sexta-feira, outubro 13, 2006

Mais Um Poema de Bukowski (saído do forno)

NÃO SOU O SABICHÃO MAS....


um dos problemas é que
geralmente quando as pessoas
sentam pra escrever um poema
elas pensam,
“agora vou escrever um
poema”
e aí
passam a escrever um poema
que
parece um poema
ou o que eles pensam
que deve ser um poema.

este é um de seus
problemas:
claro, tem outros
também:
aqueles escritores de poemas
que se parecem com poemas
começam a achar que precisam
sair por aí
lendo-os para
outras pessoas.

isso, ele dizem, é feito
pelo status e pelo reconhecimento
(eles tomam cuidado
em não mencionar
a vaidade
ou a necessidade de
aprovação imediata
de alguma platéia minguada
e idiota).

os melhores poemas
me parece
são aqueles escritos
por uma necessidade
máxima.
e uma vez escrito
o poema
a única necessidade
é escrever
outro.

e o silêncio
da página impressa
é a melhor resposta
para um trabalho
concluído.

em décadas passadas
alertei alguns
de meus
poetas-amigos
sobre a natureza masturbatória
de leituras de poesia
feitas apenas para
o aplauso de
meia dúzia de
panacas.

“isole-se e
faça seu trabalho e se você
tiver que se misturar, então
se misture com quem
não demonstra o menor interesse
por aquilo que você considera
tão
importante”.

a resposta
que recebi então
de meus poetas-amigos
foi tão raivosa
tão hipócrita
que parecia que eu
havia provado
exatamente
meu ponto de vista.

depois disso,
cada um tomou
seu seu rumo.

e isso acabou resolvendo
só um de meus
problemas
e um problema deles também,
presumo.




Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

(De Come on In!, Black Sparrow Press, 2006)

3 comentários:

Diego Barreto Ivo disse...

Desculpe-me, não gosto do Bukowski.

alvarêz dewïzqe disse...

“isole-se e
faça seu trabalho e se você
tiver que se misturar, então
se misture com quem
não demonstra o menor interesse
por aquilo que você considera
tão
importante”
isso é muito bom mesmo!

Diego Magheize disse...

O velho Buca como sempre tirando as palavras da minha boca...
Gostei do blog.