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"Storm the Reality Studio, and retake the universe" ("Assaltem o Estúdio Realidade, e retomem o universo") WILLIAM S. BURROUGHS



LUPEROBERTO BOLAÑO
TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA LOPES

PARA UM JOVEM POETA
Então poesia
arrá, lá vem
eu escrevo
quero publicar
sou do rebanho novo
fui ensinado
na escola por muitos
renomados poetas
todos eles grandes
mediocridades & agora
quero colocar minha auto-
consciência para ser usada
por você de modo que
você possa me indicar para prêmios
auxílios fama & então talvez
você possa ligar pra minha mãe
& dizer sim ele fez alguma coisa
de si mesmo ele é um poeta
& daí se você publicar um
livrão de poemas eu vou ler
um ou dois & então vou te dar
meu livro de poemas & dar
minha aprovação relutante em nome
do rebanho novo mesmo que estejamos
perdidos & ninguém se importe
se vivemos ou morremos & se nossos
web sites continuam sem serem visitados
talvez precisem de mais sexo
muito disso tem a ver com a porra
da sua geração que teve tudo mais
egos pra competir & odiamos você
mesmo aqueles dois poemas que eu não
acabei do seu novo grande livro
livros livros estão mortos você
não sabia?
TO A YOUNG POET so poetry / aha they go / I write it / I want to publish it / I am the new flock / I have been taught / in shool by many / renowned poets / all of them great / mediocrities & now / I want to put my self- / consciousness to use / by you so you can / recommend me for prizes / grants fame & then maybe / you can call my mom / & say yes he made some- / thing of himself he’s a poet / & then if you publish a big / book of poems I’ll read / one or two & give you my / begrudging approval in the name / of the new flock even though / we are lost & nobody cares / if we live or we die & our / web sites go unlogged on / maybe they need more sex / the sex we are not having / much of because your fucking / generation had it all plus / egos to match & we hate you / even those two poems I didn’t / quite finish from your big new / book books are dead don’t / you know it
ANDREI CODRESCU
TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA LOPES
De It Was Today (Era Hoje)
MAIS CODRESCU NA EDIÇÃO NÚMERO DA REVISTA COYOTE (NÚMERO 17)


Edenic land, Adamic person —
Foolishness is the price you´ll have to pay
For such useless wisdom.
Robert Creeley (trad. RGL)

MINHA VIDA NOS TUBOS DA SOBREVIVÊNCIA
Como eu era pigmeu e amarelo e de feições agradáveis
E como eu era esperto e não estava a fim de ser torturado
Num campo de trabalho ou numa cela acolchoada
Me meteram no interior deste disco voador
E me disseram pra voar e encontrar o meu destino. Mas que
Destino iria eu encontrar? A maldita nave parecia
O holandês errante pelos céus do mundo, como se
Quisesse fugir de minha incompetência, de meu esqueleto
Singular: um cuspe na cara da Religião,
Uma facada de seda nas costas da Felicidade,
Apoio Moral e Ético, a fuga diante
De meus irmãos verdugos e meus irmãos desconhecidos.
Todos enfim humanos e curiosos, todos órfãos e
Jogadores cegos à beira do abismo. Mas tudo isso
Dentro do disco voador não podia me deixar indiferente.
Nem remoto. Ou secundário. A maior virtude de minha espécie traidora
É a coragem, talvez a única coisa que é real, palpável até nas lágrimas
E adeuses. E coragem era o que eu pedia fechado
No disco, assombrando lavradores e bêbados
jogados nos fossos. Invoquei com a coragem na maldita nave
Enquanto trilhava por guetos e parques que para um transeunte
Deviam parecer enormes, mas que para mim eram só tatuagens sem sentido,
Palavras magnéticas e indecifráveis, apenas um gesto
Insinuado debaixo do manto de nutrias do planeta.
Será que havia me convertido em Stefan Zweig e visto a aproximação
Do meu suicídio? Com respeito a isso a frieza da nave
Era incontrovertível, e às vezes sonhava
Com um país quente, um terraço e um amor fiel e desesperado.
As lágrimas que logo derramava permaneciam na superfície
Do disco durante dias, testemunho de minha dor, mas
De um tipo de poesia exaltada que cada vez mais a
Apertava meu peito, minhas têmporas e cintura. Um terraço,
Um país quente e um amor de grandes olhos fiéis
Se aproximando lentamente através do sonho, enquanto a nave
Deixava estrelas de fogo na ignorância de meus irmãos
E em sua inocência. E éramos uma bola de luz, o disco e eu,
Nas retinas dos pobres camponeses, uma imagem perecível
Que nunca descreveria adequadamente meu desejo
Ou o mistério que era o princípio e o fim
Daquele artefato incompreensível. Foi assim até o
Fim dos meus dias, submetido aos ventos arbitrários,
Sonhando às vezes que o disco se estatelava numa serra
Da América e meu cadáver quase sem um aranhão surgia
Para ser visto por velhos montanheses e historiadores:
Un ovo num ninho de ferros retorcidos. Sonhando
Que o disco e eu havíamos concluído nossa dança ridícula,
Ou nossa pobre crítica da Realidade, numa colisão indolor
E anônima em algum deserto do planeta. Morte
Que não me trouze paz nenhuma, pois depois que minha carne apodrecera
Eu continuava sonhando.
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Minha amiga Cleusa Gomes, junto com a professora e tradutora Regina Przybycien, lançam amanhã em Curitiba o livro Poetas Mulheres que Pensaram o Século 20, do qual participo com um ensaio e traduções da poeta americana Laura Riding. Até que enfim o livro está saindo. Pra quem estiver em Curitiba, fica o convite: