quarta-feira, abril 06, 2011


foto: rodrigo garcia lopes

BAÍA COM BIOMBOS AO FUNDO


Velha paisagem              
gaivotas roucas
olhos rebrilham

na manhã da mente
aberta em página escrita:
pérola discreta.

O Mar, velho suserano,
molha as barbas nas dunas
conquista os olhos da espuma
interrompe seu romance --

Nos acena
no exato instante
em que acordamos.







(Rodrigo Garcia Lopes, de Estúdio Realidade (poemas), in progress)

terça-feira, abril 05, 2011

DONA MENINA



Temporada:  de 8 de abril a 7 de maio, (sextas e sábados), às 20 horas, na Usina Cultural, na Rua Duque de Caxias esquina com São Salvador, em Londrina.

sexta-feira, abril 01, 2011

LAR




Viver em tantas cidades
fez de lar uma palavra estranha.
Há casas em nossas entranhas
e, dentro, apenas estações.



RODRIGO GARCIA LOPES 

quinta-feira, março 31, 2011

AMORES BRUTOS (poema de rodrigo garcia lopes)


AMORES BRUTOS


Que um beijo nos transe
Outro ser, além, nos dance
Onde a memória não alcance
O abismo do fim e seu lance.

Que este beijo não seja o bastante
Nem que me despedace
Olho do sol que franze
E que nos sangre

(O medo desse querer
Caminhos rompendo o éter
Da dor, polidor, refém
Do milagre de ser
Outra pessoa e alguém.)

Que química imita
A raiva do seu amor?
Que física duplica
Essa faísca de horror?

Que se apaguem
Nossos erros e motivos —
Toda lágrima consagre
Apenas estar vivo,
Este milagre.





(Em Nômada, Lamparina, 2004) 


domingo, março 27, 2011

OUTONO EM FUKUSHIMA













outono em fukushima

surfando ondas 

radioativas












***


rodrigo garcia lopes

sexta-feira, março 25, 2011

PEDRA DE TOQUE

[...]

Jogada num quintal

Enxuta, a concha guarda o mar 

No seu estojo


[...

Chico Buarque, em "A Ostra e o Vento"

quarta-feira, março 23, 2011

De Visibilia (poema de rodrigo garcia lopes)




Seu corpo é uma praia deserta
onde uma música desperta
numa onda esperta e a deserda:
espumas a ferem como pétalas.

Desterra, em tradução infinita,
pérolas na orla do olhar, ilha
que ainda está por ser escrita. 






Florianópolis, 1996
Rodrigo Garcia Lopes (em Visibilia, Seteletras, 1996)

REVISTA RATTAPALLAX AGORA ONLINE

A revista Rattapallax, editada pela poeta e tradutora Flávia Rocha, entre outros, migrou pra rede.
Conheça:

sábado, março 19, 2011

CALIGRAMA

http://boysalmanac.com/wp-content/uploads/2009/01/starfish_hand.jpg


abrimos os olhos
abrimos a mão

e

(milagre)
ei-la
a estrela

de pele
e carne




Rodrigo Garcia Lopes (inédito, do livro Estúdio Realidade, em progresso)

MEDUSA DE RAYBAN em Londrina


A peça Medusa de Rayban, de Mario Bortolotto, estreou na quinta em Londrina, em nova montagem, com elenco 100% londrinense, direção de Maurício Arruda Mendonça e supervisão de Paulo de Moraes. Bortolotto lançou novo livro ontem e hoje faz show com a Banda Saco de Ratos Blues.
Tudo na na Vila Cultural Cemitério de Automóveis.
Mais informações sobre a temporda a peça, aqui:
http://cemiteriodeautomoveisvilacultural.zip.net/

quarta-feira, março 16, 2011

EM AMOUR


Ainda vai haver tempo bastante
Pra ver nuvens abrirem suas pálpebras
Curtir seu gesto e seu instante
Intacto, como um milagre.

