sexta-feira, setembro 12, 2014

OUTRAS PRAIAS * Rodrigo Garcia Lopes

 
       
    




       OUTRAS PRAIAS



O ar do verão vibrava como imitação
que os dedos do maestro regiam, Além,
(uma outra palavra para Adeus)
E sua ausência imediata, que são próprias
das coisas consideradas fora de seus centros;

Náufragas, como ilhas dispersas circundadas
por tanta Luz, e o mar hibernando o surf
das manobras rápidas, radicais, engolindo praias,
prises e personas
Uma tontura que persiste após
o estrondo doce do amor, antes e agora dobrando-se no Tempo

Tudo a caminho, tudo rápida passagem, impressões,
a textura da areia, seixos
ao redor do sexo que é tudo e que sustém em linguagem
Viva, a linguagem das marés e dos exercícios estratégicos do vento
que uiva às coisas e nomeia lagoas e dunas, uma gíria imaginária

O mar da página de jornal, gaivotas
bicando lâmpadas à procura de águas vivas, quebrando-se
Cristais,
& uma visão do vórtex do vir-a-ser distraindo
as cores excessivas, todo ornamento inútil, recolhidas em
fotografias dinâmicas, e que se revelam lentamente em suas
ausências em fuga, como nós, aos pés destas pedras, refletindo-nos
na mudança desse poço, em sua condição.

O que vemos daqui são gestos que querem o além
o reflexo de terras nunca vistas,
brisas nunca sentidas, uma viagem
sem volta a territórios livres, como nômades detidos
no meio de uma tempestade obsessiva. O que
carregamos são espelhos que refletem sempre
o diferente, enquanto nós, eu e você
mudamos juntos. Nuvens
dissipam-se em doces fragmentos, sentidos acenam
do outro lado da baía, onde estivemos
Há alguns instantes que ficaram

Misturados com a lembrança do instante diferenciado,
um ideograma na fumaça do cigarro, o haikai mais simples
recolhido num vazio que vibra, diz, e muda.
Um brilho secreto, isso o mar também nos traz
sem cobrança alguma
e além do privado e do profundo jaz
o não dito, o absurdo de calar, o conferido:
penínsulas e abraços

de mar, studio marinho. E o modo como ele
endereça suas maresias a nós mudos e humanos
com seu estilo que no fim revela ser apenas
a mancha do mar em sua blusa, uma blueprint, um sim.



2



O Agora voava, deixando nossas respostas
sem pergunta alguma.
Acabamos nos cruzando, a caminho da estação
onde nada se detém, na luz que grita atrás das montanhas,
No som de nossas vozes e olhares assustados
como sempre
Sílabas apagando beijos como a maré faz com nossas pegadas
recolhendo
Apenas o silêncio, o silêncio.
Registros de amanheceres sendo
Eternamente abertos para agentes secretos
Até que a página se vire como onda

Deixando paisagens no retrovisor
Longe de qualquer ideal de transparência ou nostalgia.

Linhas que nada são a não ser a trajetória das gaivotas
Deliciadas com as horas que ainda restam antes do pouso.
Primeiro dia de sol, a casa está vazia.
Tesouras repousam quietas ao lado de
Gencianas. Nova Geografia. A cena
Está quase completa, viva nos músculos que apanham rápido
um clichê qualquer no ar, uma sombra. A voz, cada vez mais,
Se estilhaçava, ficando assim impossível dizer
Quem falava ou soprava o vento
no stylus das árvores rabiscando um céu
que não era bem assim
O que se queria dizer, um espaço implodido a cada passo
Dentro do corpo onde a natureza sopra seu processo
As sentenças do mesmo rio nunca o mesmo rio
Códigos nascidos sem qualquer charme, e a gravidade
De tudo o que prossegue, indestrutível, viagem.




3



Aqui o céu é fino feito papel.



