sábado, fevereiro 19, 2011

NOITES EM BRANCO





NOITES EM BRANCO

 Ah, branca página,
branca e pálida vagina,
pele emudecida, papiro sem pátina
onde a cena ainda se imagina
e o mundo parece mágica.

Branca brusca página, albina,
que mão alguma assombra
poente algum assassina
ao mergulhar na penumbra.

Mudo mistério, açucar secreto,
nuvem parada, neblina, refúgio,
praia sem pegadas, neve sem vestígio,
espelho sem imagem, a penetro:  

Página que sempre me ensina
(invisível escrita peregrina)
por este labirinto de ecos:
A luz num canto do jardim
contém segredos para mim.


Rodrigo Garcia Lopes (fevereiro de 2011)

Um comentário:

vinícius alves disse...

poemaço, rodrigo.
clap, clap, clap.

amprex do vini