segunda-feira, abril 18, 2011

FABLIAU DA FLÓRIDA (WALLACE STEVENS tradução Rodrigo Garcia Lopes)

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Barca fosforescente
Pela praia de palmeiras,

Move-se rumo ao céu,
Dentro dos alabastros
E azuis noturnos.

Nuvem e espuma são uma.
Tórridos monstros-lunares
Se dissolvem.

Encha seu casco preto
Com a prata do luar.

O som dessa rebentação
Nunca mais vai acabar.




WALLACE STEVENS
 Tradução: Rodrigo Garcia Lopes (2011)
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barque of phosphor: barca branca, de phosphor (elemento químico)

FABLIAU OF FLORIDA

Barque of phosphor
On the palmy beach,

Move outward into heaven,
Into the alabasters
And night blues.

 Foam and cloud are one.
 Sultry moon-monsters
 Are dissolving.

 Fill your black hull
 With white moonlight.

 There will never be an end
 To this droning of the surf.


quarta-feira, abril 13, 2011

PÉROLAS DO DIA









"A vida só pode ser compreendida de trás para frente; mas precisa ser vivida daqui para frente".

Soren Kierkegaard


***


"A realidade é aquilo que, quando você pára de acreditar, não vai embora".


Philip Dick




terça-feira, abril 12, 2011

segunda-feira, abril 11, 2011

AS CORES DE ABRIL

foto: rodrigo garcia lopes

De um haiku de Bashô



 
ou ainda, pra tentar fechar (ou abrir):



mar escurece
as vozes das gaivotas voltam
vagas, brancas




E aqui no original do mestre:


umi kurete

                                            

kamo no koe                                   

                 

honoka ni shiroshi                          

***
escurece no mar

vozes dos patos selvagens

vagamente brancas


matsuo bashô
 

domingo, abril 10, 2011

Pérola de Terêncio





humani nil a me alienum puto.


nada do que é humano me é estranho.






terêncio

quarta-feira, abril 06, 2011


foto: rodrigo garcia lopes

BAÍA COM BIOMBOS AO FUNDO


Velha paisagem              
gaivotas roucas
olhos rebrilham

na manhã da mente
aberta em página escrita:
pérola discreta.

O Mar, velho suserano,
molha as barbas nas dunas
conquista os olhos da espuma
interrompe seu romance --

Nos acena
no exato instante
em que acordamos.







(Rodrigo Garcia Lopes, de Estúdio Realidade (poemas), in progress)

terça-feira, abril 05, 2011

DONA MENINA



Temporada:  de 8 de abril a 7 de maio, (sextas e sábados), às 20 horas, na Usina Cultural, na Rua Duque de Caxias esquina com São Salvador, em Londrina.

sexta-feira, abril 01, 2011

LAR




Viver em tantas cidades
fez de lar uma palavra estranha.
Há casas em nossas entranhas
e, dentro, apenas estações.



RODRIGO GARCIA LOPES 

quinta-feira, março 31, 2011

AMORES BRUTOS (poema de rodrigo garcia lopes)


AMORES BRUTOS


Que um beijo nos transe
Outro ser, além, nos dance
Onde a memória não alcance
O abismo do fim e seu lance.

Que este beijo não seja o bastante
Nem que me despedace
Olho do sol que franze
E que nos sangre

(O medo desse querer
Caminhos rompendo o éter
Da dor, polidor, refém
Do milagre de ser
Outra pessoa e alguém.)

Que química imita
A raiva do seu amor?
Que física duplica
Essa faísca de horror?

Que se apaguem
Nossos erros e motivos —
Toda lágrima consagre
Apenas estar vivo,
Este milagre.





(Em Nômada, Lamparina, 2004) 


domingo, março 27, 2011

OUTONO EM FUKUSHIMA













outono em fukushima

surfando ondas 

radioativas












***


rodrigo garcia lopes

sexta-feira, março 25, 2011

PEDRA DE TOQUE

[...]

Jogada num quintal

Enxuta, a concha guarda o mar 

No seu estojo


[...

Chico Buarque, em "A Ostra e o Vento"

quarta-feira, março 23, 2011

De Visibilia (poema de rodrigo garcia lopes)




Seu corpo é uma praia deserta
onde uma música desperta
numa onda esperta e a deserda:
espumas a ferem como pétalas.

Desterra, em tradução infinita,
pérolas na orla do olhar, ilha
que ainda está por ser escrita. 






Florianópolis, 1996
Rodrigo Garcia Lopes (em Visibilia, Seteletras, 1996)

REVISTA RATTAPALLAX AGORA ONLINE

A revista Rattapallax, editada pela poeta e tradutora Flávia Rocha, entre outros, migrou pra rede.
Conheça:

sábado, março 19, 2011

CALIGRAMA

http://boysalmanac.com/wp-content/uploads/2009/01/starfish_hand.jpg


abrimos os olhos
abrimos a mão

e

(milagre)
ei-la
a estrela

de pele
e carne




Rodrigo Garcia Lopes (inédito, do livro Estúdio Realidade, em progresso)

MEDUSA DE RAYBAN em Londrina


A peça Medusa de Rayban, de Mario Bortolotto, estreou na quinta em Londrina, em nova montagem, com elenco 100% londrinense, direção de Maurício Arruda Mendonça e supervisão de Paulo de Moraes. Bortolotto lançou novo livro ontem e hoje faz show com a Banda Saco de Ratos Blues.
Tudo na na Vila Cultural Cemitério de Automóveis.
Mais informações sobre a temporda a peça, aqui:
http://cemiteriodeautomoveisvilacultural.zip.net/

quarta-feira, março 16, 2011

EM AMOUR


Ainda vai haver tempo bastante
Pra ver nuvens abrirem suas pálpebras
Curtir seu gesto e seu instante
Intacto, como um milagre.

Seu olhar gritando nunca pare --
Tarde sem alarme falso, susto ou s.o.s.
Ouço no escuro você e insetos escuto
Cavando seu resto de futuro.

O corredor é longo e sem estrelas
E a gana me nina em seu vácuo.
Quanto mais recuo, mais me aproximo,
Quanto mais erro, mais rimos.
Quem sabe o efeito que isso tem:
Quando, quanto, onde, quem.







(Rodrigo Garcia Lopes, Nômada, 2004)




horas                          tão                                        líquidas

perfume                    em frascos                    fechados

segundos                   como                             vinho

instantes                    feito                               ventania

gota que                      se                                  evapora


sob                               as                                 estrelas

ninguém                    está                              sozinho





Rodrigo Garcia Lopes (em Visibilia, 1996)

quinta-feira, março 03, 2011

RYOANJI

"Podemos ver o jardim de areia como um arquipélago de ilhas rochosas na imensidade do oceano, ou antes como o cimo de altas montanhas que emergem de um mar de nuvens. Podemos vê-lo como um quadro emoldurado pelos muros do templo, ou esquecer-nos da moldura e convencer-nos de que o mar de areia pode se expandir sem limites e cobrir todo o mundo".

"Instruções de uso", no panfleto do templo Ryoanji, no Japão. Em
Italo Calvino (Palomar)

quarta-feira, março 02, 2011

Assaltaram a Gramática (1984)


Com Leminski, Ana Cristina Cesar, Wally Salomão, Francisco Alvim, Alice Ruiz e Chacal.