domingo, julho 17, 2011

UM PACTO (poema de Pound para Whitman)



 
UM PACTO

Faço um pacto contigo, Walt Whitman –

Já te detestei demais.

Chego a ti como uma criança crescida

Cujo pai era teimoso como uma mula;

Estou velho o bastante pra fazer amigos.

Cortaste a madeira nova.

Agora é tempo de esculpir.

Temos uma só seiva, uma raiz.

Que haja troca entre nós.





EZRA POUND (1913)
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

A PACT
I make a pact with you, Walt Whitman -
I have detested you long enough.
I come to you as a grown child
Who has had a pig-headed father;
I am old enough now to make friends.
It was you that broke the new wood,
Now is a time for carving.
We have one sap and one root -
Let there be commerce between us.

sábado, julho 02, 2011

NESTA TERÇA, NO WONKA, EM CURITIBA

Resenha de Marciano Lopes sobre POLIVOX


Uma resenha lúcida sobre meu primeiro disco, Polivox, que está completando exatos 10 anos. Escrita pelo poeta, professor e crítico Marciano Lopes.
Música & Poesia de Rodrigo Garcia Lopes 

      Este Outras Palavras é dedicado ao Cd Polivox, de Rodrigo Garcia Lopes, que foge à média da produção fonográfica devido à valorização da palavra poética e à busca de novas relações desta com a música. Conforme as palavras do próprio Rodrigo, que lemos na apresentação existente no encarte, os poemas recebem três tratamentos básicos: 1)      são musicados e transformados em canções; 2)      são tratados sob a forma de poetrilhas ou salas sonoras (aguçando uma relação cinemática com o texto); ou 3)     são lidos no “seco”, explorando o som da linguagem em si.
       Assim como em seus livros – especialmente Solarium – há no Cd pelo menos duas faces, duas vertentes poéticas: uma apolínea, zen, racional e contida; outra dionisíaca, contracultura, beatnik. Este hibridismo polifônico (daí o nome do Cd: poli = vários; vox = voz) também está presente na música, que dialoga com os mais diversos gêneros e ritmos, tais como a canção, o rock, o soul, o pop, o reggae, o blues, o jazz e o funk. Mas toda essa variação não constitui uma salada sem sentido, porque ela é feita de forma extremamente consciente, de modo que cada poema receba o tratamento musical mais adequado ao seu conteúdo. E este casamento entre forma e conteúdo, que é uma coisa rara não só na literatura como também na música, é uma das grandes virtudes do Cd. Clique, plugue ligue é um soul moderno com teclados e elementos do rap. Perfeitos estranhos é um blues que fala do vazio da separação. Mulher da multidão, poema do primeiro livro, que dialoga com o famoso soneto À uma passante, de Baudelaire, apresenta um arranjo que inclui o sample de sons urbanos (como sirenes e múltiplas vozes) acompanhados principalmente pelo baixo e pela bateria, o que resulta em um som bastante tenso. E falando em tensão e hibridismo, é muito interessante o resultado do que Rodrigo chama de um jazz-beat-surrealismo existente no arranjo do poema Solidão, que nos lembra Rimbaud a caminhar com uma folha de alface na lapela.
        A musicalidade é uma marca da sua poesia, que por mais imagética que seja nunca deixa de lado a melopéia. Aliás, este é outro aspecto de extremo valor em seu trabalho literário, pois grande parte da poesia moderna recusa não somente a discursividade (o que não é ruim, pois constitui uma reação à verborragia da nossa sociedade de consumo) como também o ritmo e a musicalidade, o que a torna, às vezes, extremamente chata, afastando-a do gosto popular. Felizmente isto não acontece nos textos poéticos de Rodrigo, mesmo quando se inscrevem na tradição zen e são lidos a “seco”, sem nenhum tratamento musical, de modo a valorizar a força poético-musical-imagética da palavra. E este é o caso de Cerejas (abaixo), poema que é pura poesia, só voz e silêncio. Aliás, o silêncio neste poema é algo muito importante, pois valoriza a palavra e a imagem, de acordo com a poética zen do qual ele é caudatário:

