quarta-feira, agosto 25, 2010

EARTH WIND & FIRE "SEPTEMBER" ORIGINAL VIDEO VERY GOOD HQ ! 1978

ALÉM - poema de LAURA RIDING - trad. Rodrigo Garcia Lopes)

ALÉM





Dor é impossível de se descrever

Dor é a impossibilidade de descrever

Descrever o que não é possível descrever

O que deve ser coisa além do descrito

Além do descrito para não se descrever

Além do conhecido mas não mistério

Não mistério mas dor não claro mas dor

Mas dor além mas aqui além






LAURA RIDING

terça-feira, agosto 24, 2010

NENHUMA TERRA AINDA - POEMA DE LAURA RIDING - trad. rodrigo garcia lopes)


NENHUMA TERRA AINDA



Mar demorado, como é fugaz,
De aguidéia a aguidéia
Tão rápida em sentir surpresa e vergonha.
Onde momentos não são tempo
Mas tempo são momentos.
Tanto nem sim nem não,
Tanto único amor, ter o amanhã
Por um fracasso inevitável de agora e já.

Deitados na água barcos e homens fortes,
Mestres em fraqueza, partem para algum lugar:
O mais poderoso dorminhoco em sua cama
É incapaz de conhecer lugares nobres assim.
Então a fé embarcou na terra do marinheiro
Em busca de absurdos em nome do céu –
Descobrimento, uma fonte sem fonte,
Lenda de neblina e paciência perdida.

O corpo nadando em si mesmo
É o querido da dissolução.
Com gotejante  boca diz uma verdade
Que não pode mentir, em palavras ainda não nascidas
Da primeira imortalidade,
Onissábia impermanência.

E o olho empoeirado cujas agudezas
Tornam-se aguadas na mente
Onde ondas de probabilidade
Escrevem a visão com letra de maré
Que só o tempo pode ler.

E a terra seca ainda não,
Salvação e solidão absolutas –
Ostentando sua constância
Como uma ilha sem água ao redor
Numa água sem terra alguma.




LAURA RIDING

domingo, agosto 22, 2010

William Blake lê seu poema "LONDON"



 
I wander thro' each charter'd street,
Near where the charter'd Thames does flow,
And mark in every face I meet
Marks of weakness, marks of woe.


In every cry of every Man,
In every Infant's cry of fear,
In every voice, in every ban,
The mind-forg'd manacles I hear.


How the Chimney-sweeper's cry
Every black'ning Church appalls;
And the hapless Soldier's sigh
Runs in blood down Palace walls.


But most thro' midnight streets I hear
How the youthful Harlot's curse
Blasts the new born Infant's tear,
And blights with plagues the Marriage hearse. 



WILLIAM BLAKE

sábado, agosto 21, 2010

terça-feira, agosto 10, 2010

POEMA (William Carlos Williams - Tradução: Rodrigo Garcia Lopes)





POEMA


assim que o gato     
trepou no topo
do armário

de compotas
primeiro a pata
da frente

cauteloso
depois a de trás
desceu

no fundo do  
vaso de flores
vazio



POEM


as the cat
climbed over
the top of


the jamcloset
first the right
forefoot


carefully
then the hind
stepped down


into the pit of
the empty
flower pot









terça-feira, agosto 03, 2010

DORIVAL WELLS



Dica de meu amigo Bernardo. A bela música de Caimmy com imagens de Orson Welles.
Que parceria!

PENSATA DO DIA




"Há duas maneiras de se viver: você pode viver como se nada fosse um milagre; você pode viver como se tudo fosse um milagre.

Albert Einstein


sexta-feira, julho 30, 2010

SOBRE UM DITADO ANTIGO (Rodrigo Garcia Lopes)


AQUI >

ÚLTIMA NOITE DO PROJETO A VOZ DA POESIA



Parcerias: a Voz da Poesia - 2ª edição
Na última noite de sua segunda edição, o projeto Parcerias: a Voz da Poesia, apresenta o poeta Edson Cruz e o compositor Reynaldo Bessa. Os dois participam de um bate-papo de meia hora sobre poesia e música e, em seguida, o compositor apresenta seu show dando ênfase em poemas musicados. Este ano, o projeto contou com as apresentações de Geraldo Carneiro/Francis Hime, Braulio Tavares/Antonio Nóbrega, Maurício Arruda Mendonça/Bernardo Pelegrini, Marcelino Freire/Lirinha, arrudA/Alzira E. e Celso de Alencar/Tom Canhoto.
Idealização e curadoria: Ademir Assunção
31 de julho (18h30) – Reynaldo Bessa e Edson Cruz
 
