terça-feira, novembro 21, 2006

O Rumor das Máquinas Crescia (de Severo Sarduy)


O RUMOR DAS MÁQUINAS CRESCIA


O rumor das máquinas crescia
Na sala contígua: já minha espera
De um adjetivo—ou de teu corpo—não era
Mais que a intenção de encurtar o dia.

A noite que chegava e precedia
O vento do deserto, a certeira
Luz—ou teus pés nus na esteira—
do ocaso, seu tempo suspendia.

Não recordo o amor e sim o desejo:
não a falta de fé, e sim a esfera—
Imagem confrontando seu reflexo

com a textura branca, verdadeira
página—ou teu corpo que inda releio—;
vasto ideograma da primavera.




Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

2 comentários:

Nelson Magalhães Filho disse...

É maravilhoso viajar nestes textos e nestas imagens estonteantes. Grande abraço Rodrigo.

Estúdio Realidade disse...

abraço, nelson