        
  cerejas
          podem
          parecer
          amargas
          se você nada sabe
          do solitário sabor

          experimente-as
          antes

          quando
          ainda

          forem
          flores 

       Cerejas é um poema que é estruturado em conformidade com a estética do haicai (embora cada estrofe seja formada por dois versos e não três), em que a síntese, o silêncio, a temática da natureza e a valorização da imagem em detrimento da lógica discursiva são fundamentais para o caminho da reflexão rumo à ascese e à luz. Observem a forte relação entre as delicadas imagens da natureza existentes no poema e as pinturas japonesas de pássaros e flores, às quais primam pela luminosidade resultante da simplicidade e limpeza das formas. E essa beleza, que devemos à cultura japonesa, também se encontra em El duende e Sobre um ditado antigo, duas outras maravilhosas faixas do Cd. Observem, no final do segundo poema, a sutil beleza resultante da substituição da palavra "alarde", clara e sonora devido à vogal [a], aberta, pela palavra "escândalo", sombria e silenciosa devido ao [a] nasalisado, que  não somente gera a surpresa do efeito final como também o silêncio coerente com a postura zen:

O dia lapida
o lado mais raro
da dor.
A mulher transpira
pelos poros iridescentes
dos dias.
Há dias
em que um homem
tem o tamanho de uma flor.
 
(el duende)


Vou dizer de novo o que disseram
para que a mente nunca esqueça
que um dia, folhas, nossos lábios se fizeram
relva, céu veloz, veludo e névoa espessa.

Essa fumaça no vazio é parecida
com a outra que, vida,
dura como dura o raio, quartzo
que uma pupila dilata e irradia.

Quem diria, por exemplo,
que sob a carne do incenso,
no durante da tarde,
o sândalo respira
sem fazer nenhum escândalo.
 
 (sobre um ditado antigo)
        O orientalismo presente no Cd, assim como em sua obra poética, revela a afinidade do poeta com a tradição da arte romântica, que buscou nas culturas orientais uma alternativa ao pragmatismo, à racionalidade e à barbárie da civilização moderna ocidental. Sua presença como contra-ideologia aos valores dominantes da nossa sociedade está nos elementos do zen-budismo e pode ser vista, de modo mais explícito, na faixa Thoth, em que Rodrigo constrói uma alegoria das ruínas da modernidade erigida sob o signo do terror. Num transe, o eu-lírico do poema incorpora a voz de Thoth, Deus dos Mortos e da Palavra que, segundo a mitologia egípcia, não só foi o responsável pela transmissão do alto conhecimento da civilização que morria para a nova, que nascia, como também era aquele que julgava os mortos. E seu julgamento sobre nossa civilização é claro e impiedoso. Indignado, pergunta: “Como aquilo virou isso?” e, depois, bate o martelo: “Eles, modernos, que mordam a carne bizarra e abocanhem sua módica ração, seu Estúdio Realidade”. Ao poeta, louco e amaldiçoado clown, assim como foi Cruz e Souza, de quem ouvimos o poema Assinalado (único que não é de Rodrigo), cabe a audácia dos nervos para o registro da beleza eterna, humana resposta aos tempos de terror.
                                                              Marciano Lopes

sexta-feira, julho 01, 2011

SITE TAINHA NA REDE EM ALTO MAR

Meus amigos Fernando Alexandre e Andrea Ramos, uma dupla do marulho, soltam hoje no mar da rede o site TAINHA NA REDE, o mar, a pesca e as pessoas. O projeto foi aprovado  pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet 2010 e tem como ponto de partida os aspectos culturais, literários, etnográficos e históricos relacionados à pesca da tainha (mas não limitado a ele), ritual que reúne todos os anos centenas de comunidades e milhares de pessoas ao longo do litoral brasileiro, do Rio Grande do Sul ao Espírito Santo.  Vale a pena conferir.

