quarta-feira, janeiro 23, 2013

VERSE BROADENS THE MIND

Verse broadens the mind, scientists find
RICHARD GRAY (rgray@scotlandonsunday.com)

IF LITERATURE is food for the mind, then a poem is a banquet, according to research by Scottish scientists which shows poetry is better for the brain than prose.
Psychologists at Dundeeand St Andrews universities claim the work of poets such as LordByron exercise the mind more than a novel by Jane Austen. By monitoring the way different forms of text are read, they found poetry generated far more eye movement which is associated with deeper thought.
Subjects were found to read poems slowly, concentrating and re-reading individual lines more than they did with prose. Preliminary studies using brain-imaging technology also showed greater levels of cerebral activity when people listened to poems being read aloud. DrJane Stabler, a literature expert at St Andrews University and a member of the research group, believes poetry may stir latent preferences in the brain for rhythm and rhymes that develop during childhood. She claims the intense imagery woven through poems, and techniques used by poets to unsettle their readers, force them to think more carefully about each line. “There seems to be an almost immediate recognition that this is a different sort of language that needs to be approached in a way that will be more attentive to the density of words in poetry,” she said. “It may be because readers are trying to hear the words or recreate the imaginary event the poet has provided a script for.” Also, children seem to be born with a love of rhyme and rhythm. Then something happens and by the time we see them in the first year at university many of them are almost frightened of poetry and clamouring to study the contemporary novel.”
To study readers’ reactions, the research group focused an infrared beam on the pupils of their eyes to detect minute movements as they read.
They found poetry produced all the standard psychological indications associated with intellectual difficulty, such as slow deliberate movement, re-reading sections and long pauses. Even when they used identical content but displayed it in both a poem format and a prose format, they discovered readers found the poem form the more difficult to understand. Stabler said: “When readers decide that something is a poem, they read in a different way. As literary critics we would like to think that this is a more thoughtful way, more receptive to the text’s richness and complexity, but in psychological terms it is the same sort of reading produced by a dyslexic reader who finds reading difficult. “We focused on poetry that disturbs or unsettles readers like the work of Lord Byron. “We found that his stanza form in Don Juan does make subjects read more quickly than readers focusing on the rhymes of an elegy in a similar metre.”
Stabler believes those reading other poets, such as Robert Burns, would show similar increases in brain activity.
The group hopes to use Magnetic Resonance Imaging (MRI) scans to watch how the brain reacts as people listen to poetry and prose. Early results suggest a larger area of the brain lights up in the scans upon hearing poetry by Byron than prose by Austen. The research has profound implications for the way English literature is taught in schools, and Stabler believes they should consider placing greater emphasis on teaching youngsters poetry.
Both rhythm and rhyme have been found to be intricately linked with making and recalling memories. Stabler asked: “If poetry helps to stir memory, might it be useful in the treatment of age-related or injury related memory problems?” Dr Martin Fischer, an experimental psychologist at Dundee University involved in the project, claims the findings could also form the basis for producing new techniques for helping dyslexic children. He said: “It certainly has implications for children who have certain difficulties, like in dyslexia where a rhyming deficiency could be compensated for by exposing them to more poetry.” Members of the literary world have welcomed the research and insist it underlines the importance poetry has played in literature.
Bestselling crime novelist Ian Rankin said too many people felt intimidated by poetry without realising it was designed to be challenging. He said: “Novels first began as a form of poetry where story telling was used to pass tales from one generation to the next. This was done with rhythm and rhyme as it made the stories easier to remember. “We are even seeing that today with song lyrics – the only way rap artists can remember all those lyrics is because they have rhythm and rhyme. “Not many people pick up books of poetry anymore to read. You have to wonder if people find them too hard. “Edwin Morgan, the nation’s official Makar, the Scottish equivalent of the poet laureate, added: “Writing poetry is almost a physical experience as well as mental. Children are rarely worried about extracting too much meaning from poems, but they seem to get a much deeper experience from it.”

