quinta-feira, dezembro 07, 2006




sem som
esquecida em seu
refúgio de

sombras úmidas
de cuja seiva espessa
sobrevive

alguma coisa miúda,
muda, num
ramo qualquer

onde possa se
sentar
— ela nos espreita

hesita, pressente,
espera-nos passar
(até razão
estar ausente)

para que recomece
segura

a cigarra





(De Visibilia, Travessa dos Editores, 2005)

2 comentários:

ana rüsche disse...

lindo, sexy, ótimo.

hera disse...

momento presente do canto da cigarra.lindo.