Seu olhar gritando nunca pare --
Tarde sem alarme falso, susto ou s.o.s.
Ouço no escuro você e insetos escuto
Cavando seu resto de futuro.

O corredor é longo e sem estrelas
E a gana me nina em seu vácuo.
Quanto mais recuo, mais me aproximo,
Quanto mais erro, mais rimos.
Quem sabe o efeito que isso tem:
Quando, quanto, onde, quem.







(Rodrigo Garcia Lopes, Nômada, 2004)




horas                          tão                                        líquidas

perfume                    em frascos                    fechados

segundos                   como                             vinho

instantes                    feito                               ventania

gota que                      se                                  evapora


sob                               as                                 estrelas

ninguém                    está                              sozinho





Rodrigo Garcia Lopes (em Visibilia, 1996)

quinta-feira, março 03, 2011

RYOANJI

"Podemos ver o jardim de areia como um arquipélago de ilhas rochosas na imensidade do oceano, ou antes como o cimo de altas montanhas que emergem de um mar de nuvens. Podemos vê-lo como um quadro emoldurado pelos muros do templo, ou esquecer-nos da moldura e convencer-nos de que o mar de areia pode se expandir sem limites e cobrir todo o mundo".

"Instruções de uso", no panfleto do templo Ryoanji, no Japão. Em
Italo Calvino (Palomar)

quarta-feira, março 02, 2011

Assaltaram a Gramática (1984)


Com Leminski, Ana Cristina Cesar, Wally Salomão, Francisco Alvim, Alice Ruiz e Chacal.

domingo, fevereiro 27, 2011

sábado, fevereiro 19, 2011

TOUCHSTONE

[...]


Um quase nada basta, enfim, que traia
Ao teu olhar agudo,
Para que este deduza, tire, extraia
Daquele quase nada, quase tudo...


[...]


Raimundo Correia (1859-1911, poeta parnasiano brasileiro)

NOITES EM BRANCO





NOITES EM BRANCO

 Ah, branca página,
branca e pálida vagina,
pele emudecida, papiro sem pátina
onde a cena ainda se imagina
e o mundo parece mágica.

Branca brusca página, albina,
que mão alguma assombra
poente algum assassina
ao mergulhar na penumbra.

Mudo mistério, açucar secreto,
nuvem parada, neblina, refúgio,
praia sem pegadas, neve sem vestígio,
espelho sem imagem, a penetro:  

Página que sempre me ensina
(invisível escrita peregrina)
por este labirinto de ecos:
A luz num canto do jardim
contém segredos para mim.


Rodrigo Garcia Lopes (fevereiro de 2011)

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

AUGUSTO DE CAMPOS - 80 ANOS

A revista virtual Errática publica hoje um especial em homenagem aos 80 anos do poeta, tradutor e ensaísta AUGUSTO DE CAMPOS.

AQUI:

http://www.erratica.com.br/


A revista Mnemozine também tem um especial dedicado a ele.


ICI:


http://www.cronopios.com.br/mnemozine/

domingo, fevereiro 13, 2011

EL DUENDE - rodrigo garcia lopes


EL DUENDE


O dia lapida
o lado mais raro
da dor.

A mulher transpira
pelos poros iridescentes
dos dias.

Há dias
em que um homem
tem o tamanho de uma flor.




Rodrigo Garcia Lopes 

sábado, fevereiro 05, 2011

SCHÖNBRUNN





SCHÖNBRUNN



Enquanto você espera
meus olhos vazios espanham sombras
pelos bosques de viena
e repletos de algo
que a memória já nem.
Sei que
talvez fosse no entanto
lá mesmo um lugar onde
as palavras perdessem seus sentidos
quando se precipitassem de galhos
cuja visibilidade
tornava-se impossível
depois de tamanha tempestade.

Para nosso espanto.




Rodrigo Garcia Lopes (em Solarium, Iluminuras, 1994)