Reynado Bessa Reynado Bessa, cantor, compositor e poeta , tem cinco cds lançados, entre eles Angico (2000), O Som da Cabeça do Elefante (2007) e Com os Dentes (2008). Tem músicas gravadas pela banda Ira e Rita Ribeiro. Publicou o livro de poemas Outros Barulhos (2009)
   
Edson Cruz Edson Cruz (Ilhéus, BA). Escritor, editor e revisor. Estudou Psicologia, Música, Composição e Letras. Fundador e editor do portal Cronópios (até maio de 2009) e da revista literária Mnemozine. Publicou Sortilégio (2007) e organizou O que é poesia? (2009).
 
Local: BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA
Avenida Henrique Schaumann, 777 – Fone 3082-5023
Entrada franca
Veja o mapa
Prefeitura da Cidade de São Paulo
BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA
 

ILUMINURAS ENTRE AS MELHORES

terça-feira, julho 27, 2010

LANÇAMENTO: LIVRO DE POEMAS DE MÁRIO BORTOLOTTO






Ainda não tenho o meu, mas já vi na mão de um amigo. Publicamos uns inéditos na última Coyote. Para quem estiver em São Paulo, vale a pena dar um pulo nos lançamentos. Um bom lugar pra morrer é o nome do livro, numa edição bem cuidada das  editoras Atrito Art / Electra Kan. Na sexta-feira, na Mercearia São Pedro (Rua Rodésia, 34 – Vila Madalena), das 19 horas em diante.  No sábado, na Coletivo Galeria (Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros). 
E uma canja de Marião e a banda Saco de Ratos Blues.

E aqui um de meus favoritos do livro:


ÓPERA DOS POMBOS SEM DESTINO

Eu moro no sótão onde os pombos morrem
Eu deixo a janela aberta
                e deixo que eles venham morrer a meus pés
Eles entram voando e me olham
               com seus olhos tristes de pombo
Como eu posso ser feliz com todos esses pombos mortos
            abandonados por Deus
Gostava quando eles se chocavam contra o pára-brisa
Pombos desgovernados sempre me fascinaram
Esses pombos com destino certo
eles me deixam com os olhos cheios de lágrimas
vez ou outra um avião passa no céu
e os pombos sonham com lugares nunca visitados
Um dia os pombos desaparecerão
terão voado para algum lugar inatingível
não haverá mais pombos
e alguém irá contar histórias sobre pombos
os seus cadáveres espalhados no chão do meu sótão
receberão visitas apaixonadas
mas pra mim o que vai ficar
será a lembrança dos pombos na minha caixa de correio
pombos que se recusaram a saber o caminho
pombos que Deus há de acolher
pombos dos quais sempre vou me lembrar
ouvindo ópera no sótão
meu sótão de pombos sem destino


MÁRIO BORTOLOTTO

sexta-feira, julho 23, 2010

A DEUSA BRANCA


A DEUSA BRANCA



A deusa lua entra no salão de espelhos, em transe:
para onde olha, linguagem (vibrátil), estranhos

estilhaços de um corpo que mutua-

mente se reflete: até o infinito. &
feitos da mesma imagem
(que se rebate)
até o infinito.

Um jogo de tênis nas galáxias.
Num estuário branco

a imagem da TV no cenário vazio
é resíduo de sonho.
A Memória pergunta-se do antes,
antes dos espelhos se espatifarem
na praia do universo.

No Livro dos Mortos, Antes era o nome
de um local desconhecido
onde se adorava a Boa-Luz.

"Foi a deusa lua, a mesma que
ao refletir-se numa quina de linguagem
e querer-se ilha
fez de si um eclipse de possibilidade".


(   (  (   O  )    )    )


"Não há tempo nem história, aqui".

Quer dizer que o tempo
é agora?"

"O poema é uma verdade portátil".






Rodrigo Garcia Lopes (Em Polivox, Azougue, 2001)