), Coyote firmou-se como uma das mais importantes revistas literárias do país.
Um dos destaques desta edição é o dossiê-homenagem com o escritor Moacyr Scliar, falecido no começo de 2011. “Escrevo no aeroporto, em avião, no hotel. Aprendi a desligar do lugar onde estou e me concentrar no que estou fazendo. Não preciso ficar isolado, não preciso de silêncio, não preciso de nada disso”, diz o escritor, em entrevista inédita feita por Ademir Assunção, em novembro de 2008.
Entre as histórias publicadas neste número está “De Chinelos”, conto inédito do americano Daniel Wallace (autor do romance Peixe Grande, levado às telas por Tim Burton), traduzido por Cristina Macedo e Rodrigo Garcia Lopes), e inéditos também de Marcia Tiburi e Beatriz Bracher.
A poesia ganha um apanhado da lírica estridente do americano Gregory Corso (1930-2011), apresentado e traduzido por Reuben da Cunha Rocha, e do português Jorge Melícias, além de inéditos de Bernardo Vilhena, Renato Tapado, Bruno Brum, Rodrigo Madeira e Augusto de Guimaraens Cavalcanti. Maria Lúcia Milléo Martins apresenta e traduz (do inglês) a poesia do poeta brasileiro (radicado no Canadá), Ricardo Sternberg.
A fotógrafa Mara Tkotz assina a capa e o ensaio fotográfico do número, em imagens aéreas captadas na região rural de Londrina. A quarta-capa traz cartum de Beto.
COYOTE 23 // 52 páginas  // R$ 10,00. Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país, com distribuição pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161. Pode também ser adquirida pela internet através do site: www.iluminuras.com.br

Contatos: marcoslosnak@gmail.com/zonabranca@uol.com.br/ rgarcialopes@gmail.com

 

PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA - SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA

Domingo, Fevereiro 05, 2012

NO ESTÚDIO

André Siqueira, eu e Gabriel Zara. Na reta final da gravação do meu segundo disco, "Canções do Estúdio Realidade".

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

FESTA DE INVERNO

     "La Danse Chinoise", de Francois Boucher (1703-1770)



FESTA  DE   INVERNO


      A cascata canta atrás das cabanas da ópera cômica. Girândolas prolongam, nos pomares e nas alamedas vizinhas ao Meandro,— os verdes e vermelhos do crepúsculo. Ninfas de Horácio com penteados do Primeiro Império, — Cirandas Siberianas, Chinesas de Boucher.




ARTHUR RIMBAUD (1854-1891)

Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Mauricio Arruda Mendonça
(Em Iluminuras- Gravuras Coloridas, Iluminuras, 1994)

Terça-feira, Janeiro 17, 2012

H (poema de Arthur Rimbaud)

                                                                        


  H


Todas as monstruosidades violentam os gestos atrozes de Hortência. Sua solidão é erótica mecânica, sua lassidão, só dinâmica amorosa. Sob a vigilância de uma infância, ela tem sido, no verão de numerosas épocas, a higiene ardente das raças. Sua porta está aberta à miséria. Ali, a moralidade desses seres atuais se descorpora em sua paixão ou em sua ação. — Ó terrível frisson de amores noviços no chão de sangue e transparente hidrogênio! Encontrem Hortência.

                                                                            * * *

ARTHUR RIMBAUD
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça
(Iluminuras, 1994)

Domingo, Janeiro 15, 2012

RIMBAUD E A NOVA EDIÇÃO DE "ILLUMINATIONS" A CAMINHO: AS PONTES


"O Tâmisa sobre a Ponte Waterloo". Joseph William Turner.

AS PONTES 
 
Céus de cristal gris. Bizarro desenho de pontes, estas retas, aquelas em arco, outras descendo em ângulos oblíquos sobre as primeiras, e essas figuras se renovando nos outros circuitos iluminados do canal, mas todas tão longas e leves que as margens, cheias de cúpulas, afundam e encolhem. Algumas dessas pontes ainda estão cheias de barracas. Outras sustentam mastros, sinais, frágeis parapeitos. Acordes menores se cruzam, e somem, as cordas escalam os barrancos. Distingue-se uma roupa vermelha, talvez outros trajes e instrumentos musicais. São árias populares, trechos de concertos senhoriais, restos de hinos públicos? A água é gris e azul, larga como um braço de mar. — E um raio branco, desabando do alto do céu, aniquila esta comédia.


ARTHUR RIMBAUD
TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA LOPES E MAURÍCIO ARRUDA MENDONÇA

Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

HARRY HOUDINI



"A maior fuga de todas foi quando escapei de Appleton, Wisconsin"

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

UM POEMA PARA O DESERTO


UM POEMA PARA O DESERTO



com seus rios secos desde o começo

com sua sede sonora

com o sal que não pergunta

do sentido

deste paraíso perfeito

templo sem vozes

do sol que se deita

olho de um sábio egípcio

um oásis

onde o céu

se amplia e revela

uma íris, ou quase,

e a metade da lua

magnifica

uma lágrima minha

fixando

o som misterioso dessas rochas e pessoas

automóveis deslocando seus vazios

sob o fog azul da luz no sul

o trânsito pesado e veloz

o stress das consoantes

o desdobrar da seda

o cheiro do fumo e de café africano

sensação imprecisa, pedra preciosa

que celebra

a tarde que dura, suprema,

em sua dimensão paralela

o mar invisível que se quebra

manso

aqui

onde não há água.