Ruido do Vidro Banda Beco 1995_0001.wmv

quinta-feira, junho 30, 2011

COYOTE 22 NA GAZETA DO POVO DE HOJE

Caderno G Quinta-feira, 30/06/2011


Reprodução / A capa é de autoria do fotógrafo amazonense Rodrigo Braga 
O poeta e jornalista Rodrigo Garcia Lopes, um dos editores da revista Coyote faz questão de dizer : “Prezamos antes de tudo a qualidade do texto publicado”
Jornalismo cultural

Prosa, poesia, fotografia e arte

Coyote, publicação especializada em literatura produzida em Londrina, chega ao número 22 e completa dez anos em 2012
Publicado em 30/06/2011 | Yuri Al’Hanati 

       A um ano de completar uma década de existência, a revista literária Coyote chega ao número 22. A publicação, produzida com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) de Londrina, tem como responsáveis os jornalistas, poetas e escritores Marcos Losnak, Ademir Assunção e Rodrigo Garcia Lopes, e se destina a publicar material inédito de escritores consagrados e estreantes.
A nova edição conta com textos de escritores expressivos, como Italo Calvino, Veronica Stigger e Torquato Neto, entre outros. Mas também inclui produções inéditas do londrinense radicado em Curitiba Ygor Raduy, do catarinense Vinícius Alves e do paulista Josias Abdalla Duarte, autores ainda não conhecidos do grande público. “Não damos nenhuma predileção por autor. Prezamos antes de tudo a qualidade do texto publicado”, garante Rodrigo Garcia Lopes.
      Outros diferenciais da revista apontados por ele incluem a sessão “Dossiê”, que traz uma grande entrevista com algum artista – no caso, o poeta belo-horizontino Geraldo Carneiro – e um cartum, publicado na contracapa, assinado pelo arte-finalista Beto, responsável, com Losnak, pela parte gráfica da revista. “Há também uma preocupação em divulgar o trabalgho de fotógrafos brasileiros. Sempre escolhemos uma foto para a imagem da capa, e outras fotos no interior da revista dão continuidade à proposta”, diz Lopes, sobre a capa assinada pelo amazonense Rodrigo Braga.
      Editor da revista junto com Assunção e Losnak, Lopes conta que o processo de seleção dos textos é rigoroso: “Nós três discutimos longamente quais serão publicados, e temos o cuidado de abranger uma variedade literária considerável em cada edição. Sei de editoras que leem a revista como um termômetro do que está sendo produzido. Por isso, nos sentimos na responsabilidade de publicar o que encontramos de melhor”.
       Além dos originais que chegam todos os dias pelo e-mail da revista, amigos e “curadores literários” indicam textos de escritores estrangeiros para serem traduzidos. “Já publicamos poemas de mulheres beduínas do Oriente Médio traduzidas pelo [escritor] Alberto Mussa. Da América Latina, já publicamos escritores de todos os países. Com isso, fazemos um diálogo com a literatura do mundo todo por meio da tradução.”
         Lopes, que fará um lançamento do novo número da revista junto com um pocket show na próxima terça feira no Wonka Bar, diz que a Coyote precisa resolver algumas questões de ordem logística para atingir um público maior: “Temos hoje uma tiragem de mil exemplares, sendo que já publicamos com o dobro. A [editora] Iluminuras distribui parte das edições em São Paulo e a gente se encarrega de fazê-la circular pelo sul do país, mas o fato de ainda não termos um site que disponibilize os textos anteriormente publicados faz com que os leitores sejam restritos à edição de papel. Fazer um site e aumentar a tiragem são duas prioridades da revista agora”.
Serviço
Revista Coyote (nº 22), 52 págs., R$ 5 (Londrina) e R$ 10 (demais localidades).

terça-feira, junho 21, 2011

DEFININDO A MAGIA (Charles Bukowski traduzido por Rodrigo Garcia Lopes)





um bom poema é como uma cerveja gelada
quando você está mais a fim,
um bom poema é um sanduíche de presunto, quando você está
faminto,
um bom poema é uma arma quando
os bandidos te cercam,
um bom poema é algo que
te permite andar pelas ruas
da morte,
um bom poema pode fazer a morte
derreter feito manteiga,
um bom poema pode enquadrar a agonia e
pendurá-la na parede,
um bom poema pode fazer seu pé tocar
a China,
um bom poema pode fazer você cumprimentar
Mozart,
um bom poema permite você competir
com o diabo
e ganhar,
um bom poema pode quase tudo,
isso sem dizer que
um bom poema sabe quando
parar.







