Programação do evento, aqui:
"Storm the Reality Studio, and retake the universe" ("Assaltem o Estúdio Realidade, e retomem o universo") WILLIAM S. BURROUGHS
terça-feira, junho 22, 2010
domingo, junho 20, 2010
Algo me diz que molhar
tem a ver com olhar
molliare, amolecer
em latim vulgar
substantivo mole como o cristal
deste globo por onde se olham
as plantas das retinas
tornando sólidas e só lidas
as coisas líquidas
o molhe no canto da praia
nuvem, cântaro, orquídea
no agora de sua órbita
súbita
por isso pôr os olhos de molho
por isso neles estampamos ocelos
por isso ele molha quando chora.
Rodrigo Garcia Lopes (Nômada, lamparina, 2004)
terça-feira, junho 15, 2010
PELLEGRINI, MENDONÇA E SCOLARI NESTA QUARTA EM LONDRINA
Nesta quarta, dia 16, às 21 horas, a Vila Cultural Cemitério de Automóveis apresenta o projeto POESIA & MÚSICA. O projeto reúne nesta noite os meus amigos e parceiros Bernardo Pellegrini, Marco Scolari e Maurício Arruda Mendonça. Eles irão tocar suas músicas, falar de suas parcerias e ler poemas. Um repeteco do que o público paulistano pôde ver no começo do mês, no projeto Prosódias.
Bernardo Pellegrini (voz e violão); Marco Scolari (piano, acordeon e voz) e Maurício Arruda Mendonça (voz e violão).
Os ingressos a R$5,00
Vila Cultural Cemitério de Automóveis. Rua João Pessoa, 103-A,
Londrina (PR)
Londrina (PR)
16 de junho, 21 horas
sábado, junho 12, 2010
SHOW BERNARDO PELLEGRINI EM SAMPA
Às 20h30, Bernardo Pellegrini e o Bando do Cão sem Dono fazem show no SESC Vila Mariana. Bernardo e o Bando tão lançando CD novo: É isso que vai acontecer. A banda é esta: Bernardo Pellegrini (voz e violão); Marco Scolari (piano, acordeom e voz); Edu Batistella (bateria); Felipe Barthen (baixo); Mizão (guitarra) e Marco Santos (teclado). Os ingressos custam R$12 e R$6 (meia).
quarta-feira, junho 09, 2010
LIOZ
Lioz
Ninguém lê a página da praia.
Só as areias cujas trilhas velozes traduzem
(alguma passagem, imagem alguma).
De noite, fósseis celestes.
Suas letras-seixos me frag-
mentam.
Vítreos vocábulos de sal
Dublam as ondas eretas.
(De Polivox, 2001)
sexta-feira, junho 04, 2010
NO DIVÃ DE SIGMUND (poema de Rodrigo Garcia Lopes)
NO DIVÃ DE SIGMUND
Penso com paixão.
Doktor Zen vive desprezando as palavras
E, como emérito especialista em miudezas,
Diz silenciar meus gestos mais bruscos.
Para meu próprio bem.
Embora, perplexo, no escuro,
Sempre acabe confessando seu
Ignorante amor.
Bogey não: "Ele tem a língua afiada
E nunca deixa de dizer
exatamente tudo".
Traço os limites do real a giz
E me jogo nas poltronas da emoção.
Uma luz se acende.
"Aguardando resposta".
"Meu amor nunca se envolve em grandes causas
nem em crime insolúveis".
Cigarro no canto da boca,
Olhar enigma,
Aquele beijo que trocamos na mansão
Sob os olhares discretos dos mordomos.
Rodrigo Garcia Lopes (Em Solarium, Iluminuras, 1994)
Rodrigo Garcia Lopes (Em Solarium, Iluminuras, 1994)
quarta-feira, junho 02, 2010
HOJE, DIA 5 - EM SÃO PAULO
Em meio a tristeza e a sensação de luto nesses dias chuvosos, a alegria de ver quatro bons amigos e criativos como Bernardo Pellegrini e Maurício Arruda Mendonça, acompanhado por Marco Scolari, sob a curadoria do Ademir Assunção, juntos neste grande amigo, para este projeto. Some of the best minds of my generation. Eles vão estar falando de poesia, música, mostrando parcerias e músicas dos dois. Não perca. É muito talento junto. Vai ser uma grande noite.
