BAEDEKER LUNAR"Storm the Reality Studio, and retake the universe" ("Assaltem o Estúdio Realidade, e retomem o universo") WILLIAM S. BURROUGHS
quinta-feira, setembro 11, 2008
BAEDEKER LUNAR (de Mina Loy, trad. Rodrigo Garcia Lopes)
BAEDEKER LUNARquarta-feira, setembro 10, 2008
domingo, setembro 07, 2008
CEREJAS
sexta-feira, setembro 05, 2008
Hanna e Ike e Josephine estão chegando
sexta-feira, agosto 29, 2008
POEMAS DE ROBERTO BOLAÑO NO CRONÓPIOS

http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=3488
Leitura em Asheville

Amanhã estarei lendo meus poemas (em inglês) na bela cidade de Asheville, no pé das Montanhas Apalaches, junto com Magdalena Zurawski e Brian Howe. Vou postar fotos do evento aqui, que está sendo organizado pelo poeta Chall Gray. Um dos poemas que vou ler, nos meus 15 minutos, será este, de Nômada, traduzido por mim:
OSTRANENIE, a road poem
Taken by the strange logic of the age
I ask a lift from the family of hippies
That has for as its strangest hobbies
To not tell the hours, just the cuckoos,
To exchange kisses as if exchanging blows,
To curse like a band of sailors,
To get hit in the face assuming it is a hiccup.
They ask my nose if we are close,
Erase landscapes, eat sausages,
And then talk talk talk as a mad sect
Until they are without voice and subject.
I get off, in an old Russian village.
Incidental Reading series
8:00 p.m., 8/30/2008
186 Pisgah View Rd.
Asheville, NC 28806
quarta-feira, agosto 27, 2008
QUASE TOUCHDOWN
segunda-feira, agosto 25, 2008
PIN DUCA

Chova ou faça sol, sofra pedrada ou perseguições, seja boicotado ou marginalizado por editoras e jornais, ele não desiste de dizer o que pensa. Além disso, tem escrito poemas contundentes e furiosos e acabou de finalizar três livros (um de entrevistas brilhantes que ele fez ao longo de sua carreira de jornalista, outro de ficção e mais um de textos que escreveu para jornais). Está correndo há meses atrás de editoras e ninguém se atreve a editar. Ele não desiste, e é bom que não desista mesmo. Ele agora publicou um texto oportuno cuja leitura eu recomendo, além do seu blog Espelunca: Quem é que Paga por isso, sobre feiras de literatura e os bastidores literários. Valeu, Pinduca!
Link aqui:
http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=3461
LUPE (poema de Roberto Bolaño)
LUPETrabalhava na avenida Guerrero, a poucas quadras da casa de Julián
A lembrança a fazia chorar naquele quarto do hotel Trébol,
espaçoso e escuro, com chuveiro e bidê, o lugar ideal
para se viver por alguns anos. O lugar ideal para escrever
um livro de memórias apócrifas ou um ramalhete
de poemas de terror. Lupe
era magra e tinha as pernas compridas e manchadas
como as dos leopardos.
A primeira vez nem sequer tive uma ereção:
tampouco esperava ter uma ereção. Lupe falou de sua vida
e do que era a felicidade para ela.
Depois de uma semana voltamos a nos ver. Encontrei-a
numa esquina junto com outras putinhas adolescentes,
apoiada nos paralamas de um velho Cadillac.
Acho que ficamos felizes em nos ver. A partir de então
Lupe começou a me contar coisas de sua vida, às vezes chorando,
às vezes trepando, quase sempre pelados na cama,
olhando o céu raso de mãos dadas.
Seu filho nasceu doente e Lupe prometeu à Virgem
que largaria sua profissão deixaria se seu bebê sarasse.
Manteve a promessa por um mês ou dois e logo teve que voltar.
Pouco depois seu filho morreu e Lupe dizia que a culpa
era dela por não comprir o prometido à Virgem.
A Virgem levou seu anjinho por sua promessa não cumprida.
Não sabia o que lhe dizer.
Eu gostava de crianças, claro,
mas ainda faltavam muitos anos para que soubesse
o que era ter um filho.
Por isso ficava quieto e pensava em como era estranho
o silêncio daquele hotel.
Ou tinha as paredes muito grossas ou éramos os únicos ocupantes
ou os demais não abriam a boca nem para gemer.
Era tão fácil lidar com a Lupe e sentir-se homem
e sentir-se um infeliz. Era fácil acompanhar seu
ritmo e era fácil ouví-la se referir
aos últimos filmes de terror que havia visto
no cine Bucareli.
Suas pernas de leopardo enlaçavam meus quadris
E afundava sua cabeça no meu peito procurando meus mamilos
ou o latido do meu coração.
É isso o que eu quero chupar, me disse uma noite.
O que, Lupe? Seu coração.
ROBERTO BOLAÑO
TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA LOPES
quinta-feira, agosto 21, 2008
Satori Uso será exibido na Grécia
quarta-feira, agosto 20, 2008
PARA UM JOVEM POETA (POEMA DE ANDREI CODRESCU)