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Poemas selecionados para a revista Machado de Assis # 2

Três poemas meus (das obras Visibilia, Polivox e Nômada), traduzidos pelo amigo e excelente tradutor americano Chris Daniels, foram escolhidos para a revista Machado de Assis # 2, da Biblioteca Nacional, que visa divulgar a literatura brasileira no exterior.
O link para o número 1 é este aqui:

sábado, dezembro 22, 2012

GREEN FLASH (poema de Rodrigo Garcia Lopes)



GREEN FLASH


Vida, você me deu tanto
não tenho como retribuir.
Me deu a trilha sonora contínua do mar
me deu este por de sol salmão
me deu o que deus nenhum
nunca deu.

Só tenho como pagar
com minha cota diária de espanto,
minutos de silêncio
espasmos de alegria
enquanto você cria.
Só posso prometer
ser seu
biógrafo fiel e privilegiado,
seu tradutor:
enquanto, dia a dia,
você segue escrevendo a mesma beleza,
musa incansável,
inalcançável

Com suas nuvens como deuses cambiantes
com o motor do seu oceano em nossos ouvidos
com a maré vermelha ardendo nos olhos
com a tarde que ainda nos deixa uma última surpresa:
no claro infinito horizonte do mar
a moeda gigante do sol mergulha mas deixa
esse milagre gradiente:
sobre sua cabeça dourada
numa fração de segundos
um brilho verde.



Rodrigo Garcia Lopes

(21 de dezembro, The Hermitage Artist Retreat, Flórida)

Green flash; raio ou brilho verde: "fenômeno óptico que geralmente ocorre ao nascer ou ao pôr-do-sol, quando uma pequena mancha verde fica visível por um curto período de tempo acima do sol, ou próximo dele " (wikipedia).

MANASOTA KEY (RODRIGO GARCIA LOPES)




MANASOTA KEY



Nas páginas do mar
pelicanos em linha
escrevem as sombras de seus peitos
ao quase tocarem uma onda.
O sol rascunha rubros
bilhetes de despedida, toda tarde.
Golfinhos, suas barbatanas
relatam os rudes caminhos
pela pradaria das baleias.
Mergulhões redigem sua escrita kamikaze,
suicida, invisível por instantes.

Nas páginas da areia
(cujas conchas são suas obras completas)
fósseis negros de dentes de tubarão
escrevem a autobiografia
de dois milhões de anos.
Rastro de guaxinim,
seu romance de aventura
da duna à estrada.
Um siri deixa sua assinatura
sobre marcas de pneus de um SUV.
Garrafa com uma mensagem, um pen drive
com a história de um naufrágio.

Nas páginas do céu
nuvens ancestrais e sempre-novas relatam
suas viagens sobre o mundo, infinitas.
Furacões emplacam best-sellers
sobre o Golfo do México
enquanto folhas de outono caligrafam no ar
ideogramas precisos,
memórias do vento.
Satélites traçam haicais de luz.
A lua amarelo-limão descreve seu brilho solene
sobre as palmeiras da Flórida.

Eu não escrevo nada.



Rodrigo Garcia Lopes 
(dezembro de 2012, The Hermitage Artist Retreat, Manasota Key, Flórida)

domingo, dezembro 16, 2012

HOJE EM SARASOTA, FLÓRIDA

http://myemail.constantcontact.com/Hermitage-Artist-at-Bookstore1.html?soid=1101367976801&aid=9Det2HS-Cyk

NA 'ILUSTRÍSSIMA" DE HOJE


O mistério de Burroughs
RODRIGO GARCIA LOPES
ESPECIAL PARA A FOLHA

Lawrence, Kansas, 1991

      Eu colhia entrevistas para meu livro "Vozes e Visões"(Iluminuras, 1996). Estava morando no Arizona, fazendo mestrado sobre William Burroughs (1914-97). Cheguei a Lawrence, Estado do Kansas, no Meio-Oeste americano, onde o legendário escritor morava desde 1981. James Grauerholz, seu amigo e agente literário, foi me pegar na estação de trem. Senti um frio na barriga. Afinal, iria entrevistar o profeta da contracultura, o genial fora da lei da literatura, que fez a cabeça de Jack Kerouac e Allen Ginsberg e detonou uma revolução nas letras americanas.
        James percebeu minha ansiedade e disse que tudo daria certo. Quando chegamos, Burroughs já nos esperava na varanda de sua casa. Magérrimo, usando um elegante chapéu Fedora, nos acenou com sua bengala e sorriu.