Não há margens, nem miragens.

mas cedo ou tarde descobrimos

o que este outono

tem para nos dizer:

— cores, peles, percepções —

tempo de silêncio

flutuando agora no ar

fazendo

bolhas na superfície

de um céu que é mais além





                                                  RODRIGO GARCIA LOPES
                                                Arizona, 1991

                                              (Em Solarium, Iluminuras, 1994)

Terça-feira, Dezembro 13, 2011

AMOR DEPOIS DE AMOR (Derek Walcott. Tradução: Rodrigo Garcia Lopes)






AMOR DEPOIS DE AMOR


Vai vir o tempo
em que você, exaltado,
vai saudar a si mesmo chegando
à sua própria porta, em seu próprio espelho,
e vão trocar sorrisos de boas-vindas,

você vai dizer, sente-se. Coma.
Vai amar o estranho que um dia você foi.
Dê vinho. Dê pão. Devolva seu coração
pra ele mesmo, o estranho que o amou

por toda a sua vida, e a quem você ignorou
por outro alguém, que o conhece de cor.
Pegue da estante as cartas de amor,

as fotografias, as anotações desesperadas,
descasque seu reflexo do espelho.
Sente-se. Sirva-se da vida.






DEREK WALCOTT
(Tradução: Rodrigo Garcia Lopes)

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011


 EL HOMBRE                                                           EL HOMBRE

It’s a strange courage                                                   Estranha coragem
you give me ancient star:                                             você me dá, estrela antiga:

Shine alone in the Sunrise                                          Cintila sozinha na aurora
toward which you lend no part!                                 Com a qual você não briga!


William Carlos Williams  (Trad. Rodrigo Garcia Lopes)

Sábado, Dezembro 10, 2011

PRELÚDIO AO INVERNO (William Carlos Williams trad. Rodrigo Garcia Lopes)



PRELÚDIO  AO INVERNO


A mariposa sob o beiral

com asas como a casca

de um tronco, simetrica-

mente em repouso —


E o amor é uma coisa

de asas suaves e curiosa

imóvel sob o beiral

quando folhas caem.

 

Prelude to Winter


The moth under the eaves
with wings like
the bark of a tree, lies
symmetrically still—

And love is a curious
soft-winged thing
unmoving under the eaves
when the leaves fall.

WILLIAM CARLOS WILLIAMS
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes


Terça-feira, Dezembro 06, 2011

O CARRINHO DE MÃO VERMELHO (de William Carlos Williams trad. Rodrigo Garcia Lopes)


THE RED WHEELBARROW    O CARRINHO DE MÃO VERMELHO

so much depends                        tanto depende de
upon                                              vê-lo

a red wheel                                  carrinho de mão
barrow                                          vermelho

glazed with rain                         vidrado com gotas
water                                             de chuva

beside the white                          e algumas galinhas
chickens.
                                      brancas.



WILLIAM CARLOS WILLIAMS
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011



flores da ameixeira
ontem não estavam 
nem aí

Sexta-feira, Dezembro 02, 2011

UMA ESPÉCIE DE CANÇÃO (William Carlos Williams trad. Rodrigo Garcia Lopes)





Que a serpente espere sob
suas ervas daninhas
e a escrita
feita de palavras, lentas e rápidas, pronta
pro ataque, à espreita e quieta,
desperta.

pela metáfora reconciliar
pessoas e pedras.
Compor. (Ideias tão só
nas coisas). Inventar!
Saxífraga é minha flor que racha
as rochas.


A SORT OF SONG

Let the snake wait under
his weed
and the writing
be of words, slow and quick, sharp
to strike, quiet to wait,
sleepless.

 
– through metaphor to reconcile
the people and the stones.
Compose. (No ideas
but in things) Invent.  

Saxifrage is my flower that splits
the rocks.




WILLIAM CARLOS WILLIAMS
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

À sombra da velha macieira
a cabeça cheia de silêncio
o silêncio cheio do mundo
afundo num volume de Newton
e fundo o
FRUTURISMO

Quarta-feira, Novembro 30, 2011

Rodrigo Garcia Lopes em pocket-show na Rádio Uel

No estúdio da Rádio Uel, gravando o Trem das Onze. Foto Renata Cabrera
O programa foi ótimo, capitaneado por Jersey Gogel e Rogério Cavalcanti com produção da Renata Cabrera. Eu (voz e violão), acompanhado de André Siqueira (violão e baixo). Uma hora ao vivo de canções, bate-papo sobre música, poesia etc.
O link do programa de hoje é:

http://www.uel.br/uelfm/arquivo.php?id=8151

Segunda-feira, Novembro 28, 2011

SHOW AO VIVO NA RÁDIO UEL FM

Nesta quarta, ao vivo, Rodrigo Garcia Lopes e André Siqueira fazem um pocket show na Rádio UEL FM (107.9). Será das 11 da manhã ao meio-dia, no programa Trem das Onze

Rodrigo toca algumas canções que farão parte de seu próximo CD e conversa com o pessoal do programa. No repertório, músicas de seu primeiro disco ("Polivox"), como "Mulher da Multidão", "Ruído do Vidro", e inéditas como "Adeus" (parceria com Paulo Leminski), "Álibi", "Quaderna", entre outras.

** LINK da Rádio na rede:
http://www.uel.br/uelfm/arquivo.php?id=8052

Rádio UEL FM: 107.9

Quarta-feira, Novembro 23, 2011

UM POEMA






traída pelo
vento de inverno

a bela
borboleta

lenta- (asa
flor fluindo)
mente

caindo sobre
um rio
congelado

(amargo é
voar

tão longe
pra morrer:

melhor voar pra sempre)



Rodrigo Garcia Lopes (do livro inédito Estúdio Realidade)