PARA UM JOVEM POETA
Então poesia
arrá, lá vem
eu escrevo
quero publicar
sou do rebanho novo
fui ensinado
na escola por muitos
renomados poetas
todos eles grandes
mediocridades & agora
quero colocar minha auto-
consciência para ser usada
por você de modo que
você possa me indicar para prêmios
auxílios fama & então talvez
você possa ligar pra minha mãe
& dizer sim ele fez alguma coisa
de si mesmo ele é um poeta
& daí se você publicar um
livrão de poemas eu vou ler
um ou dois & então vou te dar
meu livro de poemas & dar
minha aprovação relutante em nome
do rebanho novo mesmo que estejamos
perdidos & ninguém se importe
se vivemos ou morremos & se nossos
web sites continuam sem serem visitados
talvez precisem de mais sexo
muito disso tem a ver com a porra
da sua geração que teve tudo mais
egos pra competir & odiamos você
mesmo aqueles dois poemas que eu não
acabei do seu novo grande livro
livros livros estão mortos você
não sabia?
TO A YOUNG POET so poetry / aha they go / I write it / I want to publish it / I am the new flock / I have been taught / in shool by many / renowned poets / all of them great / mediocrities & now / I want to put my self- / consciousness to use / by you so you can / recommend me for prizes / grants fame & then maybe / you can call my mom / & say yes he made some- / thing of himself he’s a poet / & then if you publish a big / book of poems I’ll read / one or two & give you my / begrudging approval in the name / of the new flock even though / we are lost & nobody cares / if we live or we die & our / web sites go unlogged on / maybe they need more sex / the sex we are not having / much of because your fucking / generation had it all plus / egos to match & we hate you / even those two poems I didn’t / quite finish from your big new / book books are dead don’t / you know it
ANDREI CODRESCU
TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA LOPES
De It Was Today (Era Hoje)
MAIS CODRESCU NA EDIÇÃO NÚMERO DA REVISTA COYOTE (NÚMERO 17)
quarta-feira, agosto 13, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
Epigrama de MARCIAL

O que faz a vida ser mais feliz,
velho amigo Marcial, são essas aqui:
herança ganha sem trabalho
safras que não cessam, fogo sempre aceso,
nada de lei, nada de toga, mente quieta;
corpo viril e com saúde;
franqueza com tato, gente inteligente,
convidados com humor e mesa farta,
noites sóbrias mas livres de problemas,
uma cama casta sem ser pudica,
dormir o bastante para abreviar as trevas:
estar feliz com o que se é, não ter medo
do último dia, nem ficar esperando-o.
Vitam quae faciunt beatiorem, / iucundissime Martialis, haec sunt:/ res non parta labore sed relicta; non ingratus ager, focus perennis; / lis numquam, toga rara, mens quieta; / vires ingenuae, salubre corpus; / prudens simplicitas, pares amici, / convictus facilis, sine arte mensa; / nox non ébria sed soluta curis, / non tristis torus et tamen pudicus; / somnus qui faciat breves tenebras: / quod sis esse velis nihilque malis; / summum nec metuas diem nec optes.
MARCIAL
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes
quarta-feira, agosto 06, 2008
EVIVA PAT!!

http://www.youtube.com/watch?v=EN7YHbQjwjo#
terça-feira, agosto 05, 2008
CANÇÃO DAS MUSAS
domingo, agosto 03, 2008
Robert Creeley (trad RGL)
Edenic land, Adamic person —
Foolishness is the price you´ll have to pay
For such useless wisdom.
Robert Creeley (trad. RGL)
segunda-feira, julho 21, 2008
sexta-feira, julho 11, 2008
MINHA VIDA NOS TUBOS DA SOBREVIVÊNCIA (poema de Roberto Bolaño em Coyote 17)

