Takes do poema "Cigarra", poegif de Marcelo Sahea."Storm the Reality Studio, and retake the universe" ("Assaltem o Estúdio Realidade, e retomem o universo") WILLIAM S. BURROUGHS
sexta-feira, novembro 07, 2008
OS POEGIFS DE MACELO SAHEA
Takes do poema "Cigarra", poegif de Marcelo Sahea.quinta-feira, novembro 06, 2008
PRIMEIRO TREINO DA ARGENTINA SOB O COMANDO DE MARADONA
Nossos correspondentes do Estúdio Realidade na Argentina conseguiram imagem exclusiva do primeiro treino coletivo e secreto da seleção argentina, agora sob comando de Maradona.
A CAROLINA TAMBÉM É AZUL

Acabaram de sair os resultados da apuração na Carolina do Norte, e Barack Obama ganhou aqui também, capturando mais 15 votos no colégio eleitoral, contabilizando 100 a mais do que ele precisaria pra ser eleito (270). É um feito e tanto: além de ter ganho na Virginia, Ohio e Pennsylvania, a última vez que um democrata ganhou aqui no estado foi em 1976, com Jimmy Carter. Isso mostra o significado histórico desta eleição. Ele ganhou em todas as faixas de eleitorado (perdeu por bem pouco entre os brancos). Fora incidentes isolados no Mississipi, o povo está esperançoso e radiante com a eleição do primeiro negro presidente na história americana, ainda mais sabendo que há 44 anos eles andavam ainda apanhando e sendo linchados aqui no sul. Mas ele não enfatiza o fato de ser negro, pra deixar claro que é o presidente de todos os americanos. O mundo vai precisar de sua frieza, nervos de aço, inteligência, diplomacia e carisma para atravessar esses anos conturbados. Eu estou colocando a maior fé, como coloquei no Lula. No seu discurso como eleito, foi sóbrio, solene, não quis saber de muita festa: já no dia seguinte (ontem) já anunciava sua equipe de transição, pra evitar o mico de Clinton, que só anunciou a equipe cinco dias antes da posse. Vai ter muito trabalho pela frente, a pior crise econômica desde 1929: esperemos que derrube o embargo a Cuba, que abra Guantánamo, que faça a retirada rsponsável das tropas do Iraque, entre outras coisas. A esperança venceu o medo, realmente. É torcer por ele, porque não nos resta muitas alternativas.
terça-feira, novembro 04, 2008
OBA MA!

domingo, novembro 02, 2008

RAYMOND CHANDLER
quarta-feira, outubro 29, 2008
SOBRE POESIA
http://portalliteral.terra.com.br/artigos/as-vozes-do-poeta
Aqui, trechos da entrevista:
Referências
"Eu teria que te oferecer uma antologia para responder a isso. São tantos os poetas que foram importantes para mim, de várias nacionalidades: Walt Whitman, Rimbaud, Mayakovski, Dante, cummings, Bashô, William Carlos Williams, Shakespeare, Fernando Pessoa, Emily Dickinson, Laura Riding, Drummond, Murilo Mendes ou contemporâneos como John Ashbery, Ginsberg, Kerouac, Leminski, Burroughs. Quando gosto muito de um poeta, pelo 'que' e pelo 'como' ele/a diz algo, sinto compulsão em traduzí-lo/a."
Escrever
"Neurologistas como Damasio têm provado que a emoção e a consciência são simultâneas, que não há separação entre corpo e mente. Eu diria que, muitas vezes, meus poemas tentam captar o que ele chama de 'sensação do que acontece'. Isso não quer dizer que eu seja devoto do espontaneísmo. Não: a escrita poética exige constante reescritura. O poeta, diante de seu poema, como se pilotasse uma ilha de edição, passa a desempenhar as funções de editor, reescritor, tradutor, revisor, músico, iluminador etc."
Poesia própria
"Em Polivox e mesmo em Solarium minha poesia aponta para um gosto pela experimentação, pela polifonia, pela diversidade de estilos, tons, pegadas, poéticas. Gosto do verso de Whitman em que ele diz 'Eu me contradigo, sou vasto . . . contenho multidões'. Pessoa e seus heteronômios, Pound e suas personas, Rimbaud e seu 'Eutro', Whitman e seu conceito de 'merge' ou fusão de opostos, todos esses conceitos são condizentes com minha maneira de encarar a atividade poética."
Publicar
"Demorei dez anos para conseguir editar Solarium. Passei por umas dez editoras diferentes, e senti na carne o que é ser um jovem poeta em busca de editora. Quando publiquei Solarium, já tinha publicado as traducões de Sylvia Plath e Rimbaud pela Iluminuras. Mesmo assim tive que pagar a edição do meu bolso."
Crítica literária
"A poesia está cada vez mais jogada pra escanteio pelo jornalismo cultural, por exemplo, que prefere valorizar prosadore(a)s que usam piercing, tenham nomes em inglês, que sejam abertamente narcisistas, falsamente escatológicos ou politicamente incorretos. De poesia, só se fala quando é para se falar dos clássicos. Ninguém a discute, fora da universidade, com seriedade. A criação de revistas literárias parece ter esta função fundamental de preencher esta lacuna, servir de espaço alternativo de reflexão, criação e divulgação de novos autores, fora do eixo Rio-São Paulo."
Significado de poesia
"Poesia é a arte da linguagem verbal. Uma forma de organizar o caos ou caotizar a ordem. Um passaporte para outros estados de percepção e para um maior entendimento do mundo."
terça-feira, outubro 28, 2008
COYOTE 18 DE TOCAIA
Em novembro tem COYOTE nova na praça.
Dossiê com Márcia Denser, traduções de Michel Houllebecq, Paul Éluard, haikus de Jack Kerouac, prosa de Alberto Lins Caldas, poemas de Joca Reiners Terron, fotos de Iatã Cannabrava e muito mais.


NOVA ZUNÁI NA REDE
http://www.revistazunai.com/
A PALAVRA BRANCA DE LAURA RIDING
Você chegou comigo, eu cheguei com você, à estação que devia ser inverno, e não é: não retornamos.
Não retornamos: não voltamos ao começo: nem nos movemos. Eu levei você, você me levou, ao próximo e próximo espaço de tempo e ao último — e é o último. Fique contra mim, então, e encare e olhe bem através de mim, então. Não é muro algum para ser escalado e deixado para trás como as velhas estações, como os poetas que eram as estações.
Fique contra mim, então, e encare e olhe bem através de mim, então. Não sou nenhum poeta como você que tem a cada espaço de tempo saltado as altas palavras rumo a próxima profundidade e estação, sempre a próxima estação, sempre a última, e a próxima. Eu sou um muro de verdade: só lhe resta olhar bem através de mim.
É um muro falso, um poeta: é uma palavra mentirosa. É um muro que fecha e não se fecha.
Isto não é nenhum muro que fecha e não se fecha. É um muro pra se olhar dentro, não é nenhuma outra alta temporada. Além dele não existem altos e baixos de mais viagens, sem meio do caminho. Fique contra mim, então, e encare e olhe bem através de mim, então. Como muro de poeta fico, embora não seja um poeta como um muro sendo erguido entre o próximo e próximo vão e tornados falsos e intransponíveis. Enfim, sou um muro de verdade: só lhe resta olhar bem através de mim.
[ ... ]
Trecho inicial de poema de Laura Riding, em Mindscapes (Iluminuras, 2004)
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes
quinta-feira, outubro 23, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
VALSA BRASILEIRA
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Edu Lobo & Chico Buarque
AO VIVO

O inverno lança estranha antologia
Trevos de trevas e liláses de solidão
Colisão de um satélite de metáforas
Relatos de narcisos terroristas
Provocam alta nas cotações de nuvens de lixo espacial
Racha na cópula de abelhas de absinto
Iminência de guerra de beijos partidos
E o ano-novo passado no Nilo.
O olho do furacão sofre, sobre o Caribe
E conecta memórias-links de estrelas decadentes
Seres isolados em entropia
Soletram e tocam suas reses
Enquanto rimas serial killers invadem os pregões
E palavras apodrecem nos jornais,
No canto das bocas, sem fôlego,
No bilhete amassado e esquecido
Como tudo mais.
(Rodrigo Garcia Lopes, Nômada, 2004)
domingo, outubro 19, 2008
SHEEP IN FOG, uma leitura (Sobre um poema de Sylvia Plath)

