sexta-feira, dezembro 21, 2007

ARIEL, poema de SYLVIA PLATH



Estase no escuro.

E um fluir azul sem substância

De rochedos e distâncias.


Leoa de Deus,

Como nos unimos,

Eixo de calcanhares e joelhos !

O sulco


Reparte e passa, irmão do

Arco castanho

Do pescoço que não posso pegar,


Olhinegras

Bagas lançam escuros

Ganchos —


Goles de sangue negro e doce,

Sombras.

Algo mais


Me arrasta pelos ares —

Coxas, pêlos;

Escamas de meus calcanhares.


Godiva

Branca, me descasco —

Mãos mortas, mortas asperezas.


E agora

Espumo com o trigo, um brilho de mares.

O choro da criança


Dissolve-se no muro.

E eu

Sou a flecha,


Orvalho que voa

Suicida, e de uma vez avança

Contra o olho


Vermelho, caldeirão da manhã.





TRADUÇÃO RODRIGO GARCIA LOPES E MARIA CRISTINA LENZ DE MACEDO

EM ARIEL, (VERUS EDITORA, 2007)

Poema escrito em 1 de outubro de 1962. Na peça A Tempestade, de Shakespeare, Ariel é o o nome do espírito do ar. “Leão de Deus”, em hebraico. Nome do cavalo que a poeta costumava cavalgar quando morava em Devon. A nobre Lady Godiva, personagem da história anglo-saxã, teria desfilado nua sobre um cavalo pelas ruas de Coventry, cumprindo a promessa do marido de que ele abaixaria, a seu pedido, os impostos da população. A única pessoa que teria ousado olhá-la teria ficado cega, conforme a lenda.

Um comentário:

Anderson Fonseca disse...

gostaria que entrassse no meu blog e dissesse ,se não incomoda-lo visitar m minha página e dizer o que acha, é www.escritosdo-exilio.blogspot.com, abraços e que Buda esteja com vc