MINHA VIDA NOS TUBOS DA SOBREVIVÊNCIA
Como eu era pigmeu e amarelo e de feições agradáveis
E como eu era esperto e não estava a fim de ser torturado
Num campo de trabalho ou numa cela acolchoada
Me meteram no interior deste disco voador
E me disseram pra voar e encontrar o meu destino. Mas que
Destino iria eu encontrar? A maldita nave parecia
O holandês errante pelos céus do mundo, como se
Quisesse fugir de minha incompetência, de meu esqueleto
Singular: um cuspe na cara da Religião,
Uma facada de seda nas costas da Felicidade,
Apoio Moral e Ético, a fuga diante
De meus irmãos verdugos e meus irmãos desconhecidos.
Todos enfim humanos e curiosos, todos órfãos e
Jogadores cegos à beira do abismo. Mas tudo isso
Dentro do disco voador não podia me deixar indiferente.
Nem remoto. Ou secundário. A maior virtude de minha espécie traidora
É a coragem, talvez a única coisa que é real, palpável até nas lágrimas
E adeuses. E coragem era o que eu pedia fechado
No disco, assombrando lavradores e bêbados
jogados nos fossos. Invoquei com a coragem na maldita nave
Enquanto trilhava por guetos e parques que para um transeunte
Deviam parecer enormes, mas que para mim eram só tatuagens sem sentido,
Palavras magnéticas e indecifráveis, apenas um gesto
Insinuado debaixo do manto de nutrias do planeta.
Será que havia me convertido em Stefan Zweig e visto a aproximação
Do meu suicídio? Com respeito a isso a frieza da nave
Era incontrovertível, e às vezes sonhava
Com um país quente, um terraço e um amor fiel e desesperado.
As lágrimas que logo derramava permaneciam na superfície
Do disco durante dias, testemunho de minha dor, mas
De um tipo de poesia exaltada que cada vez mais a
Apertava meu peito, minhas têmporas e cintura. Um terraço,
Um país quente e um amor de grandes olhos fiéis
Se aproximando lentamente através do sonho, enquanto a nave
Deixava estrelas de fogo na ignorância de meus irmãos
E em sua inocência. E éramos uma bola de luz, o disco e eu,
Nas retinas dos pobres camponeses, uma imagem perecível
Que nunca descreveria adequadamente meu desejo
Ou o mistério que era o princípio e o fim
Daquele artefato incompreensível. Foi assim até o
Fim dos meus dias, submetido aos ventos arbitrários,
Sonhando às vezes que o disco se estatelava numa serra
Da América e meu cadáver quase sem um aranhão surgia
Para ser visto por velhos montanheses e historiadores:
Un ovo num ninho de ferros retorcidos. Sonhando
Que o disco e eu havíamos concluído nossa dança ridícula,
Ou nossa pobre crítica da Realidade, numa colisão indolor
E anônima em algum deserto do planeta. Morte
Que não me trouze paz nenhuma, pois depois que minha carne apodrecera
Eu continuava sonhando.
TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA LOPES
quarta-feira, julho 09, 2008
PARADOXOS DO TEMPO (canção do CD Polivox, 2001)
PARA OUVIR, CLIQUE AQUI:para Vitor Ramil
O futuro anda tão diferente.
O movimento está parado.
Nem parece que um dia
Pensou que era passado
E foi virar nostalgia
do tempo em que pensar
Era um tipo de meio-dia
E foi virar este vento
Relógio de ser ao relento
Que sopra do sul do meu peito
De um jeito que é melodia.
Nem me contem
Nem me lembrem
Que hoje
Já fazia tempo
E não fazia
um dia
Como ontem.
Rodrigo Garcia Lopes: violão e voz
Neuza Pinheiro: voz e vocais
Marco Scolari: acordeon
Ricardo Garcia: percuteria
Gravado e mixado por Maurício Grassmann (Estúdio Freqüência Rara)
terça-feira, julho 01, 2008
VERTIGEM (Um Corpo que Cai)