Charles Bukowski
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

sábado, junho 11, 2011

HOJE: COYOTE no Bacanal Cultural (Londrina)


Não é bem um lançamento, mas a COYOTE vai estar disponível para quem pintar hoje no BACANAL CULTURAL. Abaixo, um vídeo-release do evento:


http://www.youtube.com/watch?v=EO8-7X4f-6I&feature=player_embedded#at=38

CONTRACAPA COYOTE 22

Arte de Beto.


Um poema de GERALDO CARNEIRO, entrevistado no dossiê desta edição.


À MANEIRA DO PESSOA


eu não sei nada.
não sei onde fica a Abissínia,
a Bessarábia, nem o Sri Lanka.
não sei em que descaminhos da História
perdi o Congo Belga e Madagascar.
só conheço as províncias da ficção
essas, infelizmente, imutáveis:
Shangri-lá, pandemônio, Xanadu
e outros eldorados da imaginação.
desconheço os mistérios da semântica,
misturo alhos e bugalhos,
nenúfares e putifares;
não sei por que torções a linguagem
se empavona ou se desempluma;
em suma, só admiro as palavras
como o selvagem admira um helicóptero.
a despeito dessa sólida ignorância
às vezes por acaso me deparo
com uma cena, um gesto, uma palavra
cujo esplendor desperta um mar de ressonâncias.
e de repente a insolência do sol
ilumina as minhas trevas
e eu sou como um deus parindo o mundo.


De Lira dos Cinquent'anos (1996-2002)
 

terça-feira, junho 07, 2011

LANÇAMENTO NACIONAL: COYOTE 22


Capa da nova Coyote, foto de Rodrigo Braga

 

Coyote chega ao número 22

 

Inéditos de Italo Calvino e dossiê com o poeta e letrista Geraldo Carneiro são alguns destaques do número 22 da revista editada em Londrina (PR)

 


"Sinto falta de radicalidade. É preciso encarar a prática poética com mais seriedade, violência e humor. Sinto falta de grandes polemistas, como Mário Faustino. Figuras que sejam capazes de tumultuar a cena poética brasileira, no melhor sentido" — diz o poeta e letrista Geraldo Carneiro, em dossiê publicado no novo número da revista Coyote, que chega às livrarias do Brasil esta semana.


    Outros destaques do número 22 são dois textos de Italo Calvino, publicados postumamente em Romanzi e Racconti (1993), inéditos no Brasil (em tradução de Eclair Almeida e Bruna Ferraz). Jerusa Pires Ferreira e Josias Abdalla Duarte introduzem e traduzem a poesia do galego Manuel Antonio (1900-1930), também inédito por aqui.

        Editada em Londrina (PR), o novo número traz ainda um conto em forma de peça teatral de Veronica Stigger (RS), a poesia nonsense de Edward Lear (1812-1888, traduzida por Vinícius Alves), contos de Sandro Saraiva (SP) e Márcia Barbieri (SP), inéditos de Paulo Moreira (RJ), Wilmar Silva (MG), Ygor Raduy (Londrina) e poemas de Solivan Brugnara (PR), estes dois últimos, novos talentos da poesia paranaense. Traz também o ensaio fotográfico "Desejo Eremita", do amazonense Rodrigo Braga. A contracapa é assinada por Beto.

      Em seu nono ano de existência, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, resgatando e apresentando nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a reflexão e a criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina, e editada pelos poetas Rodrigo Garcia Lopes, Marcos Losnak e Ademir Assunção.

 

COYOTE 22 // 52 páginas  // R$ 5,00 (Londrina) e R$ 10,00 (outras cidades) Uma publicação da Kan Editora. Distribuição nacional Editora Iluminuras.