E que a poesia vingue a barbárie.
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3 de julho (18h30) – Alzira E e arrudA
17 de julho (18h30) – Tom Canhoto e Celso de Alencar
31 de julho (18h30) – Reynaldo Bessa e Edson Cruz
Local: BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA Avenida Henrique Schaumann, 777 – Fone 3082-5023 Entrada franca |

Bernardo Pellegrini
Marco Antonio Scolari
terça-feira, junho 01, 2010
WILSON BUENO
Chocado e muito triste com a morte de Wilson Bueno, poeta, escritor, um de nossos melhores. Assassinado. Em sua casa, em Curitiba. Estou sem acreditar até agora. Estou inconformado com este crime bárbaro. Havia me comunicado com ele por e-mail naquela mesma noite. 61 anos. Estava trabalhando, feliz e cheio de projetos. Ele escreveu: "Entrei na sagrada linha - branca - dos sexagenários. Acho que tenho já este direito. Jubilado do serviço público, de agora em diante, cuidarei exclusivamente de minhas ficções. Vai chegar o dia em que não precise mais, te juro, dar entrevistas".
Wilson Bueno era um grande talento. Tinha estilo próprio. Estava escrevendo cada vez melhor, com mais pegada, concisão e trabalho de linguagem. Poderia ter ficado no esquema à la João Antonio de Bolero's Bar, seu primeiro. Mas não. Além de poeta de primeira, inovou na prosa. Um poeta sem pose e com poesia, como gosto de dizer, não como tantos que andam por aí. Primeiro, com seu inventivo Mar Paraguayo, pioneiro do "portunhol selvagem" de que se fala tanto hoje. Inovando e superando-se a cada livro, experimentando com formas de narrar, desde a paródia da linguagem do século 19 em Amar-te a Ti Nem sei Com Carícias, até um de seus últimos, A Copista de Kafka, que ele considerava seu melhor. e outros.
Uma personalidade forte, às vezes difícil, mas sempre bem-humorado. Foi meu "chefe" quando trabalhamos juntos em 89, no Nicolau, uma época da qual tenho muita saudade. O Nicolau, que aglutinou tantos talentos em suas páginas e fez história. Mais uma perda para a literatura paranaense. O fato dele ser um de nossos grande nomes literários é fruto de muita leitura, esforço e obstinação. Lembro-me que, quando Leminski morreu, em 89, ele prometera parar de beber. De lá pra cá sua obra deu um salto. Ele se profissionalizou e ficou cada vez mais focado na literatura. É simplesmente inacreditável o que aconteceu.Trabalhei no Nicolau, junto com ele, Josely Vianna Baptista, Guinski, Iara Lessa, em 1989, na fase gloriosa do jornal. Muitas histórias. Noitadas, risadas, e tristezas compartilhadas também. Sempre foi generoso com meus livros. Lembro que quando Leminski morreu ele disse que prometera a si que ia parar de beber. E parou. Sua carreira tomou um outro rumo.
Um grande perda para a literatura brasileira.
Wilson Bueno era um grande talento. Tinha estilo próprio. Estava escrevendo cada vez melhor, com mais pegada, concisão e trabalho de linguagem. Poderia ter ficado no esquema à la João Antonio de Bolero's Bar, seu primeiro. Mas não. Além de poeta de primeira, inovou na prosa. Um poeta sem pose e com poesia, como gosto de dizer, não como tantos que andam por aí. Primeiro, com seu inventivo Mar Paraguayo, pioneiro do "portunhol selvagem" de que se fala tanto hoje. Inovando e superando-se a cada livro, experimentando com formas de narrar, desde a paródia da linguagem do século 19 em Amar-te a Ti Nem sei Com Carícias, até um de seus últimos, A Copista de Kafka, que ele considerava seu melhor. e outros.