James Grauerholz/Arquivo Pessoal
O escritor e compositor brasileiro Rodrigo Garcia Lopes com William Burroughs, em 1991, no Arizona
      Extremamente educado, bem-humorado, paciente e atencioso, em poucos minutos ele desmontou a imagem que eu fazia dele. Relaxei. Comentou que acabara de voltar do Canadá, onde fora acompanhar as filmagens de "Mistérios e Paixões" (baseado em "Almoço Nu", seu livro mais conhecido), dirigido por David Cronenberg.
     Impossível ficar indiferente à voz de Burroughs: metálica, arrastada e que ainda carregava o sotaque sulista de Saint Louis. De olhos azuis, o neto do inventor da máquina de calcular tinha um tique nervoso: repuxava um canto da boca enquanto falava. Ainda escrevia todos os dias. Disse que a casa estava sempre cheia de amigos e que saía cada vez menos, a não ser para dar alguma palestra ou para praticar tiro e pintar na propriedade de um amigo (as famosas "pinturas a tiro" que ele inventou).
     Sentamos na sala. Liguei o gravador. Começamos pela literatura. Falou de seus escritores favoritos (Conrad, Eliot, Proust, Rimbaud). Discutimos "o fim do romance", as vanguardas do começo do século 20 e os "cut-ups", técnica de "recortagem textual" que ele usou, sobretudo nos anos 60, para desconstruir o romance tradicional. "Hoje nós já vemos em 'cut-up'! A vida é um 'cut-up'. Toda vez que você olha pela janela ou caminha pela rua, sua consciência esta sendo editada por fatores do acaso."
     Durante a entrevista, que durou cerca de duas horas, ele fumou um cigarro atrás do outro (Player's Navy Cut, sem filtro). Levantava-se a cada 15 minutos, ia até um balcão que havia na cozinha. Erguia uma garrafa de dois litros de Coca-Cola, se servia e voltava. "Burroughs bebendo Coca-Cola?", pensei.
       Com seu raciocínio rápido e certeiro ele ia falando sobre os temas que eu colocava: linguagem, manipulação da mídia, conservadorismo, Aids ("uma invenção de laboratório"). Falou sobre o valor do acaso na criação artística, drogas, sonhos. Ao falarmos sobre as diferenças entre prosa e poesia, disse algo que se encaixa à perfeição na poesia brasileira atual. "Eu costumo dizer que a maioria dos poetas é essencialmente de prosadores preguiçosos". Pergunto sobre extraterrestres. "É bem possível que existam alienígenas vivendo entre nós. Tenho um amigo que tem contato com essas gangues". 
     Uma coisa me intrigava: durante a entrevista, em vez de ficar cansado, Burroughs ia estava cada vez mais animado e falante. Quando ele foi a seu escritório pegar algumas pinturas para me mostrar, aproveitei e fui até a cozinha. Embaixo do balcão, ao lado da Coca-Cola, havia uma garrafa de vodca quase vazia. Mistério explicado.
     Burroughs voltou com várias de suas pinturas abstratas e me presenteou com uma delas. Colocou-as sobre uma cadeira, acendeu um e me perguntou sobre o que eu conseguia ver. Então fizemos algumas fotos. Uma delas, em parceria. Fomos até o quintal, onde ele me mostrou com orgulho sua horta de tomates. Havia vários gatos (uma de suas paixões). Quando fui embora, eu ainda me beliscava. A sensação era a de que acabara de entrevistar um extraterrestre. E talvez tenha mesmo.