domingo, janeiro 20, 2008

NO CABARÉ VERDE, poema de Rimbaud

Este soneto é um dos grandes poemas de Rimbaud. Um poema-de-estrada, ou road poem. Nome da hospedaria ou restaurante que ele cruzou no caminho de sua fuga para a Bélgica em outubro de 1870. Cinema e rigor.


NO CABARÉ VERDE

cinco da tarde


Oitavo dia já, depois de detonar as botas

Na pedreira da estrada. Cheguei em Charleroi.

— No Cabaré Verde: eu disse solta

Um pão com manteiga, e um pernil meio frio.


Feliz da vida, estiquei as pernas sob a mesa

Verde: viajei nos motivos bregas

Do papel de parede. – E foi uma beleza

Quando a moça de olhos vivos e tetas imensas


Essa aí não se assusta com um beijo!—

Sorrindo, trouxe o sanduíche no jeito

E o pernil num prato colorido. Só


O pernil rosado e branco, perfumado por uma

Pitada de alho, e uma imensa loura gelada, sua espuma

Dourada por um raio perdido de sol.



Outubro de 1870


Au Cabaret-Vert
cinq heures du soir


Depuis huit jours j' avais déchiré mes bottines

Aux cailloux des chemins. J' entrais à Charleroi.

— Au Cabaret-Vert: je demandai des tartines

De beurre et du jambon qui fût à moitié froid.


Bienhereux, j' allongeai les jambes sous la table

Verte: je contemplai les sujets très naifs

De la tapisserie. — Et ce fut adorable

Quand la fille aux tétons énormes, aux yeux vifs,


— Celle-là! ce n' est pas un baiser qui l' épeure!

Rieuse, m' apporta des tartines de beurre,

Du jambon tiède, dans un plat colorié,


Du jambon rose et blanc parfumé d' une gousse

D' ail — et m' emplit la chope immense, avec sa mousse

Que dorait un rayon de soleil arriéré.



Octobre 1870


ARTHUR RIMBAUD

Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

2 comentários:

Moisés disse...

teu blog é muito bacana, cheguei a ele através do ademir assunção. Mês passado comprei o Ariel, depois que li algumas posias da sylvia no blog.
Gostei tanto de teu blog que linquei ele lá no meu, tá bom?
Grande abraço, Rodrigo.

Estúdio Realidade disse...

valeu moisés, um abraço,
rodrigo