VERTIGEM
A escada em caracol
que sobre pro céu
E uma mulher em pânico
na torre
Quer se matar no mar do amor
Como Ismália
Não mora mais em sua memória
Nem em nenhum lugar
Mas ele a persegue
E a quer salvar
Mas a cada passo um zoom
O atordoa
Vertigem, vertigem, vertigem, vertigem
O filme volta atrás
em busca do seu corpo que cai
Tempos depois a encontrará
na carne de outra tarde
Mas o mistério da mulher
que o enlouqueceu de amor
ficou na torre a sonhar
enquanto bebia o mar da
vertigem, vertigem, vertigem
(Letra e música: Rodrigo Garcia Lopes)
quinta-feira, junho 26, 2008
PORÃO LOQUAX NESTA TERÇA FEIRA EM CURITIBA
Na próxima terça, dia 1 de julho, terça-feira, eu me apresento em Curitiba, dentro do projeto Porão Loquax (Wonka Bar, R. Trajano Reis, 326, fone 3026 6272, Curitiba), um espaço bacana capitaneado pela Ieda que eu tive o prazer de unaugurar há quase três anos. Vou estar (voz e violão) acompanhado de Rubens K (baixo) e Marcelo Chytchy (bateria) e vou apresentar músicas novas como "Vertigem ("Um Corpo que Cai)", "New York", "Betty Blue" e "Rito", (que vão estar no segundo CD) além de traduções como "O Navegante" (poema anônimo da tradição anglo-saxã, com mais de mil anos de idade), composições de seu disco Polivox (independente, 2001) e poemas inéditos.
Durante o show haverá o lançamento dos dois últimos números da revista Coyote (a R$10,00). Entre os destaques da revista Coyote 16 e 17 estão fotos de Boris Kossoy e desenhos de Carlos Carah, dossiês com o cartunista e desenhista Marcatti e com o romeno-americano Andrei Codrescu, inédito no Brasil. Coyote traz também traduções de Alejandra Pizarnik (Argentina) e Gertrude Stein (traduzida pela curitibana Luci Collin), revela para o público brasileiro os poemas do chileno Roberto Bolaño (Chile) antologia a poesia de Marcos Prado, e destaca, entre outros, os textos dos curitibanos Monica Berger e Rubens K.
SERVIÇO:
Porão Loquax com Rodrigo Garcia Lopes
+ lançamento dos números 16 e 17 da revista Coyote
Rodrigo Garcia Lopes: voz e violão
Rubens K: baixo
Marcelo Chytchy: bateria
Dia: 1 de julho, terça-feira, às 23 horas.
Local: Wonka Bar, R. Trajano Reis, 326, fone (41) 3026 6272
Entrada: R$1,99
A música " Vertigem" (UM Corpo que Cai) é uma das inéditas que estarei apresentando pela primeira vez.
VERTIGEM (UM CORPO QUE CAI)
Rodrigo Garcia Lopes
A escada em caracol que sobre pro céu
E uma mulher em pânico na torre
Quer se matar no mar do amor
Como Ismália
Não mora mais em sua memória
Nem em nenhum lugar
Mas ele a persegue
E a quer salvar
Mas a cada passo um zoom
O atordoa
Vertigem, vertigem, vertigem, vertigem
O filme volta atrás em busca do seu corpo que cai
Tempos depois a encontrará
na carne de outra tarde
Mas o mistério da mulher que o enlouqueceu de amor
ficou na torre a sonhar enquanto bebia o mar da
vertigem, vertigem, vertigem
segunda-feira, junho 16, 2008
Poetas mulheres que pensaram o século 20
Minha amiga Cleusa Gomes, junto com a professora e tradutora Regina Przybycien, lançam amanhã em Curitiba o livro Poetas Mulheres que Pensaram o Século 20, do qual participo com um ensaio e traduções da poeta americana Laura Riding. Até que enfim o livro está saindo. Pra quem estiver em Curitiba, fica o convite:C O N V I T E
Lançamento do livro: Poetas mulheres que pensaram o século XX (e outros)
Editora da UFPR
Data:
17 de junho de 2008
Horário:
18:00 h
Local:
Sala de Eventos
2º andar do Edifício Dom Pedro II
Rua XV de Novembro, 1299
Curitiba- Paraná
quarta-feira, junho 11, 2008
COYOTE NO ESTADÃO
Coyote, de Londrina, volta à carga lançando duas edições
Francisco Quinteiro Pires
Uma série de poesias, traduzidas por Rodrigo Garcia Lopes, do chileno Roberto Bolaño marca a edição de outono da Coyote. Como em Auto-Retrato Aos Vinte Anos, em que os quatro primeiros versos revelam algo sobre o estilo literário de Bolaño: 'Eu fui embora, tomei meu caminho e nunca soube/ até onde poderia me levar; Fui cheio de medo,/ meu estômago revirou e a cabeça zumbia:/ acho que era o ar frio dos mortos.' É de Garcia Lopes também a entrevista com o poeta romeno Andrei Codrescu, hoje radicado nos EUA, depois de fugir do stalinismo, e onde bebeu na fonte da contracultura, que até hoje o estimula no caminho da subversão.
Linque aqui:
http://www.unisinos.br/ihuonline/index.php?option=com_destaques_semana&Itemid=24&task=detalhes&idnot=1107&idedit=21
segunda-feira, junho 02, 2008
MR. PARADISE (de Solarium)
mr. paradise sai às ruas com
suas invisíveis roupas antes
aparentemente distraído agora
abaixa-se e toca uma
folha (qualquer coisa) vermelha
pensando ser outono ou tudo
aquilo que pensamos en-
quanto borboletas brincam
entre punks e turistas ELA
sorri como um céu sem nuvens
(sob um chapéu pensante
de abas quilométricas)
e a gente começa a seguí-la
enquanto humildemente acena para
jardineiros & floristas
Rodrigo Garcia Lopes
Londres. Soho. 12 de junho de 1984