Uma personalidade forte, às vezes difícil, mas sempre bem-humorado. Foi meu "chefe" quando trabalhamos juntos em 89, no Nicolau, uma época da qual tenho muita saudade. O Nicolau, que aglutinou tantos talentos em suas páginas e fez história. Mais uma perda para a literatura paranaense. O fato dele ser um de nossos grande nomes literários é fruto de muita leitura, esforço e obstinação. Lembro-me que, quando Leminski morreu, em 89, ele prometera parar de beber. De lá pra cá sua obra deu um salto. Ele se profissionalizou e ficou cada vez mais focado na literatura. É simplesmente inacreditável o que aconteceu.Trabalhei no Nicolau, junto com ele, Josely Vianna Baptista, Guinski, Iara Lessa, em 1989, na fase gloriosa do jornal. Muitas histórias. Noitadas, risadas, e tristezas compartilhadas também. Sempre foi generoso com meus livros. Lembro que quando Leminski morreu ele disse que prometera a si que ia parar de beber. E parou. Sua carreira tomou um outro rumo.
Um grande perda para a literatura brasileira.
domingo, maio 30, 2010
NOVA ZUNÁI NO CYBERESPAÇO
Como sempre, com muita coisa legal:
* Flores de cerejeira: breves considerações sobre o haicai no Brasil, de Gustavo Felicíssimo.
* Luigi Russolo e a arte dos ruídos: uma introdução à música futurista, de Sérgio Medeiros.* Cartas de Luanda: O dinheiro nas marcas simbólicas da água, de Abreu Paxe.
*“Uma poesia solar: aquela que dialoga com o mistério da semente.” Uma conversa com o poeta angolano João Maimona.
*Galeria: exposição virtual de Francisco Faria.
*Depoimentos e Debates: É possível mudar o cânone literário?
*Alguns contos: onze novos narradores, apresentados por Marcelino Freire.
*Poemas de Wilson Bueno, Horácio Costa, Virna Teixeira, Micheliny Verunschk, Yao Feng, Fernanda Dias.
*Traduções de Joyce Mansour (Inglaterra), Malcolm de Chazal (Ilhas Maurício), Norma Cole (EUA), Edmond Jabès (Egito), Adonis (Líbano), Shu Wang (Macau), Sohrab Sepehri (Irã).
ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATESAno VI, edição XX, maio de 2010
sexta-feira, maio 28, 2010
JORGE LUIS BORGES
('A Estória de Detetive', 1978)
CHANCE (poema de Rodrigo Garcia Lopes)
Toda possibilidade
venha
De onde vier, da luz batendo & fazendo
sombras
Que se movem. Ou a ilusão se
confundindo
com um rosto onde a luz
penetra --
E mesmo que toque
Fundo, esta pedra
há de ecoar longe,
Onde
a espuma do sentido se desdobra, onda
sendo
puro gesto, tradução
do movimento e seu processo.
segunda-feira, maio 17, 2010
UM POEMA DE MARCOS LOSNAK
Marcos Losnak, grande amigo e parceiro. Prosador inédito em livro, poeta, crítico de literatura. Um dos editores da Coyote, junto comigo e Ademir Assunção. Nos conhecemos há muito, muito tempo. É dele este poema, do seu livro (ótimo) Um Urso Correndo no Sótão. Parabéns pelo seu dia, Losnakón!
UM PEIXE SEM LAGO
Um homem sozinho
é um lago sem peixes
Uma tristeza quase alegre
procurando um campo de papoulas
para alimentar suas dores
Muito pequeno para o que sente
mastiga os insetos mais venenosos
como se acendesse uma vela aos pés de deus
Uma cabeça lançada ao desvario
que extrai de si mesma longos membros
para sobreviver no breu das margens
É o mais feliz dos animais
vive onde o álcool purifica as feridas
onde o amor é uma febre
que se cura com drogas e delírios
Um homem sozinho
não precisa falsificar suas dores
elas já nascem com ele
como capim onde há terra
como merda onde há gente
Ele sabe que é tarde
quando cachorros lambem seus pés
quando os cabelos tornam-se espessos
besuntados pelo óleo do absurdo
Sabe quando deve morrer
retirar-se de onde nunca esteve
e nunca desejou pensar
e mesmo assim
manteve os olhos florescidos de sinceridade
Seu coração deseja o deserto
sua felicidade não é a felicidade de todos
é a simples felicidade impossível
de um único um
Um homem sozinho
é um peixe sem lagos
Marcos Losnak
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