 Vendas em livrarias de todo o país pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161. Pode também ser adquirida pela internet através do site: www.iluminuras.com.br

COYOTE EM LONDRINA. Banca Flamengo (Mercado Municipal Shangri-lá) E Revistaria Odisséia (Rua Jorge Casoni, 2242 - Centro)

  
PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA - SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA

 



AQUI, um poema de Geraldo Carneiro (presente em dossiê nesta edição):



bazar de espantos


eu não tenho palavras, exceto duas
ou três que me acompanham desde sempre
desde que me desentendo por gente,
nas priscas eras em que era eu mesmo.
agora sou uma espécie de arremedo,
despido das minhas divinaturas.
já não me atrevo ao ego sum qui sum.
guardo no entanto em meu bazar de espantos
a palavra esplendor, a palavra fúria,
às vezes até me arrisco à palavra amor,
mesmo sabendo por trás de suas plumas
a improvável semântica das brumas
o rastro irremediável de outro verso
ou quem sabe a sintaxe do universo

 

domingo, junho 05, 2011

UM POEMA DE NÔMADA





O mistério do ser, quem decifrou
seus trinta olhos que oscilam no ventre
do saguão em chamas do humano, a queda,
gritos escombros.

Se um círculo se faz de sensações
em outro ele se fecha.
Mundo, poeira de carne.

Então sou eu essa sombra que conversa,
sob a adaga sinistra da noite
sobre a dor do amor e a consciência de si,
o ponto zero de nós.



Rodrigo Garcia Lopes (Nômada, editora Lamparina, 2004)

sexta-feira, junho 03, 2011

PINDUCA, 50

 
O Ademir Assunção, um dos meus mais antigos e queridos amigos, faz 50 anos hoje. 

Muita água rolou desde que nos conhecemos, e ele sabe que não tem sido nada fácil esta caminhada. 

Admiro sua teimosia, sua paixão pela vida, sua voracidade pela poesia, sua garra. 

Além de ser um dos melhores jornalistas culturais do país, poeta talentoso e visceral, é um privilégio compartilhar com ele a aventura de pisar neste planeta. 

Parabéns, Pinduca!




terça-feira, maio 31, 2011

AONDE O ESPAÇO COMEÇA

É esta fina película que nos protege e nos separa do espaço sideral. Imagem da Nasa.

Imagem tirada por astronautas quando o ônibus espacial Endeavour ainda se encontrava acoplado à ISS

segunda-feira, maio 30, 2011

LEMINSKI NA UEL

1985. Bons tempos. Palestra de Paulo Leminski no curso de Jornalismo da UEL. Plateia concentradíssima nas palavras da "besta dos pinheirais". Estamos eu e Ademir Assunção na terceira fileira. Mais próximos da mesa, Alice Ruiz, Sonia Weill, Pino (ex-dono do Valentino), Carlão, Evald Loyola (pintor residente em Londres), Fábia, Rose, Milton Michida encostado na parede e mais uma pá de gente que aos poucos vão se identificando.

sexta-feira, maio 20, 2011

PROMONTÓRIO (poema de Arthur Rimbaud trad. Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça)


PROMONTÓRIO



A aurora dourada e o pôr-do-sol arrepiante cruzam nosso brick ao largo dessa vila e de suas dependências que formam um promontório tão extenso quanto o Épiro e o Peloponeso, ou mesmo a enorme ilha do Japão, ou mesmo a Arábia! Templos iluminados pelo retorno das teorias, das vistas imensas da defesa dos modernos litorais; dunas ilustradas de flores quentes e de bacanais; dos grandes canais de Cartago e os Embankments de uma Veneza duvidosa; a erupção gelatinosa de Etnas e a fissura de flores e águas glaciais; lavatórios rodeados de álamos da Alemanha; declives de parques singulares pendendo das cabeças das Árvores do Japão; e as fachadas circulares dos “Royal” ou dos “Grand” de Scarbro’ e do Brooklyn; e seus railways flanqueiam, cruzam e pendem sobre as disposições deste Hotel, escolhidas na história das mais elegantes e mais colossais construções da Itália, América, Ásia, em cujas janelas e terraços, agora cheio de luzes, de bebidas e brisas chiques, estão abertos ao espírito dos viajantes e dos nobres — permitindo, durante o dia, a todos as tarantelas do litoral, — e até mesmo aos ritornellos dos vales ilustres da arte, decorar maravilhosamente as fachadas do Palácio-Promontório.  




