quinta-feira, agosto 27, 2009

sexta-feira, agosto 21, 2009

UM DEUS TAMBÉM É O VENTO (PAULO LEMINSKI)

Um dos meus poemas prediletos de Paulo Leminski, que faria aniversário dia 24 próximo.


Foto: Carlos R. Zanello de Aguiar (Macaxeira)

um deus também é o vento
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar

me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar

a este deus
que levanta a poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro

nele cresça
até virar vendaval




Paulo Leminski
do livro Caprichos e Relaxos / Brasiliense

Minha entrevista com o cineasta STAN BRAKHAGE na nova revista Taturana



A KINOARTE lança a terceira edição da revista TATURANA, com distribuição gratuita, nesse domingo a partir das 20h no CineSESC, em São Paulo, durante o 20º Curta Kinoforum – Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. A revista, uma publicação da KINOARTE voltada para o curta-metragem e a produção independente, foi criada em 2007. Essa terceira edição da TATURANA tem como principal tema as relações entre cinema e surrealismo. Entre os destaques estão uma rara entrevista do poeta Rodrigo Garcia Lopes e do fotógrafo Gary Higgins com o realizador Stan Brakhage, uma conversa entre Marcelo Miranda e Laura Cánepa sobre surrealismo no cinema brasileiro, um perfil do londrinense Francelino França, a cobertura do 37º Festival de Cinema de Gramado, uma análise da obra de Naomi Kawase, um ensaio visual de Guilherme Gerais e um texto literário de Ygor Raduy. Há também um depoimento de Wagner Munhê sobre o artista plástico Paulo Menten, um ensaio sobre a logística surreal de Stanley Kubrick para o filme “Napoleão”, uma entrevista com o diretor paranaense Murilo Hauser, e um panorama sobre a produção contemporânea de curtas.

A partir desse ano a TATURANA ganha periodicidade trimestral, com tiragem de 2 mil exemplares
Mais informações no site http://revistataturana.blogspot.com, pelo e-mail kinoarte@gmail.com e pelos telefones (43) 9902 2669 ou (11) 8216 6644.

quinta-feira, agosto 13, 2009

HISTÓRIA DE DETETIVE - W.H.AUDEN (tradução: Rodrigo Garcia Lopes)



HISTÓRIA DE DETETIVE


Para quem está sempre numa paisagem estranha,
A rua irregular do vilarejo, a casa escondida entre as árvores,
Tudo perto da igreja, ou a escura casa geminada,
Ou a outra com colunas coríntias, ou cada
Apartamento proletário: em todo caso
Um lar, o centro onde as três ou quatro coisas
Que costumam acontecer a alguém, acontecem? Sim,
Quem não pode desenhar o mapa de sua vida, a sombra
Na pequena estação onde ele cruza suas amantes
E diz adeus continuamente, e repara no local
Onde o cadáver de sua felicidade foi descoberto?
Uma mendiga desconhecida? Um homem rico? Sempre um enigma
E com um passado enterrado mas quando a verdade,
A verdade sobre nossa felicidade é revelado
Quanto ficou devendo à chantagem e ao adultério.
O resto é tradicional. Tudo segue um plano:

A intriga entre o senso comum local
E aquela exasperante e genial intuição
Que está sempre no local, por acaso, antes de nós;
Tudo segue um plano, a mentira e a confissão,
Até a perseguição emocionante no fim, o tiro.
Mas até a última página uma dúvida paira :
E o veredito, foi justo? O nervosismo do juiz,
Aquela pista, o protesto das tribunas,
E até nosso sorriso … pois é . . .
O tempo todo matamos o tempo. Alguém tem que pagar
Pela perda de nossa felicidade: ela mesma.




Detective Story: W. H. Auden (1936)
HISTÓRIA DE DETETIVE - Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

Em The English Auden: Poems, Essays and Dramatic Writings 1927-1939. Ed. Edward Mendelson. 1977. London: Faber, 1986.

segunda-feira, agosto 10, 2009