Regras se dissolvem como uma velha palavra na boca
velha manhã com um gosto de folhas secas na boca
Muito viva vívida doce e muito viva
distribuindo seu teatro, lírica barata, seu Gesamtkuntswerk,
nos telhados onde pássaros respiram, quietos,
sendo observados por gatos negros e cantados obsessivamente por
Cigarras. invadem o verão. A indistinta voz que distribui
sons secos pela estação dos sustos, para além de si, desejo
De um presente acelerado como as ondas deste
doce Desterro,
O modo vazio e pleno como o olhar
faz
de tanta luz
o ar vibrar

Nos sentimos Oceanus, Pan, nos sentimos mais humanos
& sacamos
parte da hera tomando a janela onde pouco ou nada é dito
Apenas sentido, o limite de um "ouvir-se dizer"
que já não diz, reprisa
Velhas cenas de um teatro previsível.
Apenas o espectador mudou no fim de tudo
E as estações se amontoam num canto do céu esperando
Um milagre, uma confortável
Invisibilidade, que não tem nada a ver com
O excesso desse sol depois de três dias de chuva
Três úmidas palavras sussurradas e conduzidas como o vento faz

Às nuvens, nada necessariamente difícil ou vazio
gruda à pele, livre
De qualquer engodo, assinatura, assunto.
Horas e horas de vidro, sentenças sem nome flutuam
no manso ar do verão do interior e suas diferenças
Vêm à tona, enfim, o que nos deixa ao menos
uma chance para ouvir uma chuva invisível
atrás da porta pela qual acabamos de passar.








           Rodrigo Garcia Lopes (Solarium, editora Iluminuras, 1994)

quinta-feira, setembro 04, 2014

"O TROVADOR" NO GUIA DA FOLHA

Nota sobre O Trovador no Guia da Folha por REYNALDO DAMÁZIO

quarta-feira, agosto 13, 2014

"O TROVADOR" (Editora Record) na revista CULT

LANÇAMENTOS

CRIME E POESIA

"Já conhecido por seus versos extensos e pelo lirismo intenso de sua poesia, o jornalista e escritor Rodrigo Garcia Lopes surpreende os leitores agora em seu romance de estreia, O Trovador. A história se passa em 1936, em Londrina, cidade visceral onde Lopes nasceu e onde ocorre um homicídio-canção enigmático. Contextualizada à história da época, a narrativa é conduzida pela investigação do assassinato e pela procura do matador, que é também poeta. A missão de ligar crime e poesia cai nas mãos de Adam Blake, um tradutor e intérprete com o auxílio de Lord Lovat, presidente de uma companhia de terras mantida pela Parana Plantations Limited".

Gabriela Soutello (Cult 193, agosto de 2014)


terça-feira, agosto 05, 2014

EL ORNITORRINCO NARANJA





Bestiário organizado por Claudio Daniel, reúne poemas sobre bichos.
Com Wilson Bueno, Rodrigo Garcia Lopes, Caudia Roquette-Pinto, entre outros 

Participo com dois poemas, de Solarium (1994) :
"Sem Som" e "gatos"

EL ORNITORRINCO NARANJA
ISBN 978-85-8234-063-9
100 p.
São Paulo: Lumme, 2014

sábado, agosto 02, 2014

Sobre "O Trovador" (Editora Record)

"O Trovador é um genuíno romance policial histórico. Numa época em que a grande maioria dos ficcionistas do gênero aposta em novas formas e leituras, Rodrigo Garcia Lopes realiza o caminho inverso, volta à clássica forma dos romances ingleses de detetives da primeira metade do século 20. Em suas páginas estão presente todas as ferramentas clássicas do gênero: crimes misteriosos, pistas falsas, reviravoltas investigativas, homens durões, mulheres sedutoras, descrições metódicas, mentes diabólicas, enigmas, segredos, estratégias e ambições. Elementos que se ajustam à época em que a história se desenrola". 

MARCOS LOSNAK


"O Trovador"
Autor – Rodrigo Garcia Lopes
Editora – Record
Páginas – 406
Quanto – R$ 45
 

quarta-feira, julho 30, 2014

Satori Uso na antologia Haicai do Brasil, organizada pela Adriana Calcanhotto

SATORI USO é dos 33 poetas que fazem parte do livro "Haicai do Brasil", organizado pela Adriana Calcanhotto (Edições de Janeiro), que será lançado amanhã na Flip, em Paraty. O time conta ainda com Millôr, Érico Veríssimo, Mário Quintana, Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

terça-feira, julho 29, 2014

"O TROVADOR" no jornal O Estado de Minas de hoje


Estreia madura »