ARTHUR RIMBAUD
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça
Em ILUMINURAS (GRAVURAS COLORIDAS,  Editora Iluminuras, 1996.

quarta-feira, maio 11, 2011

NOVA COYOTE

Dentro de alguns dias, novidades sobre o lançamento da nova revista Coyote, a de número 22.

sexta-feira, maio 06, 2011

NESTE DOMINGO EM PORTO ALEGRE




Show com Rodrigo Garcia Lopes + nova revista COYOTE em Porto Alegre

O poeta, cantor, compositor e tradutor Rodrigo Garcia Lopes apresenta um pocket-show neste domingo, às 16 horas, na Palavraria, e lança a nova revista COYOTE no encerramento do FESTIPOA Literário


COYOTE 22

Dois fragmentos inéditos do Palomar, de Italo Calvino, texto inédito da gaúcha Veronica Stigger, dossiê e entrevista com o poeta e letrista Geraldo Carneiro são os destaques da revista COYOTE # 22

sexta-feira, abril 29, 2011

DECALQUE DE CARRO



DEUS É FIDEL





(anônimo, pescado do blog espelunca, de ademir assunção)

HAIKI

céu cor de ostra
e a pérola embaçada
do sol




rodrigo garcia lopes

quarta-feira, abril 27, 2011

______________

sob o
velho 
vento

sul

pássaros es-
piam: res-
piram o

céu.



_____rodrigo garcia lopes - inédito 2001______

PÉROLA DE NEY LISBOA

Produção Urgente


O mundo dá voltas à volta de Piccadilly Circus
Buscando a nota exótica que falta
Ao seu traje blasé televisivo

O mundo dá tratos à bola
À mesma que destrata
Pisando na miséria imediata

Contrata para produção urgente
Um negro bem dotado
E um latino quase inteligente

O mundo é dos vivos
O mundo é dos bancos
E os bancos dos mendigos

O mundo é de loucos
Que mundos não têm dono
E só somos vencidos pelo sono

O mundo é do novo
E o novo dos antigos
O mundo é quem sobrar no fim da noite
Dos amigos




NEY LISBOA

http://youtu.be/29_wZtIDFJg

terça-feira, abril 26, 2011

***




ia ser hoje


sem nome


o dia foge







***

segunda-feira, abril 25, 2011

FESTIPOA LITERÁRIA

Esta semana começa em Porto Alegre a Festipoa. Programação completa aqui. Estaremos lançando o novo número da Coyote por lá.










sábado, abril 23, 2011

DOPPLEGÄNGER




Pra você ver como é que são as coisas
precisa aprender seu dialeto,
ver de novo, dentro, o verde fora,
espelho onde sentido algum repousa,
saber o que nos falam os objetos.

As coisas não estão nada fáceis,
Se fazem de difíceis, desfiam desculpas,
Não falam mais coisa com coisa
E andam por aí com mil perguntas.

Pra você ver como é que são as coisas           
Só mesmo indo além do olhar, do breu
que elas lançam quando, por acaso,
na rua cruzam sua sombra, seu duplo, eu.


Rodrigo Garcia Lopes 
(do livro inédito e em progresso Estúdio Realidade)

sexta-feira, abril 22, 2011

PROSA DA TARDE



sexta-feira santa

no céu de abril
pinheiro e nuvem
conversam


quinta-feira, abril 21, 2011

“Quando lemos versos que são realmente bons e admiráveis, tendemos a lê-los em voz alta. Um verso bom não pode ser lido em voz baixa ou em silêncio. Se isso for possível, então, o verso não vale a pena, pois um verso sempre exige sua pronúncia. O verso nos faz lembrar que antes de arte escrita foi uma arte oral: o verso nos lembra que inicialmente foi um canto”.

Jorge Luis Borges