quinta-feira, setembro 11, 2008

BAEDEKER LUNAR (de Mina Loy, trad. Rodrigo Garcia Lopes)


BAEDEKER LUNAR


Um Lúcifer prata
serve cocaína
numa cornucópia

Para uns sonâmbulos
de coxas adolescentes
drapejados
em drapejamentos satíricos

Peris de uniforme
preparam
O Letes
para novos-ricos póstumos

Avenidas Delirantes
iluminadas
com as almas candelabros
de infusórios
das lápides do Faraó

levam
a juízos finais mercuriais
Oásis odioso
no fósforo sulcado — — —

o olho-branco luz-de-céu
distrito das luzes brancas
de cios lunares

— — — Anúncios estrelétricos
“Strip Tease na Starway”
“Carrossel Zodíaco”

Ciclones
de pó estático
e cinzas rodopiam
cruzados
de cidadelas alucinadas
de vidro estilhaçado
em crateras evacuadas

Um rebanho de sonhos
pasta na Necrópolis

Das praias
de oceanos ovais
no Oriente oxidado

Odaliscas olhiônix
e ornitólogos
observam
a fuga
de Eros obsoleto

E a “Imortalidade”
mofa . . .
nos museus da lua

“Cíclope noturno”
“Concubina de cristal”
— — — — — — —
Com pústulas de personificação
a virgem fóssil dos céus
enche-se e mingua






MINA LOY(1882-1966)
TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA LOPES


Poema retirado do livro The Lost Lunar Baedeker. Ed. Roger L. Conover. New York: Farrar Straus Giroux, 1996. Em Revista Coyote número 1, 2002.


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“Baedeker Lunar”. Baedeker, famoso guia turístico europeu. Escrito por volta de 1921. Na mitologia persa “peris” são duendes ou elfos descendentes dos anjos maus que são proibidos de entrar no Paraíso até que paguem seus pecados. Letes, rio do esquecimento na mitologia greco-romana, cujas águas produziam perda de memória daqueles que a bebessem. Infusória: organismos microscópicos encontrado em matéria orgânica em decomposição.

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