Rodrigo Garcia Lopes lança 'O Trovador', seu primeiro romance

Escritor, tradutor e pesquisador, Rodrigo já teve passagens pela Europa e Estados Unidos antes de se concentrar no novo trabalho

Carlos Herculano Lopes - EM Cultura Publicação:29/07/2014 08:24Atualização:29/07/2014 08:22
Rodrigo Garcia Lopes lança o romance O trovador depois de longa experiência literária (Jacqueline Sasano/Divulgação)
Rodrigo Garcia Lopes lança o romance O trovador depois de longa experiência literária (foto Jacqueline Sasano)
Paranaense nascido em Londrina, no Norte do Paraná, Rodrigo Garcia Lopes percorreu longo caminho na literatura até publicar seu primeiro romance, O trovador, com o qual foi um dos contemplados com a Bolsa Funarte de Criação Literária, e que acaba de sair pela Editora Record.

Formado em jornalismo, antes de lançar-se na ficção Rodrigio escreveu alguns livros de poemas, entre eles Solarium (Iluminuras, 1994); Visibila (Sete Letras, 1997); Polivox. Poemas (Azougue Editoria, 2001) e Nômada (Lamparina, 2004). Em meados da década de 1980, fez uma viagem de dois anos pela Europa e na volta criou a revista literária Hã. Algum tempo depois, nos anos de 1990, foi para os Estados Unidos, onde fez mestrado na Arizona State University, com tese sobre os romances de William Burroughs, escritor da geração beat que surgiu nos EUA na década de 1950, e balançou os alicerces culturais do país.

Foi também durante esse período passado na América do Norte que Rodrigo Garcia Lopes teve a chance de realizar 19 entrevistas com famosos como John Asbery, Marjorie Perloff, Allen Ginsberg, Nam June Paik, Carlhes Bernstein, além do próprio William Burroughs, entre outros. Trabalho de fôlego, hoje referência para os que estudam a obra dessa turma. As conversas vieram a público com o livro Vozes & visões: panorama da arte e cultura norte-americana de hoje, lançado pela Iluminuras em 1996.

Com todo esse currículo, e ainda tradutor de diversos livros de poemas de autores como Walt Whitman, Sylvia Plath e Arthur Rimbaur, Rodrigo Garcia Lopes se sentiu à vontade para fazer ficção, sem o impulso impensado dos apressados, que depois costumam se arrepender amargamente.

Não foi o que ocorreu com O trovador, que chega maduro às livrarias, e no qual o escritor conta uma história enigmática, com todos os ingredientes das boas aventuras policiais, cujo cenário passa pela Londrina dos anos de 1930, quando começou a exploração de café e madeira no Norte do Paraná.

A trama começa quando uma palavra de origem provençal e um poema enviado a Eduardo VIII, rei da Inglaterra, são encontrados em um pedaço de papel deixado na boca de um morto, uma vítima a mais de vários assassinatos ocorridos no Sul do país. Desvendar esse mistério caberá a um detetive, tradutor e intérprete, que é mandado ao local do crime. A partir daí, num ritmo alucinante, a narrativa de Rodrigo Garcia Lopes, segundo Joca Reiners Terron, que fez o prefácio, entrega tudo ao leitor, “menos a traição.”

O trovador
>> De Rodrigo Garcia Lopes
>> Editora Record
>> Romance, 406 páginas
>> R$ 45

segunda-feira, julho 21, 2014

Sobre "O Trovador", no Zero Hora de hoje

“Um inusitado romance policial brasileiro escrito pelo também poeta, tradutor e compositor Rodrigo Garcia Lopes. Em sua estreia na narrativa longa, Garcia Lopes arma uma trama de crimes em série na Londrina dos anos 1930, assassinados por um misterioso personagem chamado “o trovador”. Com o pretexto da narrativa de crime, Garcia Lopes recupera também uma certa atmosfera de faroeste do passado de Londrina, repletas de madeireiras, fazendas de café e imigrantes de várias procedências (O Trovador, editora Record, 406 páginas, R$ 45)

ZERO HORA (Prateleira, Segundo Caderno)

http://www.noticiahoje.com.br/NoticiaImpresso.aspx?ID=16593931.124428.881496

sábado, julho 19, 2014

David Lodge sobre consciência e poesia



 "A literatura é um registro da consciência humana, o mais rico e mais abrangente que temos. A poesia lírica é o esforço mais bem sucedido do homem, sem dúvida, para descrever qualia [a natureza específica da nossa experiência subjetiva do mundo]. O romance é o esforço mais bem sucedido do homem, sem dúvida, para descrever a experiência de seres humanos individuais que se deslocam através do espaço e do tempo".

