terça-feira, outubro 07, 2008

CHANTRE / CANTOR




Et l'unique cordeau des trompettes marines

E a corda sozinha dos trompetes marinhos





Guillaume Apollinaire
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

“Cantor”, de Alcools (1913), foi incluído no último momento. Composto de uma única linha, que prefigura o caligrama (já que a "linha" do poema figura, icônica e ironicamente, a única corda do estranho instrumento chamado trompete marinho ou tromba marina) . A tradução perde o trocadilho entre cordeau (a corda do instrumento) e cord d’eau (cordão ou fio de água, aludindo ao mar e ao nome do instrumento). Na tradução, essa ambiguidade se passa num outro nível: a corda sozinha acorda sozinha. Outra opção:


E a corda solitária das trombas marinhas


Aqui o trocadilho entre cordeau e cor d'eau é recuperado, de certa forma, com "a corda solitária", que também pode ser entendida, sonoramente, como "acorda solitária", e que também alude, internamente, à palavra ária (composição musical para um único instrumento ou cantor, quase sinônimo para canção). A corda única que faz companhia ao "cantor"d o título. A imagem abaixo, do século 17, talvez tenha sido a inspiração para esta peça.






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