Fila de hálito branco
descendo a colina
-- Mergulhada na neblina, bota branca
pisando mansa & macia dentro da alma das árvores.
Mundos obscuros, mudos -
"the train leaves a line of breath"
Um fio de hálito fica no caminho -
Não é um trem, dessa vez,
não é esta a tradução
e sim ovelhas simples
descendo
(em silêncio)
pela colina.
Uma dezena de pequenas almas ambulantes,
peregrinas
(vistas por alguém que não diz nada).
Uma fita fina e fria, de neblina
retida na retina
e nítida ainda -
Que se solta das mínimas narinas das ovelhas
e se dissolvem na gelada
Manhã.
Keswick, Distrito dos Lagos, Inglaterra, 1984
Rodrigo Garcia Lopes (Solarium, 1994)
terça-feira, outubro 14, 2008
GARY ZUKAV
The Dancers Wuli Masters: An Overview of the New Physics (New York: William Morrow and Co., 1979)
A ARTE DE PERDER, de Elizabeth Bishop

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
ELIZABETH BISHOP
TRADUZIDA POR
PAULO HENRIQUES BRITTO
segunda-feira, outubro 13, 2008
domingo, outubro 12, 2008
CARTA-OCEANO, de Apollinaire


A POESIA VISUAL DE “CARTA-OCEANO” E DOS CALIGRAMAS
A realização mais ousada do livro Caligramas, de Guillaume Apollinaire, em termos de composição, é “Lettre-Ocean” (publicado na Soirées de Paris em 15 de juho 1914). O poema foi concebido duas páginas abertas de um livro, como Mallarmé faz em “Um Lance de Dados”. Este poema inclusive se destaca dos demais caligramas, pois aqui as formas e objetos são mais abstratos e esquemáticos do que em poemas como os conhecidos “Chove” ou “Fonte”, que imitam de modo inequívoco o objeto a que se referem. Aqui os recursos visuais tendem à abstração e à ambiguidade: os dois blocos ondulados que separam o espaço do poema podem ser interpretados como o Oceano Atlântico (que o separa do irmão, no México) ou a ondas herzianas. Já os dois verdadeiros mandalas que ocupam a parte inferior e o centro da segunda página podem ser lidos como uma referência à roda gigante instalada no começo do século próximo à torre Eiffel, aos círculos da pintura orfista de Delaunay, a um molho de chaves (que é aludido em uma das linhas que compõe seus raios), a um disco fonográfico com suas ranhuras, ao sol e, finalmente, a torre Eiffel e sua antena de TSF emitindo transmissões de linguagem.