David Lodge

terça-feira, julho 15, 2014

Resenha de "O Trovador" na Folha de Londrina


Sangue na terra vermelha
Marcos Losnak
Especial para Folha2

"O Trovador", primeiro romance do poeta londrinense Rodrigo Garcia Lopes, mergulha na história do nascimento da cidade
Description: rquivo FOLHA
A trama desenvolvida por Rodrigo Garcia Lopes abrange desde conspirações internacionais de grandes proporções até pequenos ressentimentos masculinos provocados por mulheres fatais
Description: eprodução

Muito pó. Muita lama. Barulho de machados e árvores caindo. Imigrantes de 33 etnias e de várias partes do Brasil. Som de martelos por todos os lados. Uísque escocês rolando em todos os bares. Família e faroeste. Igreja e bordel. Uma cidade sendo erguida por homens onde o bem e o mal se confundem.

Esse é o cenário escolhido pelo poeta londrinense Rodrigo Garcia Lopes para seu primeiro romance, "O Trovador", que acaba de ser lançado pela editora Record. A cidade de Londrina no ano de 1936, a frente de colonização criada pelos ingleses no sertão do norte do Paraná.

"O Trovador" é um genuíno romance policial histórico. Numa época em que a grande maioria dos ficcionistas do gênero aposta em novas formas e leituras, Rodrigo Garcia Lopes realiza o caminho inverso, volta à clássica forma dos romances ingleses de detetives da primeira metade do século 20.

Em suas páginas estão presente todas as ferramentas clássica do gênero: crimes misteriosos, pistas falsas, reviravoltas investigativas, homens durões, mulheres sedutoras, descrições metódica, mentes diabólicas, enigmas, segredos, estratégias e ambições. Elementos que se ajustam à época em que a história se desenrola.

Tudo começa quando, na Inglaterra de 1936, o inspetor Hugh Sinclair e o político Winston Churchill intimam o nobre lord Lovat a realizar uma viagem ao Brasil para saber o que está acontecendo em Londrina na Parana Plantations Limited (mas conhecida como Companhia de Terras Norte do Paraná), empresa de colonização britânica comandada por Lovat.

O fato é que um funcionário da empresa foi assassinado em Londrina e outros dois estão desaparecidos. E o episódio está ligado a uma correspondência misteriosa recebida pela majestade do trono britânico Eduardo VIII (o principal acionista da Parana Plantations): um poema provençal.

Assim Lovat segue para Londrina na companhia do jovem tradutor-intérprete Adam Blake. Percorrendo as ruas da cidade, os dois trombam com crimes cada vez mais enigmáticos e, a cada pista elucidada, um novo assassinato acontece.

A trama desenvolvida por Rodrigo Garcia Lopes abrange desde conspirações internacionais de grandes proporções até pequenos ressentimentos masculinos provocados por mulheres fatais. O cotidiano da cidade também aparece ao lado da arte da poesia, que no romance funciona como enigma a ser decifrado, uma arte que guarda a síntese de sentidos e acontecimentos.

"O Trovador" deixa transparecer que foi fruto de uma pesquisa histórica detalhada associada a uma boa dose de criatividade ficcional. As doses de ficção e fatos históricos dialogam entre si não apenas para desenhar a Londrina de 1936, mas também para oferecer uma visão mais diversificada da lenda do pioneiro bonzinho, honesto e trabalhador.

Tudo indica que haverá uma posterior continuação do romance. Mesmo com Blake elucidando assassinatos, tramoias e trambiques de grandes proporções, várias pontas ficam sem amarras, ficam abertas para novos fatos e consequências. "O Trovador" é um romance policial que sai do ambiente da terra vermelha para percorrer temas históricos universais.


