quinta-feira, setembro 14, 2006

ZEITGEIST

Nocauteando celebridades disfarçadas de pingüins
Monitorando a muvuca das transações e trapaças alpinistas
Serpenteando entre escadarias cravejadas de citações
Chutando o balde do crepúsculo com o bebê da aurora dentro
Chegando firme na dividida com a mentira, pisando o calo da calúnia
Colecionando estoques de paciência e delatores pederastas
Beliscando morenas de fiberglass e pixels de altíssima definição
Pegando marqueteiros pela orelha, levando o bispo milionário pelo pescoço
Mostrando seu catálogo de golpes de jiu-jítsu para web designers
Apavorando editores de moda com crucifixos de merda
Partindo pra ignorância pra cima das floriculturas
Esfaqueando a manhã e as boas intenções com sua adaga afiada
Pulverizando jogadores de genoma e modelos chipadas
Dando geral nos arquivos adulterados dos tribunais de justiça
Assaltando pipoqueiros metafísicos e banqueiros artistas de fim de semana
Distribuindo pirulitos de ácido para críticos literários
Arrebentando a boca da razão com denúncias inconseqüentes
Estrangulando docemente a tarde carregada de câmeras de vídeo & trance music
Pregando a irresponsabilidade fiscal, e anthrax para todos,
Rifando o shopping lotado de idéias fixas com um grito de jihad
O homem-bomba entra no poema.


(De Nômada, Lamparina, 2994)

4 comentários:

roberto prado disse...

Já que você declarou aberta a temporada de caça, me apresento como voluntário para esta guerra santa.

Viva quem coloca a bomba.
E viva quem a desmonta.

Grande abraço
Beco

Estúdio Realidade disse...

Grande Roberto, às armas, então!
abraço

marilia disse...

Bom ver que abriu uma janela no mundo virtual.Uma pena, estou deixando de entrar pela janela. (O Nômada é um livro à frente de seu tempo, hein, vai ser publicado daqui a mil anos).
Responde no blogue www.micropolis.blogspot.com, é mais fácil ver a resposta.
Beijinho

Estúdio Realidade disse...

oi marilia! pois é, demorou mas sucumbi. um beijo, rodrigo