Como indica o título, o poema é apresentado como uma carta (carta-oceano sendo uma transmissão que se fazia de navios em alto mar para o continente, sendo usada, por exemplo, durante o naufrágio do Titanic, em 1912). Se há um tema aqui, pode-se dizer que são as novas formas de comunicação e seu impacto na percepção e na vida das pessoas. Neste poema, Apollinaire ambiciona reproduzir, ao modo simultaneísta, as barreiras vencidas pelo advento dos novos meios de comunicação (a telegrafia sem fio, o rádio, o fonógrafo, o telefone, o cinema). O gatilho do poema é a troca de mensagens e correspondências entre ele em Paris e seu irmão Albert, que estava no México. O primeiro passo é decidir por onde começar a leitura, pois se ele se apresenta simutaneamente ao nosso olhar. Primeiro, somos apresentados a “ilhas de linguagem” que desorientam nossos padrões de leitura. Lugares geográficos são indicados apenas de passagem, como alusões a eventos históricos (o terremoto em Nice, OS MAYAS, ou a revolução Mexicana).
Os blocos de ondas que dividem simetricamente a peça figuram tanto o mar que o separa de seu irmão Albert como também as ondas hertzianas que os une no ato comunicativo. Segue-se uma colagem de fragmentos de dois cartões postais. Na parte de baixo da primeira página, um forma circular nos chama a atenção: difícil decidir se ele se remete a um mandala, à forma de um molho de chaves (“Já vi milhares de chaves”, lemos num fragmento). Talvez isso tudo ao mesmo tempo, mas, principalmente quando consideramos o segundo mandala, na página direita, percebemos que os raios representam a “informação” que escapam da antena da TSF (sigla para “telegrafia sem fio” e que aparece, em fonte bem maior e em bold, entre os dois círculos, talvez também figurando a torre).
Constatamos, então, que os dois raios do círculo são formados de fragmentos de conversa (“na Tunísia você funda um jornal”) fragmentos de anúncios de jornal (“[pro]prietário de 5 ou 6 im [óveis]….”), comandos de um policial (“todo mundo circulando”), relatos de experiências sexuais (“Jaques foi um tesão”), cantadas, pequenas confissões ilicitas (“viajei de graça com minha garota”), vaias populares (“BÚÚÚ aos camponeses”), confissões etílicas ( “acordei às 2 da manhã e já bebi uma garrafa de mouton”), refrões de vendedores de sorvete (“À la créme a...") ou de um menu de restaurante, anúncios de embarque de trem (“passageiros embarcando para Chateau”), mensagens urgentes (“Páre motorista”, “o cabograma constitua em duas palavras EM segurança/A SALVO”), fragmentos de slogans políticos ("Vida longa ao Rei”) ou religiosos ( “Abaixo os padres”, “EVIVAOPAPA”), ruídos de ônibus, sirenes, interjeições, e até mesmo os ruídos que “os sapatos novos do poeta” fazem pelas ruas de Paris (descritos em letras maiúsculas e sugeridos pela repetição dos passos através da onomatopéia “cri”). Este último som também pode sugerir os ruídos da agulha saltando nos sulcos do “disco”, uma novidade na época.
Apollinaire se inspira no fato da poderosa antena ter sido instalada no alto da torre Eiffel há pouco tempo, sendo usado por militares e também como padrão de medição do tempo e para emitir mensagens militares, sinais, de rádio, fazendo dela o “centro” ou “umbigo” do mundo (outro caligrama possível). A torre aqui é transformada numa verdadeira Torre de Babel modernista. O que temos é um oceano de linguagem mas é impossível determinar sua origem. Os dois círculos também podem estar figurando a torre e a roda gigante instalada em suas proximidades na época, e que se tornou tema de ínumeros fotógrafos e pintores.
Como se não bastasse, “Carta-Oceano” ainda nos guarda uma última surpresa, pois exatamente no centro da mandala temos a informação de nossa localização verdadeira: “a 300 metros de altura” (a altura da torre Eiffel). Só então percebemos, para nossa surpresa, que a tomada proposta da torre Eiffel e seus raios não é lateral, mas de cima para baixo, como uma visao aérea: a torre Eiffel vista de cima, a emitir e receber mensagens do mundo e do ambiente urbano ao redor.
Embora ele mesmo reconhecesse que um poema, ao contrário da pintura, nao é eminentemente espacial (como a pintura ou o cinema, por exemplo) e sim temporal (lemos de fonema a fonema, de palavra em palavra) Apollinaire nos desafia, em poemas como este, a repensar a relação entre palavra e imagem, aparência e real, tempo e espaço. “Carta-Oceano” pode ser vista como uma síntese de alguns procedimentos de sua poesia, sendo uma mistura de caligrama, poema-pintura e poema-conversação. O poema, enfim, é dotado de uma rica textura textual e ainda hoje desafia nossos hábitos de leitura.

KAFKA ATACA

O escritor e editor Paulo Sandrini, de Curitiba, retoma o interessante trabalho editorial da sua Kafka Edições. www.kafkaedicoes.com.br Vejam aí alguns lançamentos.
DIA 16 DE OUTUBRO / QUINTA-FEIRA / NO BETO BATATA, ALTO DA XV (CURITIBA) / A PARTIR DAS 20H
OS 5 LIVROS DA COLEÇÃO:
ACASOS PENSADOS, LUCI COLLIN
ARQUIVO MORTO, MARCELO BENVENUTTI
INVERNO DENTRO DOS TÍMPANOS, LUIZ F. LEPREVOST
JORNAL DA GUERRA CONTRA OS TAEDOS, MANOEL C. KARAM
OSCULUM OBSCENUM, PAULO SANDRINI
sexta-feira, outubro 10, 2008
POEMA PASSAGEIRO

11/10 Chacal
12/10 Rodrigo Garcia Lopes
13/10 Ricardo Domeneck
14/10 Marcelo Montenegro
15/10 Ricardo Silveira
16/10 Angelica Freitas
17/10 Bruna Beber
18/10 Marcelo Sahea
19/10 Ana Rusche
20/10 Leo Gonçalvez
Ainda não sei em que linhas. No corredor R. Augusta / Av. Europa tem 70 ônibus com a TV da Bus Mídia. Os mesmos poemas estarão na linha Verde do Metrô e nas livrarias Cultura, Nobel e Siciliano.