SERVIÇO
"O Trovador"
Autor – Rodrigo Garcia Lopes
Editora – Record
Páginas – 406
Quanto – R$ 45
- Companhia de terras? – perguntou.

Blake fez que sim.
- Da Inglaterra?
Blake balançou de novo a cabeça.
- Bem vindo ao fim do mundo... Vai ver em que bela porcaria de cidade o senhor veio parar.

Blake riu.

- Não pretendo ficar muito tempo. Só vim resolver algumas coisas.

- É o que todos dizem. O jeito é se divertir. – A moça arrumou a mecha negra sobre os olhos e concluiu: - Bom, todo mundo é meio estrangeiro. A cidade é nova demais. O senhor fala português muito bem. O que faz da vida?

- Sou tradutor.

A moça continuou a sustentar o olhar em direção de Blake. Parecia não ter entendido.

- Traduzo o que as pessoas falam ou escrevem – explicou Blake.

Ela deu uma tragada, soprando a fumaça para o teto.

- Ah, então é alguém que vive da palavra dos outros?
Blake fez um olhar surpreso para a moça e deu de ombros.
- Digamos que eu facilito a comunicação entre as pessoas que não falam a mesma língua.

A moça fez que entendia com um gesto de cabeça, bebericou o gim, passando a língua sob os lábios superiores. – Então veio pra cá para nada. Vai logo aprender que em Londrina só se fala uma língua.

- E qual seria?

A prostituta sorriu:
- Dinheiro.

 
(Fragmento de "O Trovador", de Rodrigo Garcia Lopes)

quinta-feira, julho 10, 2014

Jornal de Londrina: matéria sobre "O Trovador"

Romance policial convida o leitor a ser também um detetive

Primeiro do poeta Rodrigo Garcia Lopes, livro é uma narrativa policial que se passa na Londrina nascente dos primeiros anos da década de 1930


09/07/2014 
Juliana Gonçalves
 

     Um triângulo amoroso entre funcionários da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) resulta num assassinato na Londrina ainda nascente dos primeiros anos da década de 1930. O colonizador Lord Lovat recebe a missão de investigar o misterioso caso cuja pista principal é a poesia. O que é real e o que é ficção nessa história, o escritor Rodrigo Garcia Lopes deixa por conta da perspicácia do leitor. Primeiro romance do londrinense – que já tem cinco livros de poemas publicados e concorre com um deles ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa – O trovador será lançado por aqui em agosto. 


Acervo Museu Histórico de Londrina
Acervo Museu Histórico de Londrina / Londrina nos anos 1930 é cenário do primeiro romance de Rodrigo Garcia Lopes 
Londrina nos anos 1930 é cenário do primeiro romance de Rodrigo Garcia Lopes


    Ele sabia que, cedo ou tarde, teria que enfrentar o desafio de escrever um romance. Só não achava que sua estreia na ficção se daria por uma narrativa de mistério, até perceber que, dentre os gêneros narrativos, o policial é o que mais se aproxima da tão familiar poesia. “A narrativa policial estabelece um jogo com o leitor, do qual ele participa ativamente, junto com o detetive, na complicação e solução do mistério. Gosto da equação de que o leitor está para o detetive assim como o autor está para o assassino.”

Trama
 

     A colonização de Londrina – incluindo momentos na Inglaterra, Escócia e na vizinha Rolândia –, não foi escolhida como pano de fundo ao acaso. Reconstituir um período da história da cidade pela qual se diz apaixonado foi outro desafio eleito pelo poeta, compositor e tradutor. “Algumas liberdades foram tomadas na representação da cidade de Londrina e de alguns personagens, tendo em vista os requisitos da trama”, avisa. “A ação se passa no segundo semestre de 1936, e isso tem uma função vital para a trama, por motivos que o leitor irá descobrir.”
      Era o início da exploração cafeeira e madeireira por aqui. O lugar já era povoado por imigrantes japoneses, russos, alemães, espanhóis e britânicos. O mistério tem início dentro da companhia de terras, com uma enigmática palavra provençal rabiscada em um bilhete encontrado na boca da vítima. A palavra também aparece em um estranho poema enviado a Eduardo VIII, então rei da Inglaterra.

Experiência
 

     As investigações que revelarão a identidade do assassino trovador são pacientemente desenvolvidas por Lord Lovat e o tradutor Adam Blake. Em determinado momento, a narrativa sofre um importante recuo. É quando surge na trama uma canção medieval que esconde a chave dos mistérios.
       Mais do que colega de profissão, Blake é quase a personificação do próprio autor na história. “Tentei levar para a composição do Blake um pouco da minha experiência como poeta e tradutor. Ele tem sobrenome de poeta famoso, é escocês, tem 30 anos, fala 11 línguas, é um homem do mundo, culto sem ser pedante e alguém obstinado pela verdade”.


Prêmio
 

      Enquanto comemora a publicação do primeiro romance, Lopes também celebra a indicação ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, uma das premiações de maior prestígio no país e reconhecida pelo seu rigor técnico. Ele é um dos 64 semifinalistas na categoria poesia, com o livro Estúdio Realidade, publicado no ano passado. O resultado sai nos próximos meses.

domingo, julho 06, 2014

Sobre histórias de detetive


"O que gostava nesses livros era o seu sentido de plenitude e economia. No bom livro de mistério, nada é desperdiçado, nem uma frase, nenhuma palavra que não seja significativa. E ainda que não seja significativa, ela tem o potencial para isso -- o que no final dá no mesmo. O mundo do romance se torna vivo, ferve de possibilidades, com segredos e contradições. Uma vez que tudo o que é visto ou falado, mesmo a coisa mais ligeira e trivial, pode guardar alguma relação com o desfecho da história, nada deve ser negligenciado. Tudo se torna essência; o centro do livro se desloca a cada acontecimento que impele a história para frente. O centro, portanto, está em toda parte e nenhuma circunferência pode ser traçada antes que o livro chegue ao fim.

O detetive é quem olha, quem ouve, quem se movimenta nesse atoleiro de objetos e fatos, em busca do pensamento, da idéia que fará todas essas coisas se encaixarem e ganharem sentido. Com efeito, o leitor e o detetive são permutáveis. O leitor vê o mundo através dos olhos do detetive, experimentando a proliferação dos detalhes desse mundo como se o visse pela primeira vez".

Do personagem Quinn, autor de romances de detetive.

PAUL AUSTER, em Cidade de Vidro (tradução: Rubens Figueiredo")

terça-feira, julho 01, 2014

Romance policial: O TROVADOR, de Rodrigo Garcia Lopes (Editora Record)

Romance brasileiro Home > Romance brasileiro > O Trovador
O Trovador
Autor: Rodrigo Garcia Lopes
EAN: 9788501030344
Gênero: Romance brasileiro
Páginas: 406
Formato: 16 x 23 cm
Editora: Record
Preço: R$ 45,00
   
Romance policial escrito nos moldes de grandes narradores como Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, O Trovador nos leva à Londrina dos anos 1930, cidade criada à imagem da capital inglesa. É na paisagem dos trópicos que o tradutor Adam Blake e lorde Lovat, presidente da companhia de terras britânica Parana Plantations, buscarão a chave dos mistérios que se escondem nas entrelinhas de uma canção medieval.
Rodrigo Garcia Lopes dá vida a aventureiros, estrangeiros de passado obscuro, trabalhadores sujos de serragem, fazendeiros engravatados e empresárias da noite, personagens que nos ajudam a desvendar uma série de assassinatos tem como pista a poesia. Um dos poetas mais consistentes de sua geração, Garcia Lopes prova, em sua estreia na ficção, ser um narrador completo.

•     Rodrigo Garcia Lopes é poeta, compositor, jornalista e tradutor de autores como Walt Whitman, Sylvia Plath e Arthur Rimbaud. É autor de diversos livros de poemas, entre eles Estúdio Realidade, finalista do Prêmio Portugal Telecom 2014.
•     Para escrever O Trovador, Rodrigo Garcia Lopes foi agraciado com a Bolsa de Criação da Funarte.
•     “Tudo é surpreendente neste romance, da exatidão ao aplicar as regras do policial norte-americano e inglês dos anos 30 à sua rigorosa pesquisa histórica.” – Joca Reiners Terron